Os militares e a política

General Tomás e demais comandantes em cerimônia do Dia do Exército: continência ao presidente Lula Ricardo Stuckert/ Presidência da República

Comandante do Exército diz que militar que quiser fazer política deve deixar a farda, o que deveria ser óbvio

Editorial de O Estado de São Paulo
O bolsonarismo submeteu as Forças Armadas a seu maior teste de estresse desde a redemocratização do País. Na Presidência da República, e como comandante supremo, Jair Bolsonaro tudo fez para envolver os militares em seus planos liberticidas – inúmeras vezes, por exemplo, referiu-se ao Exército como “meu Exército”. Mas as eleições vieram, Bolsonaro foi derrotado, houve uma tentativa frustrada de golpe por parte de bolsonaristas e não se tem conhecimento de qualquer plano nos quartéis para promover uma ruptura institucional, donde se conclui que, mesmo na confusão, permaneceu intacto o respeito do Comando das Forças Armadas pela normalidade democrática.

Ainda assim, há muito a ser feito para desassociar os militares do bolsonarismo. Nesse sentido, é notável o esforço, em particular, do comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva. Em recente entrevista ao jornal Valor, o general Tomás declarou que militares que querem disputar eleições devem deixar a farda: “Se um militar quer ser político, que mude de profissão”.

Ora, a essência do bolsonarismo era confundir militares com a política, a ponto de mandar às favas o mandamento da disciplina e da hierarquia em nome de interesses eleitorais – como aconteceu com o general Eduardo Pazuello no infame comício bolsonarista de que participou mesmo sendo militar da ativa, à revelia do ordenamento castrense. O objetivo de Bolsonaro era, na prática, apropriar-se das Forças Armadas como se fossem sua guarda pretoriana.

O general Tomás também enfatizou quão estapafúrdia é a tentativa de atribuir às Forças Armadas um poder que elas não têm, qual seja, o de “arbitrar” crises entre os Poderes da República. Muito se falou sobre isso ao longo do governo de Jair Bolsonaro. A tese está baseada em uma interpretação sediciosa do artigo 142 da Constituição. “O texto (constitucional) está bem escrito”, disse o general. “Quem interpreta a Constituição no Brasil é o Supremo Tribunal Federal. Esse papel (das Forças Armadas) está bem definido.”

Em qualquer país democrático, falas como essas do general Tomás deveriam ser ociosas. O registro se impõe, no entanto, quando se observa o histórico de turbulências políticas havidas no Brasil na última década, sobretudo nos últimos quatro anos, que culminaram na eleição de um “mau militar” para a Presidência, em 2018, e no infame 8 de Janeiro.

Pouco antes de ser nomeado pelo presidente Lula da Silva, convém lembrar, o general Tomás fez um discurso no qual defendeu em termos enfáticos a Constituição e o regime democrático, em particular a supremacia da vontade popular e a alternância pacífica de poder. A rigor, o que o general Tomás disse naquela ocasião, à luz da Lei Maior, não foi mais do que a reafirmação de algumas obviedades. Mas, nestes tempos tão esquisitos, algumas obviedades precisam mesmo ser ditas.

Na atual quadra histórica, é reconfortante saber que no comando do Exército está um general comprometido com as liberdades democráticas. Mas, evidentemente, é preciso enfatizar que esse compromisso não pode depender dos humores do comandante de turno. Afinal, o cumprimento da Constituição não é uma escolha pessoal.
ESTADÃO/montedo.com

25 respostas

  1. Mais um ano sem reajuste no soldo para os miitares, até o momento é só para os civis, estou sendo prejudico duas vezes, na reestruturação e agora sem os 9%.

  2. Esse texto fala muito sobre o EB: o óbvio precisa ser dito e reforçado. Fazer o certo no EB também precisa ser dito e reforçado até porque quem deveria dá o exemplo e arrastar a tropa não o faz. Faz promessas mesquinhas e demagógicas, prejudicou a tropa e não tem nenhum sentimento de reforma para melhorar a estrutura do EB.

    O óbvio precisa ser dito e reforçado.
    em 21 anos a praça
    2 anos de aluno;
    10 anos 3°sgt e
    9 anos de 2° sgt

    1. 21 Anos Com apenas 2 promoções:
      – 3°sgt e 2° sgt.
      Em 21 Anos de Serviço:
      – Asp, 2° Ten, 1°Ten, Cap e Major (cinco).
      Isso é uma covardia, descaso, abandono e indiferença.
      Por isso repito:
      – esses novos “Interstícios” foi a pá de cal no “rastejo” dos graduados.
      Mais prejudicial que a Reestruturação:
      – Sim, permanecerá anos com apenas 12% de Adicional de Formação.
      – porém, A Lei 13.954/19 fará que a partir de 1° Sgt Alcance melhores índices doutros adicionais
      Através de cursos e outros méritos.
      Tá feia a coisa para os 3° e 2°Sargentos de carreira.
      E, dependendo da OM, poderá, após 10 anos como 3°Sgt, continuar na Escala de Comandante da Guarda.
      Complicado.

  3. Ora..ora General…
    Vá se preocupar com sua tropa…com as famílias de seus subordinados!!!
    Todos já entenderam que a sua defesa está em minar qualquer tentativa do “baixo clero” em ter representatividade no legislativo já que os oficiais generais à muito não nos representam!!
    Faça o favor de correr atrás, sim, é do reajuste em nossos Soldos!!!

    9% já!!

  4. Por causa de alguns Oficiais Generais frouxos, egoistas, soberbos e gananciosos, Seremos mais uma vez prejudicados e ficaremos sem reajustes dos soldos.
    Tenho ate vergonha de ser militar e de fazer parte dessa instituição desmoralizada e sem credibilidade perante a população brasilei3.

  5. Todos concordamos.

    Mas pergunto se ele, como integrante do ACE, falou isso para o Pazuello, quando este fazia politica com o Parmito sendo ainda militar da ativa?

    Ou essa “orientação” só vale agora?

    O grande problema do EB é a sua falta de coerência. Mudam o tempo todo. Parece até o STF que a cada sessão volta atrás no entendimento já pacificado em passado recente.

  6. As FA são tão “de Estado” que, hipoteticamente, caso o Parmito fosse eleito futuramente dariam mais um giro de 180° e passariam a “desdizer” tudo aquilo que estão dizendo.

  7. Sou completamente realizado.
    Tenho o salário que eu desejava e o presidente que ajudei a eleger. Sou Lula até o fim, apoiando meu Presidente em tudo o que ele fizer, pois sei que ele trabalha pelo bem do país.

    1. Kkkk
      Vc é massa de manobra ou está aqui infiltrado!
      Lula é um mentiroso…nunca nos valorizou…essa é a verdade! A grande massa de militares é formada por pessoas simples…”trabalhadores fardados” ou “Chão De Fábrica” como já se referiram a nós, mas Lula sempre nos desprezou…essa é a verdade, por isso, continuamos firmes em defesa de Bolsonaro Apesar Das @#% que fez na reestruturação!!
      Se Lula se preocupasse o mínimo com os ST/SO/Sgt/CB e Sd anunciaria no almoço com os Estrelados do EB amanhã os 9% de reajuste nos soldos….

    2. Boa tarde, digo pra o senhor se votou de acordo com sua consciência, parabéns, cada qual com sua ideologia política e devemos conviver de forma pacífica com as diferenças. Não ligue para o que os outros digam. Passar bem.

  8. Os desmandos do capitão desajustado e seus asseclas causaram prejuízos enormes para As FFAA. Perda de credibilidade da instituição, escárnio da população com aqueles que Não tiveram participação nesse governo e desvalorização salarial para a tropa.

  9. Existe uma lei que se chama a lei do retorno e não eu que defino isso,sim o tempo. Pois agora o tempo vai mostrar ao povo como agiram e quem Agiu , Querendo se Perpetuar no poder? Seria o Lula ou o Bolsonaro? tentou dar um golpe era quem vinha pregando que a esquerda queria dar um golpe? Ou foi a direita querendo fazer o que vinham imputando a esquerda? Mas a CPI do dia 8/1. De janeiro vai desmascarar desde do começo e até os financiadores e talvez cabe a responsabilidade de alguns envolvidos dos altos coturnos militares. Mas o tempo vai mostrar a Verdadeira face, quando começar cair as máscaras e não adianta quererem passar pano no ex presidente Jair Messias Bolsonaro. Como a maioria diz aqui se faz aqui se paga. O tempo é o senhor absoluto da razão.

  10. perfeita a posição do Comandante. Milico bom é aquele afastado da politicagem. Verificamos que a maioria dos que se envolveram, detonaram com a credibilidade das FA. Ou isso ou aquilo.

  11. Aprovem o plano de Reserva voluntária. Camarada sai do jeito que está. Leva sua graduação atual. Vantagens economia para as forças, gasto de pessoal reduzido, readequação das OM, Funcionamento eficiente. Forças Armadas atualmemte não estão mais sendo protagonistas de sua missão e papel constitucional. Quem quiser ir pra política vai, quem quiser ir pra iniciativa privada vai. Paga a pecuniária referente ao posto e graduação.

  12. Isso! Se aumentar o soldo os mortos da Covid ressuscitarão, acabará a Guerra na Ucrânia, o tempo de serviço voltará a ser de 30 anos com duas Licenças Especiais, os patriotas serão soltos, Lula será preso, acaba o desemprego no País e o desmatamento na Amazônia…

  13. A Imagem Dos Nossos Generais Prestando Continência Ao Presidente Lula É Algo Que Só Nos Enche De Orgulho. São Homens Líderes Destacados De Suas Turmas No Plano Intelectual, Moral E Cívico. Por Outro Lado, A Única Coisa Boa Que O Bozo Conseguiu Fazer No Péssimo Governo Dele, Foi Entregar A Reestruturação Da Carreira Dos Militares Nas Mãos Desses Nossos Valorosos Generais E Eles Abraçaram A Missão Com Toda Dedicação, Seguindo Com Sacrossanto Sentimento De Amor À Pátria, Orientados Pela Subordinação Incondicional, Os Valiosos Preceitos E Valores Republicanos. Não Decepcionaram Ao Privilegiarem A Meritocracia Que Veio Para Ficar E Já É O Marco Que Baliza A Conduta Da Nossa Jovem Oficialidade E Do Nosso Valoroso Corpo De Graduados, Todos Trabalhando Com Dedicação Máxima, Porque No Decorrer De Suas Carreiras Sabem Que Serão Reconhecidos. O Nosso Presidente Lula, Muito Sabiamente, Vai Esperar Que As Justas Melhorias Financeiras Decorrentes Da Reestruturação, Se Completem Em Julho, Para Anunciar Um Belo Reajuste De 9% No Soldo De Todos Nós, Militares Dessa Nova Era De Justiça E Felicidade.

  14. “Em recente entrevista ao jornal Valor, o general Tomás declarou que militares que querem disputar eleições devem deixar a farda: “Se um militar quer ser político, que mude de profissão”.

    Então, sr Tomás, o entreguista: O sr convidando Lula para almoço, não está fazendo política? Nomeando um general para interagir com parlamentares no Congresso, não está fazendo política? Quando o Sr. vazava as informações das reuniões do Alto Comando para Alexandre de Moraes, o Sr. não estava fazendo política? E quando o Sr. levanta a bandeira do tal Exército apolítico, o Sr. não está também fazendo política?

    Quanta lorota.

    É muito fácil para esses generais se esconderem atrás desse discurso de apoliticidade, porque com isso não são cobrados de nada e mamam nas tetas dos cofres públicos bem tranquilos. A consequência: Praças fazendo política com PSOL, Oficiais subalternos e intermediários fazendo política também e etc. Tudo isso consequência do vazio de poder gerado pela omissão daqueles que tem o dever de fazer a política em prol da classe e da defesa do estado Brasileiro.

    A pergunta que fica: Como é que as FFAA vão conseguir aumentos de salários, recursos para melhores equipamentos e etc se elas não agirem politicamente?

    Em tempo: As FFAA alemãs do III Reich também só cumpriram ordens.

    Mas o General Tomás vai passar, essa leva de complexados do regime militar vai passar também. Novas gerações virão e as novas gerações estão vendo muito.

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