À PF, militares que ficaram em silêncio querem fazer ‘confronto de versões’ com ex-comandantes

O ex-comandante da Marinha Almirante Almir Garnier Santos, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio durante desfile do 7 de Setembro em 2022 — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ex-comandante da Marinha deve pedir novo interrogatório

Bela Megale
Militares investigados no inquérito do golpe e que, até agora, mantiveram silêncio, pretendem fazer um “confronto do versões” em relação aos depoimentos dos ex-comandantes Freire Gomes (Exército) e Carlos de Almeida Baptista Junior (Aeronáutica).

Um dos alvos que sinalizaram a aliados que seguirá esse caminho é o ex-chefe da Marinha, Almir Garnier Santos. Segundo os relatos de Freire Gomes e Baptista Junior, ele foi o único comandante das Forças Armadas que concordou com o golpe proposto por Jair Bolsonaro e disse que “colocaria suas tropas à disposição”. Garnier ficou em silêncio nos interrogatórios simultâneos feitos pela Polícia Federal, no mês passado. Ele deve pedir para sua defesa marcar um novo interrogatório, a fim de apresentar sua versão.

A pessoas próximas, Garnier tem refutado que teria visto a minuta golpista na reunião que teve com Jair Bolsonaro e Freire Gomes. O ex-comandante do Exército, no entanto, relatou à PF, que o assessor especial da Presidência Filipe Martins chegou a ler um texto que teria os “fundamentos jurídicos” da minuta de golpe.

O general disse que Bolsonaro apresentou, em outro encontro, uma versão do documento com a “Decretação do Estado de Defesa” e a criação da “Comissão de Regularidade Eleitoral”, com o objetivo de “apurar a conformidade e legalidade do processo eleitoral”. Segundo Freire Gomes, Garnier e o então ministro da Defesa o general, Paulo Sérgio Nogueira, estavam presentes.

Nogueira é outro investigado que sinalizou a aliados a intenção de pedir um novo interrogatório à PF para confrontar as versões apresentadas até o momento. Ele manteve silêncio na primeira intimação da PF.

Tanto Freire Gomes quanto Baptista Junior detalharam, em seus depoimentos, que o ex-ministro da Defesa conduziu uma reunião na sede da pasta, em 14 de dezembro de 2022, sem Bolsonaro. No encontro, Nogueira teria apresentado aos presentes uma minuta de decreto de golpe.

O chefe da Aeronáutica relatou que, na reunião, Nogueira disse que teria uma minuta e que gostaria de mostrá-la. Baptista Junior, então, questionou: “Esse documento prevê a não assunção do cargo pelo novo presidente eleito?”. Segundo o brigadeiro, o ministro da Defesa ficou calado e ele e Freire Gomes não concordaram em analisar o conteúdo da minuta.

Investigadores relataram à coluna que, se os pedidos de novos depoimentos forem feitos pelos alvos, serão analisados, mas alegam que hoje não há interesse, pois eles já tiveram a oportunidade de falar.
O GLOBO

3 respostas

  1. Dos que lá estavam, o mais mentiroso de todos. Agora, diante da lei gostaria de vê-lo dizer e confirmar que conspirou no golpe frustrado. Essa é a figura grotesca daquele medroso que não honra nada.

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