“Quanto mais você olhar para trás, mais longe vê adiante.” (Winston Churchill)
Otávio Santana do Rego Barros*
A ampliação da crise política será o destino inevitável do Brasil nos próximos meses? Dependerá de nossas atitudes como cidadãos.
Entretanto, é inquestionável que ela se encorpa diariamente, tendo entre suas principais causas o tribalismo digital que tomou de emboscada a nossa sociedade nos últimos anos.
Tucídides, autor da clássica obra A Guerra do Peloponeso (435 a.C), demonstrou que o desencadear de um conflito se dá à medida que os contendores deixam de avaliar com a razão e avançam emotivamente rumo à colisão de vontades, à busca da hegemonia. Os estudiosos da história geral alcunharam essa circunstância como “Armadilha de Tucídides.”
O professor Graham Allison, diretor do Belf Center for Science and International Affairs, em um estudo na Universidade de Harvard, elaborou uma lista com dezesseis situações, posteriores ao ano de 1500, nas quais estados em ascensão buscaram romper a supremacia pretérita de outros estados — reafirmando a Armadilha de Tucídides —, culminando com guerras que cobraram em sangue, economia e bem-estar social aos seus envolvidos.
Mostra-se compatível estabelecer um paralelo e identificar a mesma armadilha no nosso ambiente político, com possibilidade de irromper-se um conflito social de dimensão não avaliável em médio espaço de tempo, dada à polarização vigente e ao maniqueísmo que tomou conta de parte dos grupos antípodas (estados em disputa).
O projeto do professor Allison demonstra, ainda bem, que nem sempre se chega às vias de fato. Para se evitar o conflito, devemos pelejar firme e sobriamente já no atual momento.
Há poucos dias escrevi um artigo de título: A atitude profissional das Forças Armadas, no qual asseverei acreditar que o caminhar desse embate não se tornaria uma crise em nível institucional. Defendi que os sistemas de freios e contrapesos ajustaria a temperatura.
Não se passaram trinta dias, e a tromba d’água que se formou na cabeceira do rio do ambiente político, potencializada pela gestão sanitária e as investigações decorrentes, faz-me rever esse posicionamento e ponderar que a senda da institucionalidade está se tornando estreita com riscos de dificuldades mais adiante.
A ganância pela manutenção do status quo de poder, contrária aos princípios mais salutares da alternância de poder das democracias maduras, vem promovendo aflições em muitos estamentos da sociedade.
Intenta-se estabelecer uma ligação emocional entre as deliberações do Executivo e a Instituição de Estado: Forças Armadas. Mas não há exclusividade de ator principal. Do mesmo modo há uma interferência em outras instituições respeitadas por seu passado asseado e ajustadas à missão constitucional: Polícia Federal, Receita Federal, Diplomacia, dentre outras.
Algumas ações ou omissões do governo expõem essas organizações ao escrutínio crítico, com viés negativo, resultando como consequência uma possível repulsa da sociedade.
Não é aceitável, sob nenhum aspecto, transformar a centenária Instituição Exército Brasileiro, nascida nas ravinas dos Montes Guararapes pelo amálgama das três raças e detentora de altos índices de confiabilidade, em uma estrutura de apoio político pessoal.
Sempre se orgulharam, as Forças Armadas Brasileiras, de seu profissionalismo e servidão ao povo brasileiro. Continuarão se orgulhando, por certo.
Prontidão e Vigilância! esse é o lema. Substantivos sublinhados na intenção dos comandantes de ontem, de hoje e de sempre.
Construiu-se, nos últimos anos, uma base muito sólida de profissionalismo nos homens e mulheres de farda, cuja argamassa dificilmente será abalada.
As ideias de legalidade, legitimidade e estabilidade permanecem iluminando o caminho. E as Forças Armadas, ao toque diário de clarim na alvorada, reforçam a sua isenção racional.
Quanto ao caso do oficial-general que participou de carreata política, infringindo, em tese, a legislação disciplinar, tenhamos confiança na sobriedade temperada com firmeza de nossos comandantes.
*General de Divisão R1 do Exército
CORREIO BRAZILIENSE/montedo.com
Respostas de 9
NÃO!
MIL VEZES, NÃO!
Não falei que ele, o arRego Barros, viria nos encher o saco com suas inócuas e insignificantes notinhas de rodapé.
Que desagradável !
Só falta o clube do bolina militar.
Quanta baboseira e imaturidade.
Mentiroso!
Blá, blá, blá…
Esse aí foi instrutor na ESA e adorava castigar alunos, fazendo os mesmo subir um mora no Atalaia carregando um caixa cheia de pedra, juntamente com um Sgt Gauchão chamado Bartolomeu….no longínquo ano de 1988.
Pelo que entendi, pela linguagem tergiversada e corporativista do General, STF e suas decisões monocráticas atuam em consonância com os estamentos do Estado, cumprindo fielmente a Constituição Federal, e Bolsonaro, investindo massivamente em infra estrutura, reformas e privatizações é projeto pessoal de poder. É isso mesmo ou me enganei na leitura?
acho que nos enganamos na leitura
Esse arRego Barros é I N S U P O R T Á V E L.
“Do mesmo modo há uma interferência em outras instituições respeitadas por seu passado asseado e ajustadas à missão constitucional: Polícia Federal, Receita Federal, Diplomacia, dentre outras.” Ja cooptadas e infiltradas anteriormente,de elementos que nao estao nem ai para a sua destinacao principal e esquecendo de mencionar o Judiciario este sim completamente fora dos anseios da populacao e distorcendo tudo o que foi conquistado para uma justica plena e verdadeira. Afora os ataques perpetrados em outro governo que procurou denegrir a formacao da AMAN determinando inclusive a instalacao de estatua naquele local e os fatos de cuspirem em nossos generais, acho que isso foi mais preocupante e nao se ouviu nenhuma contestacao por parte de nenhum dos senhores nem de quem detinha a”sobriedade temperada com firmeza de nossos comandantes” na epoca.
Nessas horas, sábios são os oficiais-generais da Marinha, da Aeronáutica, e os praças das FFAA, cujo silêncio ensurdecedor fala mais do que as previsões prolixas e teratológicas desse texto.
Parece que a lei trouxe mais um posto no círculo dos oficiais-generais da força terrestre; agora tem-se o general-de-redação.
Dito isso, parece que não deixou de vigir a letra d, do inciso XVIII, do art. 28 do Estatuto dos Militares, do contrário o profissionalismo e a servidão dos homens e mulheres de fardas tem sua ética abalada no caso hipotético de oficial-general que fizer uso de designação hierárquica para discutir e provocar discussão pela imprensa a respeito de assunto político, infringindo, em tese, a legislação disciplinar, o que desafiaria a sobriedade temperada com firmeza de seus comandantes.
Os críticos do Pazuello medem-se com a mesma régua?