Nos anos 90, Bolsonaro defendeu novo golpe militar e guerra

Diferentemente do que mostram declarações do passado, presidenciável diz hoje que nunca falou em intervenção
3.jun.2018 às 2h00Líder das intenções de voto para presidente em cenários sem Lula , Jair Bolsonaro (PSL) chegou a defender um novo golpe militar no Brasil, nos anos 1990.

Em entrevistas, reuniões e em discurso no plenário da Câmara, o deputado federal afirmou, na ocasião, não acreditar em solução para o Brasil por meio do voto popular.
A Câmara dos Deputados chegou a enviar uma representação ao Supremo Tribunal Federal, mas ela não prosperou.
Em entrevistas atuais, o hoje presidenciável adota um discurso oposto, chegando a afirmar, como fez na participação na Marcha para Jesus, na quinta-feira (31), que jamais usou a palavra “intervenção” ao ser questionado sobre a atual defesa de intervenção militar no país, eufemismo para golpe.
“Nunca falei a palavra intervenção. Se um dia o militar chegar ao poder, será através do voto”, afirmou.
Em entrevista ao programa Câmera Aberta há 19 anos, porém, Bolsonaro foi questionado pelo entrevistador se ele fecharia o Congresso Nacional se fosse presidente da República.
“Não há menor dúvida, daria golpe no mesmo dia! Não funciona! E tenho certeza de que pelo menos 90% da população ia fazer festa, ia bater palma, porque não funciona. O Congresso hoje em dia não serve pra nada, só vota o que o presidente quer. Se ele é a pessoa que decide, que manda, que tripudia em cima do Congresso, dê logo o golpe, parte logo para a ditadura”, afirmou.
Na mesma entrevista, de 1999, afirmou que não acreditava que houvesse solução por meio da democracia e defendeu a morte de “30 mil”, incluindo a de civis e a do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
“Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, no dia em que partir para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez. Matando uns 30 mil, começando pelo FHC, não deixar ele pra fora não, matando! Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente.”
Diante da repercussão do caso e da ameaça de cassação, deu nova entrevista semanas depois ao mesmo programa dizendo ter sofrido um “massacre”. Evitou repetir as declarações, mas não se retratou: “Não vou voltar a pregar
isso aí, dei o meu recado.”
Seis anos antes, Bolsonaro já havia pregado a ruptura institucional, dessa vez em reuniões com militares nos Estados da Bahia e Rio Grande do Sul e em discursos no plenário da Câmara.
Na ocasião a imprensa noticiou sua defesa da volta da ditadura. Em discurso no plenário, afirmou que não desmentia nenhuma das publicações. E acrescentou: “Sou a favor sim de uma ditadura, de um regime de exceção,
desde que esse Congresso Nacional dê mais um passo rumo ao abismo, que no meu entender está muito próximo”.
A Câmara enviou uma representação ao STF pedindo a punição de Bolsonaro, mas o então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, deu parecer pelo arquivamento sob o argumento da imunidade que os parlamentares
gozam em relação aos seus votos, palavras e opinões. E também porque, em sua visão, Bolsonaro não havia cometido delito penal.
A Folha enviou questionamentos para a assessoria do presidenciável, mas não houve resposta.

FOLHA/montedo.com

Respostas de 5

  1. Po… mais de 20 anos atras. Essa é a imprensa imparcial (SQN) do Brasil. Vão fazer de tudo para derruba-lo pois vai ganhar no primeiro turno

  2. A diferença é que, com Lula e Dilma, as promessas foram “excelentes”, e assaltaram os cofres da Nação. O Bolsonaro, na época falava em golpe, justamente para melhorar depois. Na atual situação, voto nele, sem medo.Já para os outros, são lobos(as) em pele de cordeiro.De alguma forma já participaram e apoiaram os usurpadores. Mesmo que o Bolsonaro ganhe, quem tem um mínimo de cérebro, sabe que as mudanças não acontecem da noite para o dia e teremos muitos chorões e vingativos soltos nas ruas.É o preço a pagar.

  3. Essa matéria é realmente muito relevante. Meu voto não mudo, Bolsonaro 2018, vencendo no 1º turno.
    Podem espernear os antibolsonaristas. Matéria de vinte anos atrás. Não tem o que falar ficam a todo custo buscando algo para difamar o Mito, vide a rede esgoto.

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