Tirrim, tirrim, alguém ligou pra mim!

Histórias de Quartel
Tirrim, tirrim, alguém ligou pra mim!

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Ruben Barcellos

Meu amigo tava no expediente e foi avisado, na sargenteação, que a ligação era pra ele. O soldado ainda avisou:
– Voz de mulher, sargento!
Ele atendeu. A galera na volta, só cuidando.
– Pois não, é o Rodrigues.
E do outro lado:
– Oi Rodrigues, eu moro quase na frente do quartel e tenho te visto passar por aqui…
E o meu amigo:
– Ah é?…em que posso ajudar?
Ela – Não preciso de ajuda, preciso só que olhes pra mim…
Ele, sentando – Me diz mais precisamente onde moras…
Ela, enternecendo mais a voz – Ah, tem uma casa verde na frente do quartel; depois uma com grade na frente; e no lado, uma com duas janelas e um balanço de pneu. É ali.
Ele, cruzando a perna e se sentindo – Ah, sim…gosto de balanço de pneu, gosto de balançar de qualquer jeito…
Ela, depois de um risinho abafado – tu tem me balançado nos últimos dias; adorei tua moto vermelha…
Ele, já ouvindo a música ” ah, se eu te pego” – tá às ordens (se referindo à moto)…
Ela, mudando o tom de voz e fazendo o meu amigo voltar da lua: – Tu não tá reconhecendo a minha voz, sargento Carlos Augusto Rodrigues?
Ele, reconhecendo a voz da sua mulher – É claro, meu amor, só te dando corda!
Ela, achando que já sabia o bastante pra fazer da vida do Rodrigues um inferno:
– Quando tu chegar em casa a gente conversa mais!
E deu o tiro de misericórdia:
– Então tu gosta de balanço de pneu? Hoje tu vai balançar com vontade!
Meu amigo Rodrigues liga pra casa 10 minutos depois:
– Bah, tu não vai acreditá, fui boleado de serviço AGORA.
Do outro lado alguém desligou sem responder nem desejar “bom serviço”!
É como dizia minha vó: enquanto o relho sobe e desce, as costas folgam.

Uma resposta

  1. Eita! Pegou, tchê. Na minha época de novinho algumas "auxiliares" ou "colaboradoras do lar" como chamam hoje, descobriam o nosso telefone e ficavam armando encontros. Como tinha colega que não dispensava nem assombração, marcava encontro na cidade, dizia que ia com uma roupa e vestia outra. Ficava de longe pra ver a "paisagem" da mulher. Geralmente era só canhão. Hoje, elas querem só armar para ganhar pensão. Já vão grávidas para o encontro. Se o cara é casado, então, vira refém. Todo cuidado é pouco.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *