“Livre e espontânea pressão”: Pazuello será punido por manifestação política no Rio e “convidado” a ir para a reserva

Eduardo Pazuello em ato pró-Bolsonaro no Rio de Janeiro: estatudo militar proibe oficiais da ativa de participar de manifestações políticas | ANDRE BORGES / AFP

PAZUELLO SERÁ PUNIDO POR PARTICIPAR DE ATO POLÍTICO DE BOLSONARO
O ex-ministro da Saúde esteve no palanque montado para o presidente discursar após passeio de motocicleta pelo Rio

Tânia Monteiro
O ex-ministro da Saúde e general da ativa Eduardo Pazuello vai ser punido por ter participado de ato político em favor do presidente Jair Bolsonaro neste domingo 23, no Rio de Janeiro. A interlocutores, colegas de farda e até superiores hierárquicos, ele admitiu que cometeu “um erro” ao subir no palanque no Monumento aos Pracinhas do ex-chefe. Pazuello transgrediiu o Regulamento Disciplinar do Exército (RDE) que proíbe a manifestação política de militares da ativa sem a autorização prévia dos seus superiores.
Militares ouvidos pela ÉPOCA deixaram claro o descontentamento da cúpula do Exército com a ida de Pazuello ao Rio. O general estava em Brasília e viajou à capital fluminense ao lado do presidente no avião da Força Aérea que levou a comitiva do governo. A única agenda de Bolsonaro na cidade era um passeio de motocicleta com apoiadores a favor dele.
Apesar da carona, vista como o primeiro erro, a avaliação era de que o ex-ministro da Saúde poderia ter passado despercebido se não tivesse decidido ir até ao Monumento dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, e subir no carro de som contratado por apoiadores do governo para Bolsonaro e outros políticos discursarem.O general, mesmo falando muito pouco, estava em um ato político.
Pazuello mandou uma mensagem ao comandante do Exército, de acordo com interlocutores, assim que o ato terminou. Ele reconheceu que estava errado e se mostrou arrependido. Aos mesmos interlocutores, ele justificou que acabou sendo “empurrado” a ir parar do lado do presidente. O general afirmou ainda que estava de máscara o tempo todo até subir no caminhão de som.
Militares ouvidos pela ÉPOCA afirmam que a atitude do ex-ministro da Saúde atingiu a imagem da corporação. Eles afirmaram que era dever do general “se preservar” e lembraram que ele teve apoio do novo comandante do Exército durante a ida dele à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as ações do governo na pandemia, a chamada CPI da Covid.
No entanto, de acordo com oficiais ouvidos pela ÉPOCA, “ele derramou o caldo”. O militar afirmou que, agora, o comandante Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira não pode deixar de puni-lo porque, senão abriria um flanco para que outros militares, de qualquer patente, subissem em palanques no período eleitoral que se aproxima. Além disso, se não punir, também estaria cometendo uma transgressão.
Pazuello explicou aos colegas de fardas mais próximos que “não fez pronunciamento político”. “Falei como cidadão, não falei como oficial-general”, justificou ele a um interlocutor via Whatssap. O ex-ministro, ao insistir que não falou nada com cunho político, comentou apenas agradeceu “a galera” e disse que “não podia perder esse passeio de moto”, “que era imperdível” e encerrou sua participação. Pazuello nunca falou em entrar para a política, mas algumas pessoas próximas já apostam neste caminhos após a aposentadoria.
O ex-ministro passou o restante do domingo ouvindo reclamações dos colegas de farda. Confidenciou que, se pudesse, “voltaria atrás no tempo e não teria ido lá”. Nesta segunda-feira, Pazuello, que está sem função e mora no Hotel de Trânsito de Oficiais em Brasília, vai “se apresentar” no Quartel General. Ele sabe e já espera que deve ser punido pelo que fez. E reconhece ainda que não tem nem o que dizer mais sobre o assunto.
No Planalto, também houve preocupações com essa aparição de Pazuello. A avaliação que o gesto deve reforçar o foco da CPI na atuação do governo e a sua relação com o presidente. Interlocutores de Bolsonaro afirmaram que esse comportamento servirá de “munição” contra ele e o seu governo e que “a ida ao shopping sem máscara virou bobagem”. O presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), já disse aos seus pares que deve reconvocar o militar.
Uma solução para a punição do general começou a ser construída logo após as primeiras imagens dele em cima do trio elétrico passaram a circular. A cúpula do Exército espera construir um consenso para evitar nova exposição interna e evitar novo constrangimento ao comando pelo gesto que desde que saiu do governo, em março, e voltou à caserna.
A tendência, neste momento, é que Pazuello sofra uma “advertência” pela sua atitude e que seja “pressionado” e, mais do que isso, “instado” a pedir transferência para a reserva, embora “por direito” tenha pelo menos mais um ano de permanência no serviço ativo.
Não existe norma legal que determine ou possibilite como sanção por cometimento de transgressão disciplinar a passagem compulsória para a reserva de militar que possua estabilidade assegurada. No entanto, este pedido para que ele deixasse o serviço ativo já vinha sendo feito por diversos oficiais e integrantes da cúpula militar desde quando decidiu aceitar assumir efetivamente o cargo de Ministro da Saúde no ano passado.
Enquanto estava no governo, Pazuello rejeitou a ideia de passar para reserva e nunca conversou com Bolsonaro sobre isso. Embora todos achassem que, ao permanecer na ativa, como ministro da Saúde, o general trazia desgastes e problemas ao Exército. Para justificar, os militares reconheciam também que era um direito de ele não abandonar a farda.
Agora, no entanto, embora ainda seja um direito seu não querer assinar pedido para ir embora para casa, ele cometeu um erro grave e expôs toda a instituição e o comandante do Exército e, daí, a pressão. A saída não é simples.
Segundo interlocutores, Pazuello não estaria disposto a sair agora do Exército. Eles afirmam que o general ” está passando por momento delicado em sua vida”, sendo obrigado à comparecer CPI da Covid. Uma opção, seria ir para a reserva após o fim das investigações, mas não apenas no ano que vem.
Pelo RDE, se o seu superior hierárquico não enquadrar o ex-ministro da Saúde, ele estará infringindo, pelo menos, a quinta regra do anexo 1 onde as 113 infrações estão listadas. A norma fala em “deixar de punir o subordinado que cometer transgressão, salvo na ocorrência das circunstâncias de justificação previstas neste Regulamento”. Os artigos subsequentes falam ainda que é violação de regra também “não levar falta ou irregularidade que presenciar, ou de que tiver ciência e não lhe couber reprimir, ao conhecimento de autoridade competente, no mais curto prazo” e “retardar o cumprimento, deixar de cumprir ou de fazer cumprir norma regulamentar na esfera de suas atribuições”.
O enquadramento de Pazuello deverá ser feito com base no item 57 que trata de manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária. Hoje, Pazuello está “adido à Secretaria Geral”, aguardando para ser transferido. Essa situação acontece quando um militar retorna à força, como é o caso dele, um general 3 estrelas e não existe um cargo vago para o qual ele possa ser designado. Com as movimentações de julho, esse cargo surgiria, certamente na área de economia e finanças do Exército.
Apesar de a ida de Pazuello ao palanque poder lhe custar a punição com advertência, o general ainda tem a seu favor o seu histórico militar, que contém muitos atenuantes já que sua carreira é considerada impecável. Segundo a classificação resultante do julgamento da transgressão, existem seis punições disciplinares que podem ser aplicadas, que começam com advertência, passam por repreensão, detenção e licenciamento.
A advertência, que militares ouvidos apostam que deverá ser a opção do comando, significa mais um gesto político, de demonstração de autoridade, e de satisfação e alerta aos demais militares, para que fiquem atentos que não haverá condescendência com esse tipo de ato. Na prática, não terá nenhuma consequência mais grave, além de constar na ficha militar do general três estrelas.
ÉPOCA/montedo.com

Respostas de 21

  1. Será que no meio desses puxa-sacos não existe alguém com noção da realidade?
    O Bolsonaro está perdendo apoio dentro da sua base eleitoral, que são os militares das forças armadas. O clima de insatisfação é gigantesco. Não só na questão interna, e ,principalmente, nas políticas de saúde, economia, segurança, etc. O Brasil está um verdadeiro caos. Eu sou oficial, mas não concordo com a postura diante dos praças e reservistas.
    Caso não apareça uma terceira via, é bem provável que muitos militares votarão no Lula pela primeira vez.
    Não adianta governar para meia dúzia de pessoas, pois esse pessoal da manifestação não chega nem a 0,5% do eleitorado..Governe para todos!!

  2. UMA MANCHETE ALARMANTE E UM CONTEÚDO ESTAPAFÚRDIO:

    Vamos lá Montedo:

    1 -Militar ñ pode se manifestar politicamente sem o consentimento do chefe (isso q está escrito): O chefe maior das Forças Armadas autorizou.

    2- Pazzuelo é rico, não precisa de grana, apenas de poder. Sendo assim, caso ele não seja eleito Senador ano que vem, Bolsonaro modificará a portaria para Intendente sair 4 estrelas e comandar a SEF.

    Notícia quente (q ñ é daquele “chapa fria” q só dava bizu furado): O SECRETARIO DE ECONOMIA E FINANÇAS SERÁ CARGO PRIVATIVO DE UM INTENDENTE 4 ESTRELAS.

    3- Tudo isso tem método Montedo, acha que ele resolveu e quando viu estava lá.
    Vc acredita mesmo que essa repórter conversou com alguém?

    Parem de ser INICENTES, cada movimento é pensado, planejado e consultado…

    4- Pazzuelo tem grana suficiente para não ser preso nunca.
    Tem muita gente que deve favor ao dinheiro da família dele.

    5- Montedo, quando um repórter fala que conversou com fontes, com oficiais da alta cúpula etc etc, DESCONFIE…

    1. Anônimo no 24 de maio de 2021 a partir do 08:34,
      A essa hora, às 08:34, e já tá mamado!
      Começou cedo ou tirou direto?
      Senti também um certo recalque e inveja do trabalho e sucesso do Redator desta website.
      E, por fim, nem sempre grana é a solução de todos os problemas.

      Normalmente, quando se expressam com letras ‘garrafais’ (UMA MANCHETE ALARMANTE E UM CONTEÚDO ESTAPAFÚRDIO), indica problemas psicológicos.
      Quando se grita pra ser ouvido é porque não se anda muito em ordem pessoal e emocional.
      Ou, ‘Beba com moderação’.

      …”Vamos lá Montedo”…
      Francamente. Totalmente sem noção.

    2. Isso! Um general como Pazuello jamais irá ser punido ou preso. Tem muito dinheiro, não é igual estes pobretões tipo Odebrecht, que não podem pagar um bom advoGADO!

  3. Isso é uma palhaçada orquestrada. No fundo todos, oposiçao e governo, fazem jogo de cena ate as eleiçoes. Tipo times de futebol que enrolam o jogo ate os penaltis porque nenhum dos lados tem coragem de jogar e arriscar. o gorducho estrelado é apenas o reserva do time que ninguem quer mas tem a bola do jogo..Simples assim

  4. Quanta besteira, não vi nada em que possa punir o Pazuello.

    Como militar inativo, quem “poderia” ser punido era o presidente da República.

    1. Este é um site de extrema esquerda, tem que falar mal do Bolsonaro e dos generais. Ficou fora de contexto seu comentário. APAGA. #PAZ

      1. Disse, ‘Este é um site de extrema esquerda’.
        Então você é um comunista. Se é de esquerda, o que você vem acessando esta website seu esquerdopata.
        …”Este é um site de extrema esquerda”, ‘beba com moderação!’

    2. Não viu nada? Então você não é militar, e sim só um idólatra de político, pois na lei 6880/90 diz: “Art. 45. São proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político.”
      Ele estava um evento tipicamente político, pois o presidente falava sobre o seu governo e suas posições políticas, logo, sem precisamos ser nenhum Sherlock Holmes, dá pra ver que ele desrespeitou o lei e ,portanto, deve ser punido , senão vai abir margem pra que outros possam fazer igual e ninguém poderá fazer nada, aí será o caos dentro da força.

    3. Militar da ativa nao pode, msm com autorizacao, msm pq ela nao existe, participar de manifestacoes de cunho politico. Se fosse um praca sem mandato eletivo, ja desceria do palanque preso. Qto a ser promovido a 4 estrelas e mexer na estrutura da carreira militar, nao vai rolar pq tera que ser feito com as tres forcas o que nao ira ocorrer. B17 teo poder, mas nem tanto. Votar na esquerda devido a insatisfacao ou pq acha que tera algo em troca, ou seja migalhas, e uma gde burrice. Nao concordo com a maioria dos posicionamentos e atitudes do presidente, mas nao e por isso que votarei na esquerda irresponsavel deste pais para tudo voltar a ser como antes. Quem pensa assim, pode se arrepender e muito.
      Em tempo: sou oficial e fui e estou sendo sacaneado….

  5. Será que ainda tem algum Homem entre as estrelas galáticas? Ou escondem-se atrás da farda e do posto?

    Pazuzu não será punido e a contagem da reserva será feita de sexta passada.

    Fim

  6. …” pudesse, “voltaria atrás no tempo e não teria ido lá”…
    O que é isso.
    Comportamento de recruta.
    Como um desqualificado desses sai general.
    Vergonha.

  7. Pode isso nao pode aquilo, a norma diz o regulamento prescreve, militar nao pode militar pode, o que pode e o que nao pode, nao pode atravessar o Rubicao, Bolsonaro e o comandante em chefe das forcas armadas de acordo com a norma, lei, regulamento, constituicao, rde , rdu, taf, e sop e autorizou Pazuello a atravessar o Rubicao. Pronto, fim, e se o comandante do exercito nao gostar nao aceitar nao fizer nada nao responder troca-se o comandante do exercito. fim e ponto final

  8. “Vai ser punido…” Sei…
    Vai responder uma FATD para ver se houve transgressão disciplinar…
    Se por um lado um manda e o outro obedece tendo juízo ou não, por outro lado o explica mas não justifica acaba perdendo sua força.
    Como se dizia na caserna: tudo pode, nada pode, depende pra quem…
    Pois afinal, somos formados de FILHOS DE e FILHOS DA…

  9. Notícia da revista Época? Tempestade em copo d’água. Quando nosso glorioso STF, libertou o cachaceiro, não deu tanta repercussão assim. Imprensa maldita comunista, querem destruir o pais, e os melancias batendo palmas….

    1. A culpa não é da imprensa comunista não, e sim deste teu presidente e deste general, que mesmo sabendo que todo mundo está de olho, ficam fazendo um monte de insanidades e falando asneiras. Se fossem mais inteligentes não ficariam por aí, fazendo questão se aparecer, ainda mais fazendo e falando excrementos.

  10. Para um Exército que teve um Comandante em cadeiras de rodas, um general 4 estrelas da ativa indisciplinado que virou vice-presidente e um capitão indisciplinado que virou Presidente, até que está bom!

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