
Ao chamar ministro de mentiroso, presidente estabeleceu uma linha de não retorno para a crise, avaliam generais
SÃO PAULO
Igor Gielow
A ala militar do governo Jair Bolsonaro (PSL) foi chamada para tentar apaziguar a crise entre o presidente e Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral). É uma vitória política do grupo, que desconfia da ingerência dos filhos do mandatário nos negócios do governo, mas a visão generalizada é de que será muito difícil manter o ministro no cargo.
Não foi casual a participação de dois ministros que ostentam quatro estrelas de generais da reserva no ombro nas tratativas para tentar solucionar a crise em Brasília. Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Fernando Azevedo (Defesa) conversaram com o presidente na tarde de quarta (13), quando a confusão já estava
armada devido à acusação pública feita por Carlos Bolsonaro de que Bebianno havia mentido sobre ter discutido a situação em conversas com seu pai. Chefe da Secretaria de Governo, o general Carlos Alberto Santos Cruz também entrou na operação-abafa.
Vereador pelo PSC do Rio de Janeiro, Carlos é o mais influente filho de Bolsonaro, segundo relato de seus próprios irmãos. Ele comanda há anos a estratégia digital do pai, mas durante a campanha eleitoral acumulou discussões com Bebianno sobre rumos da comunicação do então candidato. Já na transição, o ministro fritou a indicação de Carlos para a Secretaria de Comunicação Social ao ventilar a possibilidade em entrevista. Os filhos não perdoaram, e o deputado federal Eduardo (PSL-SP) indicou um assessor para a função, que foi retirada do guarda-chuva da Secretaria-Geral que seria assumida por Bebianno.
Assim, o escândalo dos laranjas do PSL caiu como uma luva como álibi para o clã Bolsonaro voltar à carga. O problema foi a natureza da intervenção: aliados, tanto militares como civis, ficaram mal impressionados com o presidente da República repostando uma acusação grave contra um ministro feita em rede social pelo filho.
A confusão no Congresso, onde deputados do PSL de Bolsonaro atacavam ora Bebianno, ora os filhos, também deixou claro a agentes de mercado que a tramitação da reforma da Previdência tende a ser bem mais difícil sem uma ordem unida na maior bancada da Câmara. Como mostrou a Folha, isso colocou Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, na operação para tentar segurar o ministro.
Ao longo desta quinta (14), generais no governo e na ativa trocavam impressões sobre a crise. O assunto dominava rodas de conversa na passagem de cargo do novo portavoz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros, para o novo chefe de comunicação do Exército, general Richard Nunes.
O fato de Bebianno não aparecer em uma reunião na qual seria admoestado por Heleno, Azevedo e pelo chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, foi notado como uma insubordinação, o que cai mal nesse meio específico. A impressão que mais se ouve entre oficiais é de que o Planalto abriga muitos fios desencapados. Os militares buscaram atuar com bombeiros. Os mais próximos de Bolsonaro sugeriram sangue frio ao presidente. A ala fardada não quer a queda de Bebianno por considerar que a demissão de um ministro dessa magnitude no começo do governo só serviria para firmar a imagem de fragilidade política no Planalto. E o secretário-geral tem dois generais, Floriano Peixoto e Maynard Santa Rosa, nominalmente sob seu comando. É corrente no governo atribuir aos dois oficiais da reserva o tom polido e o comedimento político do até então “pitbull” da campanha após ter assumido o ministério.
Só que isso não foi suficiente para conter o curto-circuito da quarta, que já vinha tomando forma desde que Bebianno teve uma ex-assessora implicada no caso dos laranjas em uma reportagem da Folha no domingo (10). Um general da ativa considerou o endosso de Bolsonaro à crítica do filho uma espécie de ponto de não retorno. Ao mesmo tempo, se expôs à acusação de fraqueza de comando por não ter demitido Bebianno.
Bolsonaro ganhou tempo ao reservar a tarde para fechar a polêmica alteração da idade mínima de aposentadoria de sua proposta de reforma da Previdência, além do tempo de transição para sua implantação. A previsível euforia nos mercados dá um alívio momentâneo ao governo, mas, com notas emergindo na imprensa trazendo supostas ameaças de Bebianno ao Planalto, o nó político ainda precisa ser desatado.
Olhando para frente, é na dinâmica da relação dos militares com o voluntarismo familiar dos Bolsonaro que reside a chave para o tratamento de futuras crises. Reservadamente, diversos oficiais no governo e na ativa admitem que a influência dos filhos sobre o presidente é algo incontornável. Família é família, lembram. Mas não escondem o desagrado com o modo caótico de comunicação, privilegiando torpedos lançados nas águas do Twitter a articulações políticas mais consistentes e ponderadas.
E a confusão de figuras: como afirmou um almirante, ninguém mais sabe quem está falando o quê, os Bolsonaros são uma só persona pública na prática.
FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com
Respostas de 23
A ala Militar quer tranquilidade para as reformas serem aprovadas inclusive mais fumo em cima da tropa
Na minha época nós chamávamos isso de “coisa de lavadeira”. Só poderia ser babaquice da Foice de São Paulo….ops: Folha de São Paulo.
Quem é esse bebiano? Tava dirigindo alcoolizado?
Senhores fomos abandonados! Quem puder va embora. Quem estiver velho e bichado pelas marchas so resta rezar
Estou velho e bichado, querendo ir embora em 2022, mas já comprei dois terços e um livrinho de oraçoes (rezas).
Vou precisar…
A situação tornou – se insustentável qdo o Sr Bebia ne mentiu.
Esse PSl é uma zona! Os filhos querem falar mais que o pai. Aí na sequencia vem os 50 gen que ele arrumou que se acham os “capacitados” a tudo, dando explicações do que não sabem e por aí vai. Não é a primeira confusão política que surge, em que cada um diz uma coisa e todos querem falar pelo presidente! É bom o bolsonaro mostrar logo quem manda e talvez cortar a internet de uma meia dúzia.
Os grupos de estudos inúteis concluíram que não chegaram a lugar algum .
Tempo de serviço 35 anos e quem não estiver satisfeito que peça baixa.
Que palhaçada eu quero saber o seguinte o cara deu ou não deu o dinheiro do fundo partidário e se houve corrupção e se houve tem que ser demitido imediatamente e todos os que se envolverem em corrupção doa a quem doer que papo é esse de demitir ministro no início de governo
Infelizmente o que VÊ nesse início de Governo é uma guerra gelada entre três grupos com interesses distintos. Temos os militares, os políticos do PAI e o Clã Bolsonaro – filhos dele – querendo cada grupo desses ter a hegemonia do controle político NO Governo.
Dada as características políticas e de personalidade desses grupos, infere-se que desgastes como esse serão comuns. Quem ganha com essa batalha da TEORIA DOS JOGOS é a oposição e a mídia de esquerda que são nutridas diariamente com esses desencontros políticos que se tornarão um carcinoma.
A sociedade brasileira está sujeita a sofrer uma das mais terríveis decepções.
Ingerência dos filhos do Bolsonaro não, intromissão.
Se os filhos interferem nos problemas do Bolsonaro, imagina a esposa… Ou não?
Tem certos meios de comunicação que querem somente é ver o circo pegar fogo. Quanto pior melhor. Muitos foram favorecidos no passado para disseminar ideologias e hoje não receberam as mesmas benesses.
Que matéria mais ridícula essa da Folha de São Paulo.
Existe uma crise na relação entre Bibiano e Carlos Bolsonaro, mas a Folha de SP, jornaleco inimigo nº 1 doa atual governo, transforma essa crise num verdadeiro apocalipse.
Inocente são os militares que ainda dão créditos para a Folha de SP.
Quero saber é a decisão do Bolsonaro sobre a inclusão dos militares nesta maldita reforma da previdência! Já saiu do hospital e está em Brasília! O que Bolsonaro fará? Poupará os militares de mais perdas ou destruirá, de vez, a carreira militar? Fará a REDENÇÃO da empobrecida família militar ou fará um ato de TRAIÇÃO a quem depositou nele votos e a esperança de dias melhores?
O Bolsonaro tem que entender que a presidência da república não é cozinha da casa dele não, onde esses filhos dele mala sem alça ficam a todo momento se metendo em assunto que não lhes cabem. Se quer demitir o ministro demita, mas não precisa desse circo midiático, isso só mostra a falta de capacidade de governabilidade.
Fala Amigo,
O Cara mentiu. O filho estava junto o tempo todo e falou a verdade. Simples assim.
Não interferiu em nada do governo. Os Vermelhos fazem tempestade e jogam uns contra os outros.
Lealdade dos filhos excelente.
Muita fofoca e nada de cancelar a MP DO MAL.
Sucesso a todos.
Se o Carlos Bolsonaro não tivesse feito aquele twitt chamando o Bebiano de mentiroso, a mídia inteira estaria caindo de pau em cima do presidente, alegando que estaria combinando com o ministro uma desculpa para escapar da acusação de candidatos laranja no partido. O Bebiano queria se limpar dizendo que estava bem com o presidente. É claro que a mídia está atacando e dizendo que filhos não podem interferir no governo, que existe uma crise, etc. Porém se o filho do presidente não tivesse agido oportunamente a situação seria muito pior.
Eu já falei aqui e repito! Os filhos do Bolsonaro, o maluco do Frota e a louca da Joice. Se tornarão o Calcanhar de Aquiles do presidente.
Presidente frouxo. Se não tem nada a temer das ameaças do Bebianno, notório corrupto e mentiroso, confirmado mesmo pelo próprio presidente, mas que falou aos quatro ventos que se ele cair o Bolsonaro vai junto, deveria já ter demitido ele faz décadas. Esse não é o governo que entrou para acabar com a corrupção e “com tudo isso que tá aí”? Rabo preso é pouco. Só não enxerga quem não quer.