General responsabiliza militares por furto de armas em Barueri

Chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Sudeste, genral Maurício Vieira Gama - Paulo Pinto/Agência Brasil

Protocolos de segurança podem ser revistos, diz chefe do Estado-Maior do Sudeste Bruno Bocchini 

Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (1º), o chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Sudeste, Maurício Vieira Gama, responsabilizou parte dos militares que atuavam no Arsenal de São Paulo, em Barueri, no interior paulista, pelo furto de 21 armas do quartel. Dezenove militares foram presos como medida disciplinar.

“O fator responsável por esse episódio foram as pessoas que deixaram de fazer o que deveriam fazer. Isso está muito bem diagnosticado. Essas pessoas foram sancionadas disciplinarmente e podem também estar criminalmente envolvidas. E aí o inquérito criminal militar é que vai chegar a essa conclusão”, disse o general.

Maurício Vieira Gama defendeu o sistema de segurança aplicado pelo Exército na guarda das armas, mas reconheceu que os protocolos poderão ser revistos. “O processo [de segurança], desde o dia em que houve esse episódio, está sendo revisto, as pessoas estão sendo responsabilizadas, processos aperfeiçoados, mas todo nosso processo, em qualquer quartel, ele é muito eficiente. Tem câmeras, alarmes, toda sistemática para segurança do armamento.”

O general reforçou que o Exército já sabia, desde quando foi constatado o furto das armas, que a ação tinha contado com a participação de militares. “Quando descobrimos que esse armamento foi subtraído, já sabíamos que tinha participação do pessoal do quartel.”

“Não foi uma ação externa, de fora para dentro. Foram pessoas nossas que colaboraram para essa subtração. Agora, os processos dependem de pessoas, por isso, existe a responsabilização daqueles que negligenciaram na execução no processo de controle e fiscalização do armamento”, acrescentou. Até o momento, não há nenhum militar preso criminalmente.

O Exército e a Polícia Civil do Rio recuperaram, na madrugada de hoje, mais duas armas que haviam sido furtadas do Arsenal de Guerra de São Paulo. Até agora, foram recuperadas 19 das 21 armas subtraídas do quartel.

Em nota, o Comando Militar do Sudeste disse que “o Exército considera o episódio inaceitável e seguirá realizando todos os esforços necessários para a recuperação de todo o armamento no mais curto prazo e a responsabilização de todos os autores”.

O Exército e a Polícia Militar realizaram, na manhã de hoje, mandados de busca e apreensão em quatro endereços no Jardim Galvão, no município de Guarulhos, na Grande São Paulo. Foram apreendidos equipamentos eletrônicos, como celulares, para auxiliar na investigação.

Agência Brasil

6 respostas

  1. Vitimas da sociedade são os 30 milhões de brasileiros aposentados que recebem salário mínimo, sem contar os que iniciam no mercado de trabalho com essa renda. Esses do crime, principalmente os chefes que movimentam bilhões, se aproveitam do judiciário e da politica, corrompidos, com penas leves para justificarem seus delitos. Tempos difíceis gestados por gente fraca, jogando toda prosperidade alcançada na lama.

  2. É muito, muito estudo para chegar a esta conclusão sobre o furto: feito por militares e ninguém Adentrou a OM para roubar…

    A gama de procedimentos é enorme, só não tinha plano de defesa. Sim, quando faltou luz, o plano deveria ser acionado. Estão brincando de Soldado.

  3. A fala desse general me fez lembrar um antigo comandante de subunidade. Certa vez afirmou que o “exército é a instituição mais perfeita”.

    Evidentemente não o retruquei na hora. Mas tenho certeza que estava se referindo à estrutura organizacional.

    Uma instituição é formada basicamente por estrutura organizacional e pessoas. Se as pessoas são falhas, se são imperfeitas, inegavelmente, a instituição nunca será perfeita.

    Pode pensar em qualquer sistema do EB e verá que não é perfeito porque justamente é manipulado pelas pessoas.

    Cito o SGD, por exemplo: infraestrutura tecnológica e metodológica perfeita, mas esse perfeccionismo vai embora quando o avaliador, uma pessoa, começa a usar o sistema.

    O “sistema de promoções” e seus absurdos, onde militares excepcionais em termos de aspectos eminentemente militares (operacionais) e administrativos são preteridos em prol de bajuladores, áulicos e “golpistas” (obesos que sempre tiram “E” no TAF, péssimos atiradores que sempre tiram o “E” no TAT e por aí).

    O “sistema de seleção” para o serviço militar inicial e suas falhas. Lembro que numa certa oM incorporou-se um recruta que possuía 6 dedos em cada mão. E, quem já trabalhou em CS ou seleção complementar, sabe que um dos exames do médico é juatamente observar as possíveis má formações dos membros superiores e inferiores dos conscritos.

    Um outro que incorporou, em época diferente, era gago, mas muito gago mesmo. E se ficasse estressado, “pressionado”, “colava as placas”, travava a fala e ficava mudo.

    Portanto, os processos podem até serem perfeitos, mas de forma estática. Quando passam a serem utilizados pelas pessoas, mostram todo o seu potencial de falhas.

    Em suma: desculpem-me quem não quer enxergar o óbvio, mas a Instituição não é perfeita!

    1. Isso é uma cultura e a maioria acaba por praticar; levar caneta para casa, furtar pó de café, furtar carga de caminhões tombados, jogar lixo nas ruas, córregos e terrenos baldios, etc… enfim, é um comportamento quase generalizado em empresas privadas e publicas. Se há laranja madura, na beira da estrada é porque está bichada ou tem marimbondo no pé.

      Por outro lado, as elites legislativas, eleitas para representar o povo, ficam pedindo abaixo assinados, participação popular em enquetes, como se não representassem o povo. Oras, a maioria das pessoas trabalham desde cedo até altas horas para chegar em suas casas e ainda têm que assinar essas petições para o legislativo agir?

  4. Lembro dos anos 80 e 90, quando vivia-se tempos de prazer nas atividades da caserna. Não sei se era porque eu vibrava com a farda, ou porque o EB me enchia de orgulho, onde eu cumpria minhas missões com muita disposição, vigor físico e credibilidade na força. Hoje, sinto, que tudo se foi. Só resta tudo isso que estamos vendo e mais um pouco. Muito amadorismo, desânimo e militares desvirtuando de sua verdadeira função.

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