Cortes atingem projetos estratégicos da Defesa, e orçamento é o menor desde 2005

Prosub, desenvolvimento de submarinos: Consiste na construção de um estaleiro e cinco submarinos, sendo um deles nuclear Foto: Marcelo Régua / Agência O Globo

Aperto provoca insatisfação entre integrantes do alto comando das Forças Armadas

Leandro Prazeres e Ana Clara Costa
BRASÍLIA
— No momento em que, pela primeira vez desde a conquistaram espaço político inédito no governo federal, a previsão é que o Ministério da Defesa tenha, no ano que vem, seu menor orçamento em 15 anos. O aperto provoca insatisfação entre integrantes do alto comando das Forças Armadas. Com o presidente J air Bolsonaro e o vice, Hamilton Mourão , egressos do Exército, a expectativa entre os militares era que, mesmo em um quadro de ajuste fiscal, seus projetos fossem considerados estratégicos para o país.
Os recursos previstos no Orçamento da União de 2020 para as principais ações da área militar registraram queda média de 35% em relação a este ano. Em 2019, a previsão é que esses programas consumam R$ 4,1 bilhões. No ano que vem, o governo estima os gastos em R$ 2,6 bilhões. Entre os mais afetados pelos cortes estão o programa de submarinos da Marinha, o desenvolvimento de blindados do Exército e a aquisição de caças pela Força Aérea Brasileira (FAB).
A queda nos recursos reflete um aperto orçamentário que se estende por todo o Ministério da Defesa — a previsão para o ano que vem, de R$ 73 bilhões, é a menor desde 2005, quando foram destinados R$ 69,9 bilhões (em valores corrigidos pela inflação do período). O corte nos projetos estratégicos é, percentualmente, maior do que a queda total do orçamento do ministério da Defesa para 2020, de 31,7%.
O sentimento, entre expoentes das Forças Armadas e militares que integram o governo, é de insatisfação com a profundidade dos cortes orçamentários para 2020 apresentados no fim de agosto. Generais ouvidos pelo GLOBO afirmam que havia expectativa de redução de gastos — mas a realidade imposta foi além do que se esperava.


Falta de reconhecimento
Há consenso nas Forças Armadas de que o Estado passa por situação de penúria e que todas as áreas devem contribuir com uma dose de sacrifício. A avaliação, no entanto, é que os valores destinados à Defesa deveriam ser encarados com algum grau de prioridade pelo Ministério da Economia. Eles citam os esforços feitos pelo contingente militar em momentos de emergência, como ocorreu este ano no rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho (MG) e com as queimadas na Amazônia, quando o trabalho imediato das forças foi necessário para conter estragos maiores e resgatar sobreviventes.
Havia uma expectativa, por parte dos militares, de que, após a aprovação da reforma da Previdência, haveria uma retomada dos investimentos nas Forças Armadas — plano que, hoje, está fora do radar da Economia. A equipe econômica, na avaliação de alguns militares, não enxerga os projetos estratégicos da Defesa como empreitadas importantes.
No Ministério da Economia, há a convicção de que o desbloqueio de recursos previsto para este mês e o próximo, da ordem de R$ 20 bilhões, pode ajudar a levantar os ânimos da cúpula militar. Mas, nos quartéis, as palavras da vez têm sido “decepção e desalento”.
O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse ao GLOBO que o ministério está tentando obter uma suplementação orçamentária, em negociação com a equipe econômica do governo. Ele não soube informar o valor desse reforço.
— É um orçamento enxuto? Sim. Terá reflexo nos nossos projetos? Com certeza. Mas nada com que não possamos lidar com planejamento, alterando prazos e, talvez, mudando o escopo de alguns projetos — disse o ministro, tentando mostrar otimismo.
O levantamento foi feito pelo GLOBO com base em dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e do projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2020, entregue pelo governo Bolsonaro ao Congresso. A LOA é a estimativa do que a equipe econômica pretende gastar durante o ano.
Foram analisadas as previsões orçamentárias de seis projetos considerados estratégicos pelo Ministério da Defesa: o Guarani (produção de blindados); o FX-2 (desenvolvimento e compra e caças para a FAB); o Sistema de Monitoramento de Fronteiras do Exército; o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), o KC-390 (desenvolvimento e aquisição de cargueiro); e o sistema Proteger, de segurança de infraestruturas consideradas críticas, como pontes e rodovias.
No Exército, um dos mais afetados é o Guarani. O projeto teve início em 2012 e prevê a construção de blindados para substituir os antigos Urutus. Foram encomendadas 1.580 unidades e entregues 300. O cronograma inicial previa gastos de R$ 19 bilhões entre 2012 e 2031.
Na semana passada, no entanto, o chefe do escritório de projetos estratégicos do Exército, general de divisão Ivan Ferreira Neiva Filho, disse a deputados da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara que as restrições orçamentárias fizeram com que o governo alongasse em nove anos o prazo final para a entrega dos veículos, com um acréscimo de R$ 500 milhões ao custo inicial.
— Isso é totalmente nocivo. O último carro vai ser entregue em 2040 e não sabemos que cenário vai ser esse. Não é que o carro vai estar obsoleto. Talvez o conceito esteja — disse o general aos deputados.
Na Marinha, o principal impacto é sobre o Prosub, que sofreu corte de 18% e já está com o cronograma atrasado em pelo menos dois anos, informação que o Ministério da Defesa contesta. Iniciado em 2008, o projeto tinha um orçamento total de R$ 27 bilhões e previa a construção de um estaleiro e de cinco submarinos, quatro convencionais e um nuclear. As obras são tocadas por um consórcio entre uma empresa francesa e uma subsidiária da Odebrecht. O contrato é alvo de investigações da Operação Lava-Jato.

Entrega de aviões

Projeto FX-2, compra de caças: ação é estratégica no intuito de modernizar a aviação de caça brasileira, substituindo os F-5 pelos Gripen. Foto: TT NEWS AGENCY / REUTERSJá o FX-2, da Aeronáutica, que prevê a construção de 36 caças Gripen pela sueca Saab, teve um corte de 52%. A primeira unidade foi entregue na semana passada, na Suécia. Estima-se que os outros 35 aviões estejam prontos em 2024. A preocupação dos militares, no entanto, é que as restrições orçamentárias reduzam o ritmo de produção dos aviões.
O diretor técnico da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), Armando Lemos, disse que os cortes nos projetos estratégicos são resultado da crise e que isso está provocando impactos nas indústrias ligadas a esses programas.
— A economia de defesa está bem parada nos últimos dois anos. Não é algo que começou agora. O governo e as indústrias têm buscado saídas para manter a base industrial ativa, apesar dessas reduções. Já vemos algumas forças mudando o escopo dos programas para evitar prejuízos maiores que poderiam ser causados por uma rescisão — diz Lemos.
O Globo/montedo.com

Respostas de 34

    1. Caros militares, as FFAA brasileiras estäo envolvidas como agentes solucionadores em Saúde Pública, incêndios florestais. apoio a resposta a calamidade pública ( enchentes por exemplo), combate ao narcotráfico etc. Agora somos FFAA tb assim precisamos de equipamentos modernos em tecnologia. Israel, Coréia do Sul, países árabes pro ocidente não podem viver neste deficit tecnológico e de meios como nós por necessidade de sobrevivência. Mas o mais importante é salário pois 55 porcento das FFAA ganha até 2 salários mínimos. Oremos

    2. Para resolver isso provisoriamente tem que vender alguns tanques, navios e aviões e colocar duas equipes para cumprir expediente sem almoço de 07:00 às 12:00 e 12:00 às 17:00 e cortar o pagamento de todos em 30%.

      1. Para que mais gastos com defesa externa, tecnologia e projetos estratégicos se nosso Exército está se transformando em uma gendarmaria a serviço dos EUA?

    3. “Privilegiar castas não coadunam com o espírito Republicano e nem com os princípios básicos do militarismo”.
      É absolutamente inapropriado, para não se utilizar palavras mais duras, que as remunerações de parte significativa dos militares fique ao alvedrio, à escolha e a voluntariedade dos Comandos Militares.
      O projeto de lei 1645/19, na forma que foi proposto, sem os ajustes e as correções necessárias, visando retificar as injustiças contidas nesse projeto, chega ser antidemocrático, uma vez que o Congresso é a casa do povo, que deve legislar para o povo. É para isso que elegemos nossos representantes. Adão Farias, advogado.

  1. Para resolver isso provisoriamente tem que vender alguns tanques, navios e aviões e colocar duas equipes para cumprir expediente sem almoço de 07:00 às 12:00 e 12:00 às 17:00 e cortar o pagamento de todos em 30%.

    1. Também acho, cortar os vampiros, acabar com unidades de lazer, cortar passeios para o exterior e melhorar o planejamento, já estaria resolvido.

  2. “…Com o presidente Jair Bolsonaro e o vice, Hamilton Mourão , egressos do Exército, a expectativa entre os militares era que, mesmo em um quadro de ajuste fiscal, seus projetos fossem considerados estratégicos para o país…”

    Gostaria de entender essas ações dos Comandantes. Enquanto chefes de outras classes lutar por seus funcionários para ascender uma posição melhor, as dentro da caserna é visto o contrário, porquê? Estão sempre editado “PORCARIAS” para prejudicar seus subordinados. Agora quando foi para beneficiar ELES, rapidamente publicaram autorização para pagar as férias de recrutas e vários outros benéficos, que no montante geral, a maior parte dos recursos foram destinados a pagamentos para os Oficias.

  3. Economista não entende de física, talvez sejam espiões colocados no poder pelo Pentágono, para desmontar o poderio aeroespacial, naval, petrolífero agrícola brasileiros. Esses economistas picaretas, acusam a gasolina e o motorista do ônibus pelos gastos da empresa, e aconselham o dono da mesma de cortar os dois. É logico que esse veículo não vai andar. Bando de estúpidos. As FFAA têm que focar no fato de que o PSDB seja um antro de espiões a serviço do Pentágono.

  4. Por mim o gasto ano que vem seria na faixa de 40 bilhões em vez de 73. Os 33 bilhões acrescentaria na reestruturação de carreiras. Bem mais justo e proveitoso!

      1. Segue o molde AMERICANO, redução de Generais.
        Redução dos efetivos e aumento dos temporários. de 4 anos.
        Mas…..que venha o combate real. Na guerra evidenciamos

    1. Quem tem um mínimo de discernimento e acompanha os noticiários econômicos sabe o que é um déficit fiscal e o impacto que a previdência causa no orçamento público.

  5. Tambem pagando uma fortuna de 0.16 centavos para o salario familia chega se nesse estado de penuria.
    A soluçao e cortar pela metade
    0.08 centavos ta bom demais.
    Afinal de contas 73% do soldo vai para os SEMIDEUSES.

  6. Governo neoliberal odeia funcionalismo público. Que isso sirva de lição em 2022 e votemos em uma chapa que tenha propostas realistas e patrióticas de verdade e não em demagogos sejam eles de direita e esquerda

    1. Aí sobrará quem para votar?? É só isso que temos. Acorda, pare de viver na utopia e achar que palavras bonitas resolvem o problema. Ainda termos que amadurecer muito para ter um político desse calibre e um eleitorado que reconheça e vote nele. Por enquanto, vamos no paliativo mesmo!

      1. meu caro se vc é militar ou tem parentes militares sabe que o último governo neolieral foi desastroso para as FFAA, por isso sabia que bolsonaro seria ruim

  7. FATOS E FOTOS
    Passeio e prêmios – No olho do furacão da disputa por mais justiça no PL1645, relator passeia pela amazônia.
    Em passeio pela Amazônia o deputado Vinícius Carvalho, relator d PL1645, aparece feliz ao lado do sempre sorridente deputado Hélio Lopes, em um bote usado pelo Exército Brasileiro.
    Outra imagem mostra Vinicius Carvalho recebendo mais uma homenagem, dessa vez da Marinha.
    É ISSO. As próximas eleições vem por aí.
    A escolha é sua.
    Fonte: https://www.sociedademilitar.com.br/wp/2019/09/passeio-e-premios-no-olho-do-furacao-da-disputa-por-mais-justica-no-pl1645-relator-passeia-pela-amazonia.html. Acesso em 15/09/2019.

  8. Quem manda no governo, é o Ministro da Economia, o senhor presidente, Bolsonaro, já declarou que de economia, não entende muita coisa, então seja o que Deus quiser.

  9. O sucateamento das Forças Armadas já era previsto. Ocorre que as FFAA passaram um momento importante de valorização e modernização. E não me refiro ao seu uso em situações que excediam sua destinação constitucional, tais como: combate à dengue, Força no Esporte, Programa Olímpico, ACISOS, missas e procissões… Refiro-me a compra de equipamentos modernos, desenvolvimento de projetos estratégicos, Forças de Paz da ONU, Intercâmbios…
    As FFAA ganharam visibilidade e protagonismo, o que alavancou seu reconhecimento pela sociedade. Nessa circunstância, alguns elementos acreditaram que deveríamos ter um maior protagonismo político eleitoral, viram-se dotados de alta capacidade, a vaidade tomou conta de seu espírito. Deu nisso aí: sucateamento, falta de dinheiro pros projetos das FFAA.
    Ocorre que a mosca azul lhes picou, e resolveram dar preferência a projetos pessoais. Pretendem um lugar de destaque na história, o terão, serão lembrados como aqueles que por egoísmo, atrasaram o progresso das Forças.
    E nem tratei dessa reforma da previdência que dá fim à paridade entre ativos e inativos.
    Quando isso for colocado na balança, terão lugar ao lado de judas e silvérios dos reis…

  10. Não quero criar algum tipo de alarmismo, nem fazer as pessoas perderem o sono com tamanha preocupação, mas comenta-se a boca pequena que com esses cortes, estamos correndo o risco de reduzir o valor do nosso salário família.

  11. Pessoal o Executivo vem sofrendo cortes e mais cortes em seus orçamentos! todos estamos sentindo isso! a verdade é que destruíram o País, é falcatrua pra todos os lados. O Presidente Bolsonaro está tentando botar o Brasil nos trilhos, mas tá cada dia mais difícil, é surpresa negativas uma atras das outras, rombo e mais rombo! Quem deveria ter agido como Fiscal da Lei na fiscalização dos desvios dos recursos públicos foram omissos e as consequências estão aflorando. Ninguém ligou pra nada! quem tinha que fazer o dever de casa não o fez! “A farinha é pouca o meu pirão primeiro”! A pergunta que faço! será que todos os outros órgão do Legislativo, Judiciário e Outros também serão afetador por corte nos seus Orçamentos? ou só o Executivo que sofre as consequências? O sacrifício precisa ser dividido com todos os órgãos Públicos! Mas ainda temos esperança em dias melhores para o nosso amado Brasil1

    1. JVc dava essa mesma desculpa quando o FHC fazia isso ou está adotando uma postura neo-petista de amor cego pelo líder, não importa o que ele faça?

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