A serviço do crime

Regra atual prevê um limite de 60 armas para atiradores desportivos

Recorde no desvio de armas legais é efeito nefasto do armamentismo de Bolsonaro

Editorial
O incremento do poder de fogo dos criminosos é o efeito mais perverso para a população da política armamentista implementada pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).

De janeiro a outubro deste ano, 1.259 armas de CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores) foram roubadas, furtadas ou extraviadas, o que representa média mensal de 125,9 —recorde na série histórica desde 2010, de acordo com dados do sistema do Exército obtidos pelo jornal O Globo.

Mudanças normativas promovidas a partir de 2019 beneficiaram os CACs, antes uma categoria pouco expressiva. Em 2018, de cerca de 1,3 milhão de armas nas mãos de civis, 27% estavam com os CACs. Já no final de 2022, o grupo detinha 42,5% de quase 3 milhões.

Por óbvio esse não é o único elo entre armas e criminalidade. A falta de fiscalização efetiva, a precária inteligência investigativa, além do afrouxamento das regras sob Bolsonaro, contribuem para o cenário.

Mas a facilitação do acesso legal e a maior disponibilidade do produto no mercado abastecem infratores, seja por roubo, furto ou extravio, seja de forma intencional por revenda a criminosos.

São diversos os exemplos que expõem a linha tênue entre legalidade e ilegalidade nessa seara.

A Polícia Civil de São Paulo investiga suposto esquema orquestrado por facções criminosas para comprar armas com o uso de CACs como laranjas. Em Minas Gerais, o Exército liberou uma compra de fuzil para um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Estudo de 2022 revelou que 30% das armas usadas em ações delituosas no Espírito Santo tinham proprietários com registro no sistema da Policia Federal.

Para reverter o desvio de função desses dispositivos, é urgente fortalecer fiscalização e controle, hoje em parte sob processo —que precisa ser agilizado— de transferência do Exército para a Polícia Federal.

A investigação com inteligência, que pode ser mais robusta com unidades especializadas sobre o tema nas polícias civis estaduais, é fundamental para expor os caminhos que levam armas legais ao crime.

Ao governo federal cabe, inclusive, fortalecer a recompra de armas adquiridas de modo regulamentar, antes que elas sejam direcionadas para o mercado negro.

Os dados estatísticos oriundos da experiência prática mostram que o armamentismo não oferece segurança à população; ao contrário, fortalece criminosos.

FOLHA

7 respostas

  1. Narrativa que não sobrevive nem com uma avaliação dos próprios números apresentados pelo jornalista da Folha de São Paulo.

    Vejamos:

    1 – Em 2022: 3.000.000 (três milhões) de armas registradas;
    2 – De janeiro a outubro de 2023: 1.259 armas de CACs foram roubadas, furtadas ou extraviadas;
    3 – 1.259 ÷ 3.000.000 = 0,000419. logo, 0,042% do total de armas registrada foram roubadas, furtadas ou extraviadas;
    4 – Se levarmos em consideração só a quantidade de favelas existentes no Rio de Janeiro, cerca de 1.400, veremos que esse total irrisório de armas não contemplaria um bandido por favela; e
    5 – Se levarmos em consideração que tais armas tenham sido distribuídas por todo o território nacional, entre os 5.568 municípios brasileiros, daria uma média de 0,22 armas por município. Observem, por município, não por habitante ou por favela/quebrada.
    6 – Se considerarmos por baixo, mas bem modestamente, a existência média de 20 armas ilegais em cada município brasileiro, chegaremos ao teórico número de 111.360 armas ilegais, o que faria o número de 1.259 (armas furtadas, roubadas ou extraviadas dos CACs) representar apenas 1,13% do hipotético e modesto número de possíveis armas ilegais em circulação no Brasil.

    Alguém com lucidez então acharia que o aumento da criminalidade experimentado em 2023 teria como causa o acréscimo, em 2023, de 1,13% de armas no mercado negro?

    Resumindo, esse tipo de reportagem só “pega” os emocionados que não possuem nenhum senso de proporções sobre os números que estão expostos na própria reportagem.

    Jurandir

  2. Na Suíça toda família tem fuzil em casa, as taxas de criminalidade são ridículas.

    Mas quem está certo é a Banânia.

    Kkkkkkkkkkkkk

    É o país do futuro mesmo. Contando o tempo para vazar dessa M e não levar nem o pó do Bostil.

  3. “Recorde no desvio de armas legais é efeito nefasto do armamentismo de Bolsonaro
    O incremento do poder de fogo dos criminosos é o efeito mais perverso para a população da política armamentista implementada pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).”
    NO PERIODO NEFASTO HOUVE ALGUM FURT/ROUBO?
    Ou as coisas seguem pelo exemplo?
    Quando um ministro nefasto visitou morro sem segurança e com garantias?
    Um antigo adágio: NADA ACONTECE POR ACASO.
    cego não é quem não vê, mas o que não quer ver.

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