Petista critica repressões internas das Forças Armadas e propõe fim da GLO

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“Não foram treinadas para enfrentar inimigo interno”, disse o deputado Carlos Zarattini

Ramiro Brites

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) é o autor de uma proposta para alterar o artigo 142 da Constituição, invocado por representantes de movimentos golpistas, contrários à derrota de Jair Bolsonaro nas eleições. O novo texto restringe os poderes das Forças Armadas em conflitos internos, põe fim às operações de Garantia da Lei e da Ordem e determina que militares em cargos políticos devem ser transferidos para a reserva.

“Essas operações, GLO, foram mais de 100 operações desde 1992 até 2022. São 30 anos, em que muitas vezes as Forças Armadas foram utilizadas em ações de repressão interna à criminalidade, houve casos também de repressão a movimentos grevistas, como foi em Volta Redonda”, argumentou Zarattini, em vídeo publicado nas redes sociais.

“A gente observou que as Forças Armadas não foram treinadas, não foram constituídas, para enfrentar um inimigo interno. Elas estão preparadas exatamente para atuar na defesa territorial do país, na defesa da soberania nacional. Não faz mais sentido você ter a utilização das Forças Armadas para Garantia da Lei e da Ordem interna, que também é uma questão que os golpistas utilizavam muito”, seguiu.

De acordo com a PEC, a redação do artigo 142 da Constituição, que dá a prerrogativa das Forças Armadas de “defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”, seria alterada.

“As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais, permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob o comando supremo do Presidente da República, e destinam-se a assegurar a independência e a soberania do país e a integridade do seu território”, diz o texto proposto pelo deputado.

A proposta pretende barrar impulsos golpistas e esclarecer pontos do artigo 142, que deram margem às interpretações mais diversas pelos apoiadores dos movimentos que se instalaram em frente aos quartéis generais após o segundo turno das eleições. Carlos Zarattini precisa da assinatura de 171 deputados para a PEC avançar. O esforço para adesão dos parlamentares deve ser intenso logo após o carnaval.

RADAR(veja)/montedo.com

5 respostas

  1. Observando de um ponto de vista isenta de paixões, o deputado não falou mentiras.

    Somos especialistas de ocasião. GLO, Operação Presídio, Intervenção Federal não nós pertence. passamos vergonha sem poder fazer nada – primeiro porque nossos Cmt não irão nos defender, segundo por não haver “retaguarda jurídica”. Logo essa mudança no ART 142 faz necessário.

    Feito a mudança podemos concentrar no que somos especialistas: reclamar.

  2. Perfeito!

    Porém, desde que não se lembrem das FA quando alguma PM estadual entrar em “greve” e ctiar o caos no respectivo Estado da Federação.

    não se lembrem das FA quando um Poder da República exorbitar dos seus limites e cercear ou subjugar os demais.

    E nunca, repito, nunca se lembrem das FA Quando necessitarem de uma grande quantidade de mão-de-obra para matar mosquito.

    Aprovando essa PEC, esqueçam as FA.

    Sendo assim, acho que a grande maioria dos militares vão estar do lado dessa nova “roupagem”.

    1. Assessoramento

      1. STF decidiu por proibir greve dos órgãos de segurança pública mesmo respeitando a lei de Greve

      2. Os poderes da república são harmônicos. Durante o regime democrático nunca houve ruptura institucional

      3. Matar mosquito em 2016 foi sacanagem, mas vivíamos uma epidemia de dengue na época. Também espero que não se repita Op covid-19 e semelhantes

      4. Quem não acha boa a mudança, nos termos citados pelo deputado, certamente só se preocupa com a imagem da força para a sociedade e não com o real emprego.

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