Brasileiro que lutava na Ucrânia mørrε em ataque de drone no dia do aniversário

Tiago Rodrigues Marques, brasileiro morto na Ucrânia

Tiago Rodrigues Marques, de 41 anos, morreu durante um ataque na região de Donbas. Família tenta recuperar o corpo e levá-lo ao Brasil.

Tiago Rodrigues Marques, de 41 anos, morreu durante um ataque de drone na Ucrânia. Segundo a família, o brasileiro atuava como soldado na região de Donbas.

O gaúcho recebeu o ataque justamente no dia do aniversário. Além disso, a família só recebeu a confirmação da morte dois dias depois.

Família tenta recuperar o corpo

Tiago morava em Gravataí, no Rio Grande do Sul, e viajou novamente para a Ucrânia em março deste ano. Antes disso, ele já havia combatido no país.

Segundo a esposa, Marili Rodrigues, combatentes brasileiros que atuavam com Tiago comunicaram a morte na quarta-feira (26). Eles relataram que o ataque ocorreu em 24 de agosto.

O brasileiro deixa a esposa, uma filha de 5 anos e duas enteadas, de 10 e 17 anos.

Marili contou que recebeu uma mensagem de Tiago durante o ataque. Depois disso, ele deixou de responder ao celular.

“Era 4h30 da manhã quando ele me avisou que estava sob ataque. Disse que procuraria um lugar seguro e daria notícias. Nunca mais respondeu.”

Posteriormente, um colega comunicou à família que Tiago havia morrido.

Brasileiro buscava dinheiro para tratamento da filha

Tiago retornou à Ucrânia motivado, segundo a esposa, pela necessidade de aumentar a renda da família. O casal enfrenta dificuldades para custear o tratamento da filha de 5 anos.

A menina tem transtorno do espectro autista e precisa de acompanhamento especializado. Por isso, Tiago decidiu voltar ao país em busca de melhores condições financeiras.

Marili afirma que o brasileiro recebeu uma promessa de remuneração equivalente a R$ 50 mil. No entanto, o valor correspondia a 50 mil hryvnias, moeda oficial da Ucrânia.

Além disso, os militares receberiam valores adicionais conforme as missões. Segundo a família, um dos bônus poderia chegar a 70 mil hryvnias.

Entretanto, Tiago morreu antes de receber um pagamento que, segundo Marili, deveria entrar na conta naquela semana.

“Era uma conta da Ucrânia que agora a gente não tem acesso. Mas isso não é o que preocupa. Estamos preocupados em conseguir buscar o corpo.”

Ataque ocorreu próximo de uma área considerada segura

De acordo com a família, os combatentes não conseguiram recuperar o corpo de Tiago após o ataque.

O local ficava aproximadamente nove quilômetros de uma área considerada segura pelos militares. Entretanto, os riscos impediram a retirada imediata.

Marili afirma que os colegas permanecem escondidos em um bunker enquanto aguardam condições para chegar ao local.

“Ele ainda disse para a gente correr enquanto ainda existe um corpo”, relatou a esposa.

Diante da situação, Marili encaminhou um ofício ao Ministério das Relações Exteriores. Ela pediu informações oficiais e apoio para recuperar o corpo.

O pedido envolve a atuação do consulado brasileiro na Ucrânia. Além disso, a família busca orientação para realizar o traslado ao Brasil.

Tiago já havia combatido na Ucrânia

Esta não foi a primeira passagem de Tiago pelo conflito entre Ucrânia e Rússia. Segundo Marili, ele permaneceu aproximadamente 11 meses no país entre 2024 e 2025.

Na ocasião, o brasileiro integrou uma legião internacional. Agora, entretanto, ele teria sido recrutado diretamente pelo Exército Ucraniano.

A família afirma que Tiago acreditava que teria mais garantias nesta segunda passagem. Mesmo assim, Marili tentou convencê-lo a desistir.

Ela temia principalmente os riscos durante uma fase importante do tratamento da filha.

“A gente pediu muito que ele não fosse. Ela estava no auge do tratamento, no período mais difícil.”

Segundo Marili, Tiago decidiu viajar sem comunicar a família. Ele saiu de casa normalmente e embarcou escondido.

“Pegou o voo e foi. Ele sabia que não aceitaríamos que fosse”, afirmou.

Filha mandou vídeo de aniversário

A morte ocorreu justamente no aniversário de Tiago. Naquele dia, a filha enviou um vídeo parabenizando o pai.

Entretanto, ela não recebeu nenhuma resposta. Depois, a menina perguntou à mãe por que o pai não havia visto a mensagem.

Marili decidiu preservar a filha e evitar uma revelação imediata sobre a morte.

“Ela disse: ‘Mãe, o pai não responde se gostou do meu vídeo’. Tentamos contornar a situação.”

A família pediu a um colega de Tiago que enviasse um áudio. Assim, o combatente poderia dizer que estava em uma missão prolongada.

A estratégia buscou proteger a criança enquanto a família tentava confirmar as informações.

Itamaraty alerta brasileiros sobre riscos na Ucrânia

O Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil em Kiev permanece disponível para prestar assistência consular.

Entretanto, o Itamaraty explicou que a atuação consular segue regras específicas. O órgão também destacou a proteção de informações pessoais dos cidadãos atendidos.

Além disso, o ministério ressaltou as particularidades envolvendo brasileiros que integram forças armadas de outros países.

O governo brasileiro afirma que alerta sobre os riscos na Ucrânia desde maio de 2025. Naquele período, publicou orientação contra viagens às regiões próximas das frentes de combate.

Em julho do mesmo ano, o Itamaraty publicou novo alerta. O documento recomendou que brasileiros recusassem ofertas de trabalho e convites para integrar exércitos estrangeiros.

O Ministério das Relações Exteriores também mantém orientações específicas para brasileiros que estejam na Ucrânia.

Saiba mais: Orientações do Portal Consular do Itamaraty

Leia também no Montedo.com.br: Mais notícias sobre conflitos e defesa

O que é a região de Donbas

Donbas fica no leste da Ucrânia e reúne, principalmente, as regiões de Donetsk e Luhansk. A área possui importância econômica, militar e estratégica.

Desde 2014, Donbas concentra confrontos entre forças ucranianas e grupos apoiados pela Rússia. A região ganhou ainda mais importância após a invasão russa em fevereiro de 2022.

Atualmente, Donbas permanece entre as principais áreas de combate da guerra. Por isso, ataques com drones e outros armamentos ocorrem com frequência.

A situação torna especialmente perigosa a atuação de combatentes estrangeiros na região.

Família busca apoio para trazer o corpo ao Brasil

Agora, a prioridade de Marili consiste em recuperar o corpo de Tiago. A família também busca apoio para realizar o traslado ao Brasil.

Enquanto isso, os familiares aguardam informações oficiais das autoridades brasileiras. Além disso, precisam esclarecer questões relacionadas ao pagamento devido ao combatente.

Para a esposa, porém, a principal preocupação permanece a mesma: conseguir trazer Tiago de volta para casa.

O caso também reforça os alertas do governo brasileiro sobre os riscos enfrentados por cidadãos que viajam para zonas de guerra.

Fonte: informações da família e posicionamento do Ministério das Relações Exteriores.

Respostas de 2

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *