O general e o canabidiol: Villas Bôas diz que proibição é “hipocrisia”

Ex-comandante do Exército admitiu que teve contato com o derivado da maconha, como alternativa de tratamento para sua doença degenerativa

Rafela Felicciano/Metrópoles
RAFELA FELICCIANO/METRÓPOLES

NATÁLIA LÁZARO natalia.lazaro@metropoles.com

O general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército e hoje assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, defendeu o uso do canabidiol como alternativa medicinal e chamou de “hipocrisia social” as dificuldades de acesso aos doentes que precisam do medicamento para tratamento. A entrevista foi concedida ao SBT, neste sábado (03/08/2019).

O general sofre de uma doença neuromotora degenerativa, e corre o risco de perder a fala. Ele tem testado algumas tecnologias para substituir a voz e para conseguir navegar na internet sem o uso das mãos.

“Eu não entendo por que ao mesmo tempo que tem gente lutando aí, defendendo a legalização da maconha, está tão difícil se obter esses medicamentos para efeito medicinal. Eu acho, de certa forma, até uma hipocrisia social e vejo a luta de algumas pessoas que dependem disso para minimizar sintomas de efeitos de algumas doenças que têm dificuldade”, disse, com uma visível dificuldade pra respirar.

Apesar de ter defendido um dos compostos da maconha, ele afirmou que não chegou a usá-lo. Aos jornalistas, ele contou que vai abrir um instituto com a filha para ajudar pessoas que sofrem com doenças incapacitantes, assim como a dele.

Com as restrições, Villas Bôas deixou o comando do Exército em janeiro e passou o cargo para o general Leal Pujol. Atualmente, o chefe do GSI é o general Augusto Heleno, braço-direito de Jair Bolsonaro (PSL), que o acompanha em todas as viagens e cerimônias. O órgão é responsável por gerenciar a segurança da presidência da República.

METRÓPOLES/Sechat/montedo.com

Respostas de 14

  1. Falando de saúde…nossos hospitais estão uma vergonha! Pelo menos o da minha guarnição! Fui tomar a vacina da gripe e não tinha…mas não era só a da gripe…não tinha vacina nenhuma no setor! Nem para febre amarela…tétano…tríplice…nenhuma! Fui no posto de saúde e obtive de graça…aqui na guarnição tem companheiros sendo atendidos, para procedimentos simples, com mais rapidez nas UPAs do que no hospital! Será que o objetivo é este?Arrecadar no desconto do Fusex e não oferecer nada em troca obrigando o militar a se virar nos planos de saúde ou na rede pública?

      1. Bom, não sei qual a cidade do militar aí de cima, mas no Rio o HCE é o caos! Tente marcar uma endoscopia! Vá na emergência e ficará horas para um atendimento! Conheço um militar que estirou os ligamentos do tornozelo esquerdo e preferiu arriscar o atendimento na rede pública na zona oeste e teve o pé engessado em menos de duas horas. Meio difícil ser atendido neste tempo no Fusex.

    1. Acredito, sim. Vai depender onde esteve e que tipo de apoio hospitalar a Força tem. Em alguns lugares há apenas um pequeno “hospital” ou posto de saúde, que faz encaminhamentos para a rede conveniada particular quando necessário. Nem todas as Forças tem hospitais e aparelhos necessários, dependendo uma das outras, ou, nem isso. A demanda é grande e é normal, as vezes, uma espera de um mês ou mais para exames mais específicos e complexos, pois os aparelhos são poucos e especialistas são militares, atendendo a outras atividades militares. Claro que nas capitais, teoricamente, os atendimentos sejam melhores e opções maiores.

  2. As autoridades passam a preocupar-se quando a situação os atinge diretamente, ou a seus familiares. Quando a doença é algo abstrato e distante, a preocupação é mera retórica. Saúde sempre foi um discurso de campanha e nada além disso. Só quem sentiu na pele a falta de apoio em situações graves, ou perdeu parentes por falta do devido atendimento sabe o quanto é doloroso depender do setor público para lutar pela vida.

  3. Agradeço pela existência do FUSEX. Tudo que precisei fui atendido, mesmo demorando um pouco. Das diversas vezes que usei o alto custo, nunca foi me negado.
    Brasília-DF.

    1. Conversa fiada! Sempre a mesma história de que se você tiver um tratamento de alto custo o Fusex paga até na Suíça seu tratamento! As pessoas morrem é de infarto, de AVC e doenças comuns! Tive uma péssima história com o Fusex! Quando era tenente, jovem, peguei uma hepatite A, doença comum mas aguda. Fiquei internado no hospital da guarnição e fui salvo, unicamente, pelo senhor Jesus! Por que o tratamento que tive foi péssimo! Um quarto miserável com um calor insuportável! Desligava a luz, de noite, e as baratas passeavam alegres pelo quarto! Milhões de pernilongos! Enfermeiro só trazendo à pulso! Não podia comer gorduras devido ao inchaço do fígado e o almoço era arroz, feijão preto feito na banha e bife de hambúrguer! Minha mulher tinha que trazer a comida de fora para mim! Acreditei que ia morrer com os indicadores hepáticos lá nas nuvens! Naquele lugar do cão! Rezei muito para Jesus e os indicadores, depois de quinze dias, foram caindo e sobrevivi! Não me venham com historinhas! Eu sei o inferno que vivenciei!

    2. Estava eu na sala de espera do Pronto Atendimento do Hospital da FAB,em Belém, a noite. Haviam só umas quatro pessoas aguardando e outra em atendimento. Uma senhora começou a reclamar da “demora” e blá, blá, blá,… e que na UPA do bairro dela, (da periferia), já teria sido atendida, etc. Aí, não resisti, perguntei por que ela não tinha ido direto pra UPA? Ficou calada. Quando há muita gente na sala de espera, outro medico é chamado.Já presenciei. Algumas pessoa querem um atendimento hiper rápido, sem estar em emergência/urgência ou tratamento VIP que não existe para a maioria. Em uma época éramos encaminhados para a UNIMED. Que bom, né? Que nada, era pior, tinha que ir lá, pedir autorização, demorava mais e as marcações para as FFAA não tinham prioridade. Há épocas que se tem mais médicos, quando vão embora por ganharem mais lá fora ou por acabar o tempo do serviço militar,e aí, fica mais dificultoso, mas, atualmente está aceitável. Precisei por mais de uma vez de urgência e fui muito bem atendido, inclusive indo parar na UTI e fazendo consulta e exames mais complexos. Acho que o problema está na administração.

  4. canabidiol sendo remédio tem de ser encontrado nas farmácias ou nos hospitais. Esse movimento para liberar a maconha é com outras intenções, só estão usando doentes como desculpa. Pode-se ver na cara da maioria dos manifestantes que se trata de maconheiros mesmo. Por mim, poder-se-ia liberar a maconha, mas desde que se liberasse também o poder atirar em qualquer bandido que entrasse para tentar roubar sua casa, a fim de trocar os objetos por drogas.

  5. Fico estarrecido com os relatos e discrepâncias na qualidade de atendimentos dos hospitais militares(nem todos), entre as Forças. Está faltando dinheiro para as melhorias? Acredito que não, pois o que mais vejo quando entra novos diretores/comandantes, são reformas, principalmente no final de ano. Todos os oficiais tem esse mesmo tratamento ou os que estão mais acima na hierarquia tem facilidades para atendimentos em redes particulares?
    Quanto ao uso de subprodutos da maconha, deveria ser liberado, pois muitos remédios modernos são originados de produtos vegetais e salvam muitas vidas. A diferença está na dose. A fibra da maconha, inclusive, pode ser usada para confecção de utensílios, sem ter o efeito da erva fumada.

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