Parte do Exército busca blindar imagem da Força caso Bolsonaro fracasse

Leonardo Cavalcanti
Mesmo com o embarque desmedido na campanha do presidenciável Jair Bolsonaro, integrantes do Exército iniciam um movimento na tentativa de blindar a imagem da Força no caso de fracasso do eventual governo do capitão reformado. O medo dos militares é que uma derrocada do projeto de direita seja colocado na conta de toda a caserna, prejudicando um ativo fundamental em tempos atuais: a confiança da população na instituição.
O assunto é um dos temas da pauta do Alto Comando do Exército que se reúne esta semana, em Brasília — diga-se, o encontro já estava agendado anteriormente. A questão é complexa. Bolsonaro, às vésperas de se tornar o presidente eleito do Brasil, não é o candidato dos sonhos dos mais qualificados oficiais da força. Ao contrário, sempre foi visto como um sindicalista — defensor de interesses corporativos — que ficou pelo meio do caminho da qualificação militar. Pior, um capitão reformado controverso que mais atrapalhava do que ajudava a imagem da corporação.
Parte dos oficiais do Exército, por exemplo, votou em outros candidatos no primeiro turno, simplesmente por desconfiar de Bolsonaro. Com a chegada do segundo turno, a adesão foi total, apesar de alguns receios do programa nas áreas econômicas e, surpresa, de segurança. Os principais nomes da reserva, como general Augusto Heleno, entraram no projeto do deputado federal e, assim, quebraram resistências para a adesão de uma vez por todas. Mas isso não significa que a preocupação com a imagem tenha sido esquecida, a ponto de existir receio com a quantidade de militares que migrariam para o governo.

Movimentos
Segundo quem acompanha mais de perto os movimentos dos militares do Exército, haverá uma pressão para indicações da turma nos cargos de segundo escalão. É isso que o Alto Comando reunido nesta semana tentará analisar e, a depender do aprofundamento do tema, propor recomendações, justamente para não misturar de vez o governo Bolsonaro com a caserna. De certa forma, isso já vem sendo feito entre o pessoal da Marinha, que tenta manter distância da campanha do presidenciável — o mesmo não pode ser dito da Aeronáutica, apesar de restrições de brigadeiros.
Na semana passada, o Correio mostrou que, com a perspectiva de vitória de Bolsonaro, os militares já fazem apostas para a substituição do general Eduardo Villas Bôas no comando do Exército. Caso o presidenciável siga a tradição, que determina que a escolha deve ser feita a partir do critério de antiguidade, o novo chefe da Força será Edson Leal Pujol, atual chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia. A tal tradição foi interrompida por Dilma Rousseff justamente na escolha de Villas Bôas, em 2105. Nascido em Dom Pedrito (RS), Pujol tem 63 anos e foi o primeiro da turma na Academia Militar das Agulhas Negras, a Aman, em 1977. Em 2013, foi nomeado comandante da Força de Paz na Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah).
Na lista dos cotados ainda estão os generais Paulo Humberto, chefe do Estado Maior do Exército; Mauro Cid, chefe do Departamento de Educação e Cultura; e Carlos Barcellos, do Comando Militar do Norte. Todos os quatro oficiais são da turma de Bolsonaro na Academia das Agulhas Negras, no fim da década de 1970, e têm mantido conversas com o deputado sobre as diretrizes para um eventual governo. A questão aqui a ser observada é quem vai mandar mais na tropa: o novo comandante ou o general Heleno, que já foi anunciado como Ministro da Defesa do eventual governo.

Pataquada
Um dos melhores exemplos dos militares em não confundir a imagem das Forças com o novo governo está na declaração do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável. Durante uma palestra antes do primeiro turno das eleições, ele, em tom de ameaça, disse que, se o Supremo Tribunal Federal impugnar a candidatura do pai, terá de pagar para ver o que acontece. “Será que eles vão ter essa força mesmo? O pessoal até brinca lá: se quiser fechar o STF, você sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não.” A declaração não pegou mal apenas entre os ministros da Corte, mas também entre os militares.
CORREIO BRAZILIENSE/montedo.com

Respostas de 22

  1. Esses altos coturnos deveriam ter se preocupado quando os governos de esquerda destruíam a imagem das forças armadas com comissões da verdade e outros revanchismos. Agora querem mostrar-se distantes de um governo de direita. Não é à toa que a tropa vive por décadas nessa condição aviltante.

  2. Que reportagem sem vergonha…dos “entendidos” em forças armadas…quer dizer que muitos oficiais votaram em outros candidatos no primeiro turno? Engraçado…eu e as maior parte dos militares que eu conheço, oficiais e praças, de variados postos e graduações, votou no Bolsonaro…esta imprensa não engana mais ninguém! Agora, a questão da imagem junto a população…não pode ser usada como fator inibidor para que os militares procurem melhores salários! A família militar está cada vez mais empobrecida! E ninguém parece se importar! Espero que Bolsonaro valorize os militares e reponha, pelo menos, o que a inflação devorou de nossos soldos.

    1. A MP do Mal tem que cair. Temos menos direitos que outras carreiras. Licença prêmio, anúncio e promoção anual. Quer equiparar equipara na carne, querer equiparar só no osso….é lasca.

    2. Se não aparecer nenhuma autoridade sendo processada por desvio, como aparece de vez em quando, também ajuda. O esforço deve ser coletivo.

  3. Se der certo,”o filho é nosso”,se der errado,” nunca vi essa criança antes”! É aquele velho ditado: “Filho feio não tem pai”! Mas que surfaram na “onda Bolsonaro”,haaaaaa…surfaram…e como!!!

  4. “Parte dos oficiais do Exército, por exemplo, votou em outros candidatos no primeiro turno, simplesmente por desconfiar de Bolsonaro” – como pode afirmar isso? Foram questionados quantos oficiais para chegar nessa conclusão?

    Mídia esquerdista sempre querendo desvirutar o ambiente.

  5. Vamos torcer para que faça um bom governo… Queira ou não irão ligar o governo dele a imagem dos militares.. .

    Ele nunca fez nada por nós, isso temos que admitir…

    Agora com uma bancada forte não vai poder usar a mesma e esfarrapada desculpa que sempre usou…

    Eu não espero muito desse que teve tudo para nos ajudaA Noiva do Panelãor e nada fez por nós…

  6. “Parte dos oficiais do Exército, por exemplo, votou em outros candidatos no primeiro turno, simplesmente por desconfiar de Bolsonaro.”

    Como a reporte sabe disso? Possivelmente deve haver militares que não votaram em Bolsonaro, mas daí dizer que foi por desconfiar dele é demais.

    Certamente não é o mais preparado, mas, especialmente para os militares, é a esperança de uma aumento significativo nos soldos.

    Estamos desde o fim do regime militar reclamando que somos a categoria pública federal com os piores salários.

    Pois bem. Temos um capitão e um general na Presidência. Só depende deles agora. Passaram a vida toda reclamando da situação remuneratória.

    Se não for agora, não será nunca mais.

    1. Um Capitão, um general, e o SubOficial mais votado da História do Brasil para a Câmara dos Deputados. Temos que fazer valer o nosso voto.

  7. Bolsonaro so perde se as eleições forem fraudadas……mais se acontecer nao terá general com culhões pra reagir, só são machos com seus subordinados.

  8. “defensor de interesses corporativos” – A verdade é que Ele pelo menos tentou fazer algo. Quando pediu ajuda para os coturnos, estes se acovardaram. Tomara que Ele acabe com os apadrinhamentos dentro EB também. Poucos sabem que essa instituição a cada ano, recruta seus sobrinhos para ganharem um boquinha. Uma forma de nepotismo maquiada, justificada com intenção de redução de gastos.

  9. Acho interessante as pessoas falarem que BOLSONARO não está preparado, pois nunca governou; porém esquecem que o tão adorado por eles, chamado Lula, além de nunca ter governado, tem um agravante: é semianalfabeto. Mas o BOLSONARO sempre INCOMODA, “né”? Outra coisa, os militares que não votam em BOLSONARO, são os traidores no meio militar, o que também não estranho, não! Agora,o que me deixa admirado mesmo é a quantidade de civis que eu conheço que, além de votarem no BOLSONARO, ainda discutem a favor dele. Isto é que é exemplo que chega até me envergonhar em ver certos colegas de caserna. É UMA VERGONHA certos militares. Mudem de profissão, pô!!!!!!

  10. O primeiro colocado da turma Tiradentes foi o cadete Emilio Acocella e não o Pujol.Jornal lixo o analfabeto ficou 8 anos no governo e a analfabeta substituta 6 anos olha o estado do País.

  11. Várias coisas não pegam bem, dentre elas, a piada de que o candidato Bolsonaro está perdendo votos e o outro ganhando. Já imaginei que as pesquisas (sérias) iriam tentar demonstrar isso, há uma ou duas semanas diziam que Bolsonaro subia nos votos válidos e agora há três – quatro dias vem caindo. Piada!

  12. Outro camarada tirou as palavras da minha boca, tô pouco me lixando para esta tal confiança, credibilidade, e outras palhaçadas mais. Credibilidade não paga as minhas contas, confiança não enche a barriga da minha família. Aí aparece um espertalhão e diz: este cara pensa pequeno, não pensa como instituição. Tô pouco me lixando, a vida é agora, quero viver, comer, viajar, ter lazer, para isso é preciso de dinheiro, o resto é balela.

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