Exército gastou quase R$ 400 mil durante atos golpistas no QG de Brasília

Soldado ajuda a desmontar o acampamento de manifestantes em frente ao QG do Exército - MAURO PIMENTEL-AFP

Acampamento bolsonarista obrigou Exército a colocar 200 militares em prontidão. Força teve que ampliar patrulhamento, o que gerou alto custo

Alan Rios
Além de peça-chave para a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro, o acampamento de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, trouxe prejuízos financeiros aos cofres da União. O Comando Militar do Planalto precisou colocar 200 homens a mais em prontidão e realizar patrulhamentos na área do QG para controlar o ato, o que gerou um custo adicional de quase R$ 400 mil.

Os manifestantes começaram a ocupar a área do Setor Militar Urbano em 31 de outubro, um dia após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter sido escolhido presidente da República pela maior parte da população. A partir daquela data, os radicais foram ampliando o acampamento com ajuda de financiadores e apoiados por discursos de políticos aliados ao candidato derrotado nas urnas. Foram 70 dias de ato, com custos acima de R$ 5 mil por dia ao Exército.

Os valores são referentes às ações operacionais e logísticas para a segurança da área do SMU, da Praça dos Cristais e do perímetro do QG. Durante os mais de dois meses de manifestações pró-golpe, a Força precisou manter a tropa diariamente aquartelada, em condições de ser acionada em caso de necessidade. O custo exato foi de R$ 376.043,64.

Mesmo com a grande mobilização de segurança, o ato bolsonarista foi marcado por um clima hostil e criminoso. No relatório elaborado pelo interventor federal na Segurança Pública do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, após a tentativa de golpe, há, em média, registros de uma ocorrência criminal por dia na área.

Foram 73 ocorrências criminais durante a manifestação no Setor Militar. O QG foi palco de crimes contra a honra, de furtos e de agressões, principalmente. Nas datas mais próximas à posse de Lula, bolsonaristas passaram a caçar infiltrados no acampamento e agredi-los.

Além desses casos diários, o ato final da manifestação — a tentativa de golpe — fez com que a Polícia Federal prendesse em flagrante 2.151 pessoas. Ainda permanecem encarceradas 522. Desse total, 440 são homens; e 82, mulheres.

Desmobilização
Em 29 de dezembro, uma operação de desmobilização do comércio ilegal do acampamento acabou sendo cancelada por conta da agressividade dos bolsonaristas. O próprio Exército admitiu que precisou interromper o trabalho de fiscalização porque “os manifestantes passaram a hostilizar os agentes do DF legal”.

“A decisão de cancelar a operação levou em consideração a avaliação de risco com a quantidade de idosos e mulheres, podendo gerar consequências graves para a integridade das pessoas que haviam na praça. Avaliou-se que um movimento violento naquele dia não seria adequado”, respondeu o Comando Militar do Planalto, em documento.

Outra denúncia grave vinda do QG ocorreu logo após a invasão às sedes dos Três Poderes. O ministro Alexandre de Moraes havia determinado a desmobilização do ato já na noite do dia 8, mas blindados do Exército impediram a entrada de policiais na área militar, como o Metrópoles flagrou.

O que diz o Exército
O Comando Militar do Planalto afirma que “em nenhum momento houve obstrução ao cumprimento da ordem judicial”. Segundo o CMP, o que houve foi um acordo entre o Comandante do Exército, o Ministro-Chefe da Casa Civil, o Ministro da Defesa, o Ministro da Justiça e Segurança Pública e o Comandante Militar do Planalto, para que a desmobilização ocorresse apenas na manhã de 9 de janeiro, quando os “órgãos de Segurança e Ordem Pública teriam melhores condições”.

Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do DF que investiga os atos antidemocráticos em Brasília, Fernando de Sousa Oliveira, ex-secretário-executivo da Segurança Pública da capital, afirmou que não foi permitida a prisão dos criminosos que estavam no QG. “No momento, já estava em intervenção [da segurança pública], mas havia uma linha de blindados, dezenas de militares. A PM ficou de fora”, declarou.

METRÓPOLES/montedo.com

 

8 respostas

  1. Pensei que tinha sido com ” Hora extra “. A verdade é só uma ” familia militar “. Acabou! Não tem mais jeito. Os altos coturnos gostam da bajulação. Milhares de pessoas na frente dos quartéis, gritando palavras de ordem, canções vibrantes, ou seja, tudo que os fazem ” gozar ” de prazer. Nós militares sabemos nossa verdadeira realidade! As mentiras que vivemos e enfrentamos. As perseguições, ordens absurdas, corrupções diárias que temos que nos calar, se fingir de cego no popular. Bolsonaro me enganou! Confesso. Mas agora é tarde, estamos entregues as baratas, ao relento, um barco a deriva, e o único barco próximo tem como cmt um ladrão. Aí eu te pergunto: morrer afogado ou entrar no barco? Pq o outro, fugiu, está rico, bem de vida, vomitando suas asneiras em rede. Ele não fez nada por nós praças. Seu ego de Oficial acabou com a gente. Finalizo dizendo: Maldito praça aquele que confia em um Oficial.

  2. Todos aqueles que possuem um número mínimo de neurônios sabem que o Molusco é bandido e não deveria voltar à cena política, muito menos à Presidência. Mas Bolsonaro nunca teve perfil para se opor e fazer a diferença. Bolsonaro sempre foi “farinha do mesmo saco”. Mas acreditaram nele – mesmo depois das condutas dúbias no cargo – e agora as FA estão colhendo o que plantaram.

    Eis, senhores, o legado de Bolsonaro para as FA!!

  3. Que Bolsonaro foi o candidato derrotado nas urnas isso é inquestionável, apesar dos protestos indígenas, fato não explicado e calado pelo TSE, em lugares em que Bolsonaro obteve Zero votos com milhares de eleitores repercutindo a ausencia de seus votos naquelas urnas.. Mas é mentira fake news que Lula foi eleito pela maioria da população.

  4. Alguns espertos, malandro suíço, como se dizia antigamente, querem fazer crer que quem errou foi as FA…negativo! Quem errou foi alguns chefes por medo, foram covardes.

  5. Nao vou deixar de postar: Há muito tempo que tem que colocar uma Matéria chamada Política nos curriculos dos EE das FFAA pra que quando eleitos Não sejam Inaptos como foram agora e Estão sendo neste Episódio do aumento dos Servidores…

    1. Não tem que colocar no currículo militar política ,sim voltar aos tempos e Colocar aos estamentos superiores o currículo que falta. Educação moral e cívica. Pois a moral se perdeu já faz tempo desde do dia que começaram a apoiar o ex presidente Jair Messias Bolsonaro o falso Messias, Espalhador de fakes, ódio, que usa Deus em vão. Também no dia que Leiloaram a maioria da família militar dos estamentos inferiores em benefícios Próprios, do estamentos Superiores. O tempo é o senhor absoluto da razão.

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