O caldeirão, os lobos e um verso de Belchior

O caldeirão do inferno (Imagem: People Reed)

Quando afirmo que o milico é o lobo do milico, não me refiro apenas aos generais. Por sua atuação nas discussões sobre Previdência, Mourão e sua trupe são hoje a expressão mais evidente dessa mentalidade, mas comentários que modero diariamente aqui no blog confirmam que essa máxima permeia todos os postos, graduações e círculos hierárquicos.
Ontem, publiquei aqui uma foto do tenente-coronel Luciano Zucco assumindo seu mandato de deputado estadual, fardado e prestando continência. Recebi diversos comentários criticando a ‘transgressão disciplinar’, do agora reservista. Nenhuma menção à importância dos mais de 166 mil votos dados a um militar da ativa do Exército, tornando-o um dos deputados mais votados da história do parlamento gaúcho.
Mas esse é apenas um sintoma secundário e pouco relevante dessa mediocridade que teima em assombrar o meio castrense. O mal – aí sim! – atinge níveis de metástase em comentários como esse:

Anônimo disse:
Esse foi esperto e pulou fora da banheira afundando….já que não ia sair general, tratou de providenciar seu aumento salarial (polpudo, por sinal) e garantir seus convites para cerimônias de rasgação de seda e demonstrações de complacência e bajulação, como toda atividade festiva em quartel, junto é claro, com os caros e caprichados coquetéis, servidos com bebidas caras (soldado que raxa serviço nas 24 h e não participa do coquetel comerá arroz, feijão e carne moída de quinta pelos próximos dois meses….) compradas com dinheiro destinado a outros fins mais nobres…alou MP…

Alguns comentários – não tão virulentos – no mesmo sentido foram feitos em relação a Hélio Bolsonaro e ao Subtenente Everton em postagens recentes. O famoso caldeirão dos militares continua dispensando tampa.

É você que ama o passado
E que não vê…
É você que ama o passado
E que não vê…
Que o novo sempre vem!
(Belchior)

Respostas de 16

  1. Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.

    Na desgraça somem muitos e bota muitos nisso.

    1. Pura verdade:

      Nos churrascos, festas, piadas os “amigos” estão todos juntos de você.

      Caso aconteça alguma situação ruim com você, tenha certeza que 99,99% desaparecerão, não te mandarão watsap (nem mesmo um bom dia, como você está?), etc, literalmente desaparecem. É uma decepção muito grande.

      O bom é saber que os 0,01% são pessoas especiais, que estarão com você nesses momentos que mais precisamos.

    1. e isso atingirá quem já recebe e tem seu direito ou as futuras? pq não levaram em conta que mta pensionista vive mergulhada em dívidas perder 11% do dia para noite seria bem ruim

  2. MOontedo, você que classificou o comentário em destaque como mediocridade, não vejo nenhuma mentira nele, nossos generais, estão preocupados apenas om suas imagens e autopromoções, em assumir um boquinha política, ascensão social e afins…o altruísmo de liderar e ser reconhecido pela sua simpatia à penúria que vive a tropa federal, isso não é do interesse deles, generais e políticos eleitos. Não sejamos ingênuos caro Montedo. Só vejo verdades nesse comentário em destaque.

  3. Bolsonaro é oficial(ou tentou ser), disse certa vez que praça é praça por não ter estudado, como se fossemos acéfalos…devo me considerar um ponto fora da curva, por refutar essa ideia??? Será que estou errado e todo mudo que é complacente e puxa-saco está certo?? Devo me considerar inferior?

  4. Vamos ver o que o TC Zucco, vai fazer pela força…acho mais que fará em benefício próprio, como todo político eleito. Diga daqui a 4 anos, se a “metástase” dos comentários era infundada ou não.

  5. Obrigado caro Montedo, por dar ênfase ao meu comentário “Esse foi esperto e pulou fora da banheira afundando….já que não ia sair general, tratou de providenciar seu aumento salarial (polpudo, por sinal) e garantir seus convites para cerimônias de rasgação de seda e demonstrações de complacência e bajulação, como toda atividade festiva em quartel, junto é claro, com os caros e caprichados coquetéis, servidos com bebidas caras (soldado que raxa serviço nas 24 h e não participa do coquetel comerá arroz, feijão e carne moída de quinta pelos próximos dois meses….) compradas com dinheiro destinado a outros fins mais nobres…alou MP…”, fiquei feliz…essa é a verdade que assombra nossos quartéis, muita inutilidade funcional, puxasaquismo, muita gente preocupada com o próprio umbigo vendendo imagem de altruísmo, mas no fundo nossos pseudo cmts são piores ou iguais a Renans, Rodrigos Maias, Lulas e afins. Obrigado Montedo.

  6. Devemos então ovacionar o TC Zucco? esperar um libertador??? O que ele fará pela classe? Fará mais sem dúvida por si próprio, e por seus familiares.

  7. Vamos aos fatos Caro Montedo, você falou em determinado momento no texto- …”transgressão disciplinar”, do agora reservista. Vou repetir, reservista, então eu me pergunto: Por que este reservista me aparece fardado na posse? Opinião, é que nem b…., cada tem a sua. Para mim é muito embuste, teatro, firula, o que quiser chamar. Militar adora viver de imagem para impressionar paisano. Eu que já estou um pouco cansado de tudo isso, entendo plenamente o pensamento e crítica de algumas praças, que já estão de saco cheio de ver alguns oficiais pousando para fotos cheio de pompa, e a tropa morrendo de fome, num sentido não tão figurado. Eu não tenho dúvida de uma coisa, a tropa está muito distante da vida e benesses dos oficiais, por isso o caldeirão se perpetua, simples assim, existe uma guerra velada entre oficiais e praças. É chato tudo isso, é, concordo, mas isso é fato e só não vê quem não quer.

    1. O militar da reserva é proibido de usar farda, isso é um fato. O parlamentar, que é militar da reserva, foi fardado, ou melhor, fantasiado, já que a lei não permite que o faça.

  8. Aos estudiosos de plantão, leiam e confirmem o fato histórico que culminou na derrocada argentina na guerra das Malvinas…a diferenciação entre oficiais argentinos e suas praças era gritante…enquanto o soldado, cabo, sargento, congelavam na neve, os oficiais brindavam champanhes em barracas climatizadas…qual foi o resultado final? Não creio na teoria do caldeirão. Para isso ser viável, todos deveriam estar em pé de igualdade…não é como o estado maior do EB vê e trata suas praças, apenas trada de manter os privilégios e prerrogativas dos oficiais (que se consideram aristocratas), enquanto as praças estão definhando.

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