Após alerta do Exército, CNJ afasta juiz que iria mandar recolher urnas nas vésperas das eleições

CNJ afasta juiz que queria usar Exército para recolher urnas na véspera das eleições

Órgão atendeu pedido feito pela AGU, que foi alertada por militares do plano

POR CAROLINA BRÍGIDO / DANIEL GULLINO

Urnas eletrônicas que serão utilizadas na eleição em Curitiba – RODOLFO BUHRER / Rodolfo Buhrer/Reuters/25-09-2018

BRASÍLIA — O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou temporariamente das funções um juiz que, segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), pretendia determinar que o Exército recolhesse urnas eletrônicas na véspera das eleições. De acordo com a AGU, o juiz Eduardo Luiz Rocha Cubas, do Juizado Especial Federal Cível de Formosa (GO), pretendia conceder uma liminar em uma ação popular que questiona a segurança e a credibilidade das urnas.

A decisão é do corregedor nacional de justiça, HUmberto Martins. O magistrado foi afastado do cargo até o dia 9 de outubro, quando será realizada a próxima sessão do CNJ.

A AGU foi alertada da intenção do magistrado pela Consultoria Jurídica Adjunta ao Comando do Exército, após o próprio juiz se reunir com militares e entregar uma cópia da decisão que pretendia conceder. Eduardo Luiz Rocha Cubas queria que o Exército já estivesse preparado para cumprir a determinção. Ele informou ainda que pretendia conceder a liminar na madrugada do dia 5 de outubro, para evitar que ela fosse derrubada antes da eleição.

Outras atitudes do juiz chamaram a atenção da AGU. Ele deixou de digitalizar os autos, conferiu sigilo ao processo sem apresentar fundamentos e não intimou a União para que ela tomasse conhecimento do caso. De acordo com o órgão, ele também não poteria ter autorizado a tramitação da ação, já que seu juizado não tem competência para julgar ações populares.

“Essa desleal conduta evidencia o propósito manifesto do juiz em fazer valer sua desarrazoada ordem no dia das eleições, causando sério risco ao processo democrático”, alertou a AGU na reclamação apresentada ao CNJ.

O órgão também destacou que Eduardo Luiz Rocha Cubas gravou um vídeo ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), questionando a segurança das urnas eletrônicas.

O advogado que assina a ação proposta na Vara Especial da Justiça Federal de Formosa (GO) é Renato Lira Miler Silva. Ele atualmente ocupa o cargo de secretário parlamentar do deputado federal Major Olímpio (PSL-SP), candidato do Senado.

O Globo/montedo.com

Respostas de 3

  1. O que é que justifica?

    Lei de Execução Penal.

    Art. 203. No prazo de 6 (seis) meses, a contar da publicação desta Lei, serão editadas as normas complementares ou regulamentares, necessárias à eficácia dos dispositivos não auto-aplicáveis.

    § 4º O descumprimento injustificado dos deveres estabelecidos para as Unidades Federativas implicará na suspensão de qualquer ajuda financeira a elas destinada pela União, para atender às despesas de execução das penas e medidas de segurança.

  2. Queiram ou não, a possibilidade de intervenção militar no país a cada dia fica mais próxima da realidade. Quando vc tem instituições como o Judiciário partidarizado e autoboicotando a própria eleição. O Supremo onde um ministro fala que tem gabinete distribuindo senha para soltar amigos. Ministro do STF desautoriando outro Ministro. Presidente em exercício sem moral e envolvido em inúmeros mau feitos. Candidato à presidência sofrendo atentado. Pergunta-se está faltando o que? 13 milhões de desempregados promover uma convulsão social?

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