Reforma corta R$181 mil de cada militar em 10 anos

Bolsonaro entrega a nova proposta de reforma da Previdência ao Congresso Imagem: Reprodução/Onyx Lorenzoni

Cálculo do governo mostra que reforma corta mais de militares e servidores
Segundo estimativa para 10 anos, cada servidor perde R$ 141 mil, e militar chega a R$ 181 mil

BRASÍLIA
Thiago Resende

Sob ataques de que a reforma da Previdência afeta os mais pobres, o governo argumenta que, considerando a conta por pessoa, a proposta é mais penosa para servidores públicos e militares. A perda média para os trabalhadores da iniciativa privada é estimada em R$ 9,6 mil em dez anos para cada contribuinte do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O impacto per capita para o funcionalismo público da União é de R$ 141 mil. No caso dos militares das Forças Armadas, é de R$ 181 mil —sem considerar os efeitos da reestruturação das carreiras, que representam ganhos para os militares e gastos para os cofres públicos.
Esses números têm sido usados pela equipe econômica em encontros com deputados para convencer o Congresso a aprovar a proposta de reforma da Previdência do presidente Jair Bolsonaro. Em debates na Câmara, parlamentares contrários ao texto afirmam que a economia para Previdência de R$ 1 trilhão em dez anos com a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) recai principalmente sobre os trabalhadores mais vulneráveis —os do INSS.
O governo, então, preparou a tabela sobre o efeito per capita da reforma. “Quem ganha mais paga mais; quem ganha menos paga menos. O impacto é bem maior para militares e servidores públicos, porque eles têm regras [de aposentadoria] mais benevolentes, rendas maiores e condições de trabalho mais previsíveis”, afirma o secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim.
Ao calcular os dados, a equipe econômica levantou quantas pessoas seriam afetadas. No INSS, esse grupo é de 71 milhões de trabalhadores, pois a proposta não terá efeito para quem já se aposentou ou já recebe pensão. Bolsonaro apresentou uma PEC para endurecer as regras de aposentadorias, pensão por morte e mudar as alíquotas de contribuição. Juntas, as medidas representam uma economia de R$ 687 bilhões para a Previdência em uma década. Esse é o peso da PEC para os trabalhadores da iniciativa privada — nas cidades e na zona rural. Mas, como o número de pessoas nesse grupo é expressivo, a parcela para cada trabalhador seria diluída. Esse cálculo —impacto per capita de R$ 9,6 mil— é uma média, pois a reforma da Previdência prevê medidas diferentes dependendo do tipo de trabalho, idade e sexo. A maioria dos brasileiros que estão no RGPS (Regime Geral de Previdência Social) já se aposenta por idade, principalmente os mais pobres. Para servidores públicos e militares, a reforma da Previdência afeta ativos e inativos.
Foram consideradas cerca de 1,4 milhão de pessoas que estão ou já passaram pelo funcionalismo público, porque a PEC eleva a alíquota de contribuição para aposentados. O governo espera economizar cerca de R$ 200 bilhões em dez anos com as novas regras para o setor público. Assim, o peso da reforma seria, em média, próximo a R$ 141 mil reais por servidor ativo ou inativo —que têm salários mais altos que a média do trabalhador da iniciativa privada e que se aposentam com valores bem elevados.
No caso dos militares, mesmo se forem considerados os ganhos da categoria com a reestruturação da carreira, o impacto por pessoa ainda seria superior ao do RGPS. Mas técnicos do Ministério da Economia são contrários a esse tipo de comparação. “A reestruturação, aumento de salário é uma coisa; regra de inatividade e pensão é
outra”, justificou Rolim.
O economista Marcos Mendes concorda que as medidas previdenciárias e as benesses a militares têm que ser analisadas separadamente. “Podemos questionar se esse é o momento para propor a reestruturação de carreiras, mas são duas coisas distintas.”
Os cálculos do governo sobre o impacto per capita excluem os efeitos das mudanças propostas para o BPC (benefício pago a idosos carentes) e o corte no abono salarial.
Rolim argumenta que, por serem benefícios assistenciais, as medidas não podem estar na comparação apresentada a deputados. Em dez anos, elas representariam uma redução de R$ 182 bilhões —valor que deixaria de ser pago a brasileiros de baixa renda.
FOLHA/montedo.com

Respostas de 31

  1. Na prática se deixarem os ilustres deputados e senadores que tanto apreciam os militares decidirem o que quiserem sobre o PL, seremos reduzidos à condição de trabalhadores escravos! Com a anuência de nossos chefes.

    1. É sim, basta comparar a sua atual situação com vc mesmo em 2023.
      E depois qualquer reajuste no soldo terá bom impacto no bruto,
      Isso se fizer por merecer garantindo os Adc Hab.

  2. Eu mesmo perdi o posto acima quando faltavam 5 anos para a reserva. Duvido que aconteceria isso com um servidor civil! Que democracia é esta?!

  3. Pena que ninguém comenta da economia que o governo vem fazendo ao não pagar um posto acima desde 2002. Pelos meus cálculos, Flávio, mais de 11 bi até agora só com os ST e Cel. Sem falar no pessoal da reserva. Únicos que contribuem com a totalidade de seus proventos com a Pensão Militar. Nenhum civil contribui deste jeito. Com a reestruturação, as pensionistas tb serão compelidas a contribuir, sendo que seus maridos ja o fizeram. Isso é bitributação covarde. Será que as viúvas dos magistrados e de nossos legisladores tb serão “contempladas”?? So que ninguém fala ja que a culpa do rombo é toda nossa.

  4. Aposentadoria com um posto acima somente existia para militares …

    A passagem para a inatividade com 08 soldos é exclusivo também dos militares… parece um FGTS

    1. FGTS seria 35. Um para cada ano de serviço. E qual o problema receber FGTS ? O civil não recebe? Não vai todo mundo pra vala do INSS ?

  5. ” O impacto é bem maior para militares e servidores públicos, porque eles têm regras [de aposentadoria] mais benevolentes, rendas maiores e condições de trabalho mais previsíveis”, afirma o secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim”.
    Qual praça, concorda com essa afirmação?]
    Tô fora (Terceirão),de “RENDAS MAIORES”.
    É fumo e mais fumo.

      1. Sinceramente! Esse governo veio pra fechar o caixão da gente! Eu que sou QEs, nem se fala, agora pro pessoal da meritocracia….

        1. Vc terá de volta 26% de Adc de permanência e 8x o bruto de STen, o que dará mais de 80mil depois de 2023. Tá ruim!!!! Manda pra mim então!

  6. Isso daria mil e poucos reais por mês….para cada militar….Olha o sonho da casa própria indo embora…Esqueçam reajuste, eles não vão dar. dez anos de penúria.

  7. Quer dizer que basta dizer que os militares vão se ferrar mais que os outros, para o congresso aprovar? Algo não está certo, não acham? Não quero mais pagar conta de mais ninguém. Quem provocou o “buraco” que o tape agora. Os militares, principalmente os de baixo posto, não tem mais “gordura” para queimar. Já ultrapassaram os limites.

  8. Desses 12 comentários que eu li, 10 não falam “coisa com coisa”, nós militares estamos ficando “sem noção” por causa das dívidas.

  9. Não está bem explicado, como cada militar perde R $ 181 mil em dez anos? Como considerar aí o Posto e a Graduação de cada militar?

  10. Será que alguém sabe quanto foi economizado desde 2001 com o não pagamento de um posto/graduação acima aos militares que ingressaram na reserva ? Existe algum estudo sobre isso ?

  11. Como a Kelma Costa disse, tem que se espelhar no Exercito dos Estados Unidos e de Israel. Enquanto isso corre na câmara dos deputados uma planilha onde mostra que os praças serão os maiores beneficiados com a reestruturação os cabos e 3º sargentos estão soltando foguetes com o seu maravilhoso 1%.

  12. Eu só queri saber onde andavam essas pessoas contra os militares em 2001…na era FHC e na era PT/LULA/DILMA..Bando de Kanalhas…..

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