A parceria entre STF e Defesa para derrubar o braço direito de Bolsonaro

FAKE NEWS - Ministros do STF fizeram chegar recado de que nomeação de Mauro Cid não era bem-vinda André Borges/EFE; Mateus Bonomi/AGIF/AFP; Rosinei Coutinho/SCO/STF

Articulações tiveram pedido de acesso a investigações de bolsonarista e lembrança sobre episódio de fake news e urnas eletrônicas

Laryssa Borges

Na tarde de sexta-feira, 20, uma articulação política de última hora, idealizada por autoridades da cúpula do Poder Judiciário e do Ministério da Defesa, selou o destino do tenente-coronel Mauro Cid, antigo ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e braço direito do ex-capitão ao longo de quatro anos de governo. Indicado para assumir a chefia do Batalhão de Ações e Comandos de Goiânia, Cid estava pré-selecionado para o cargo desde maio passado, mas sua indicação era criticada por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que fizeram chegar ao governo as ressalvas que tinham em relação ao militar.

Pelo menos dois integrantes da Corte – Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes – lembraram a interlocutores que Cid era investigado no tribunal por ter produzido fake news quanto à segurança das urnas eletrônicas e por ter municiado o ex-presidente com dados usados na fatídica live em que o então chefe do Executivo colocou em xeque a confiabilidade do sistema eleitoral. Somado ao episódio, recordaram que Cid também era o responsável por fazer pagamentos ainda não completamente explicados para integrantes da família do ex-capitão, usando o cartão corporativo de Bolsonaro. Os dois casos, concluíram juízes do STF, deveriam bastar para que fosse abortada a indicação de um bolsonarista de proa para um posto estratégico a apenas 200 quilômetros de Brasília.

O recado para que algo fosse feito contra a indicação chegou às mãos do ministro da Defesa José Múcio Monteiro ainda na sexta. Conforme revelou VEJA, no mesmo dia, após reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os chefes das Forças Armadas, começou a circular na cúpula do Exército a informação de que a Polícia Federal, por ordem de Alexandre, poderia realizar uma operação contra Cid. Nas articulações entre integrantes do Judiciário e da Defesa para decidir o futuro do ex-auxiliar de Bolsonaro, um dos interlocutores de fato afirmou que o desgaste de tirá-lo do comando do Batalhão de Ações e Comandos agora seria infinitamente menor do que uma eventual busca e apreensão contra ele.

Para dar verniz jurídico ao cancelamento da indicação, foi aventada até a hipótese de Múcio encaminhar ao STF um ofício pedindo informações sobre a ficha corrida do tenente-coronel. A ideia era que Alexandre de Moraes, responsável por conduzir rumorosos inquéritos contra Bolsonaro e seus apoiadores, detalhasse as suspeitas que pairam contra Cid e compartilhasse com o Ministério da Defesa as descobertas. Apesar de o ministro não ter topado enviar ao Executivo as apurações envolvendo o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, a parceria entre Defesa e Supremo surtiu efeito. No dia seguinte, já com a decisão política de limar Mauro Cid, o comandante do Exército, Júlio César de Arruda, perdeu o cargo após bater o pé contra a demissão. Cid, como antecipou VEJA, foi demovido de assumir o posto em Goiânia.

veja/montedo.com

10 respostas

  1. Para derrubar um correligionário, queimar os bruxos, crucificar os infiéis, degolar o cristão e ou muçulmano com ares de legalidade, qualquer acusação serve: _Fumava erva podre, usava papel sublime com cheiro de pêssego, fazia chá de goiabeira para desarranjo intestinal? Chamem o carrasco e os degole!

  2. E depois desse Episódio, de interferência política imediata em questões Militares, como fica o discurso de afastar da caserna a política?

    O veto ao nome desse Ten Cel ao comando do BAC não foi por viés técnico, e sim por ideologia política. Como se defender dessa perseguição política sem pensar, Discursar e agir como um político?

    Aparentemente não podemos contar com o Poder Judiciário, eis que Alexandre de Moraes (o manda chuva) é um dos mentores dessa perseguição e qualquer movimento contrário de tribunais ou juízes inferiores será podado por Xandão na raiz…
    Se esse tipo de coisa acontece com pessoas que estão próximo a poderosos, imagine o que aconteceria com os mortais que pagam esse circo…

    Esse argumento de Fake News é pífio e nem existe previsão legal. Alguém querendo ser o dono da verdade é perigoso e não reflete liberdade. Sendo as nossas leis, os excessos de uma suposta liberdade podem gerar responsabilidade civil e penal. Acredito ser o bastante.

    Não se trata de defesa de A ou B, mas da falta de respeito às leis e à Constituição.

    1. Eu até entendo seu posicionamento.

      Mas alguns militares deixaram-se levar pela ideia do falso messias e caíram no lado errado da história. Não é a primeira vez que isso acontece.

      Prova da ESA tem história. Só lembrar da coluna prestes, tenentismo etc..

      1. E qual é o lado certo da história? A fome preparada pelo governante da hora ou a prosperidade para todos? E onde foi que vc viu coluna Prestes e Tenentismo no momento atual? Prossiga!

        1. Prosperidade de todos? Jogando sujo como o fugitivo jogou o tempo todo? Foi na gestão de Paulo Guedes que o preço da cesta básica foi às nuvens. Esse último também sumiu, imitando o padre fake, apoiador de meia tigela que ajudou a afundar o que se evadiu. Uma baixaria total.

  3. Essa é a verdadeira falsidade ideológica, a crença na engenharia social contra o fluxo da natureza que, mais cedo ou mais tarde se manifesta cobrando os abusos. Não é à toa que os arqueólogos tentam entender como algumas civilizações deixaram rastros monumentais tendo sido encontradas nas profundezas da terra ou cobertas por florestas.

  4. Verdadeiramente Bolsonaro o ” mau militar” é um líder. Conseguiu com o canto da sereia trazer para seu projeto de poder parte da liderança de instituições de mais alto prestígio na nação brasileira, tais como Igreja e FFAA. Esses líderes, infelizmente, entrarão pra história negativa de nossa frágil democracia.

  5. Esses são os mesmos que se dizem os democratas defensores do estado de direito. Uma pergunta: esse tipo de “Articulação” faz parte do dito estado Democrático de direito, ou seja, está de acordo com o ordenamento jurídico e respeito às instituições? Já que o TC não tinha Condições jurídicas de assumir o comando, Por que não se expediu uma decisão judicial para tal? Esse sim é um instrumento legal do dito estado de direto.

  6. Com bolsonaro no “mato sem cachorro”.
    Cid nem manifestou qualquer contrariarão.
    Não quis inquietar porque sabe que também está só nesse matagal que se enfiou.
    Dependendo dos próximos acontecimentos e continuada apurações nos trilhões de inquéritos no TSE e STF:
    – sim, foi a melhor decisão.
    – arrefecer os Ânimos e não esticar mais a corda prestes arrebentar.
    Mas, não me surpreenderia a PF bater à sua porta.
    – a fim de saciar o ego inflado de cão-tinhoso Xandão.
    Cadeia, não vai rolar, não é pica-fumo, tem costas quentes.
    Padrão Decréscimo, é peixe e Estado-maior (Adic AE Cat I).

  7. Se fosse um sargento indicado para o comando de um Tiro de Guerra e com metade das suspeitas seria Substituído. O BAC Não e um Batalhão comum, o Nível de Envolvimento do TCel Cid com o bolsonarismo foi muito alem das Funções republicanas de Ajudante de Ordens. E com certeza se nao fosse trocado o Alexandre de Moraes iria usar a caneta para Resolver o problema.

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