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Diz uma velha piada do interior paulista que o homem estava sendo traído pela esposa com o Valter, seu melhor amigo.
– Abre o ôio, cumpádi! – diziam os amigos.
– Quar nada, o Várte é meu irmão de fé, cêis acha que ele ia fazê uma coisa dessas cumigo?
– Pois é verdade, cê tem que creditá!
– Tá bão, vô faze o siguinte: na hora qui eu fô saí pa mor di trabaiá, vô fingi qui saio e mi iscondo no armário.
– Pois cê vai vê!
No dia seguinte, o homem sai de casa, volta ao quarto pela janela e se esconde dentro do armário. Não passa nem uma hora e lá está a mulher, toda amorosa, entrando no ninho de amor do casal acompanhada, óia só, pelo safado do Valter. Dentro do armário, o chifrudo só observa, angustiado, sua musa se despir para o traíra. No dia seguinte, envergonhado, admite sua cornitude:
– Então, cumpádi, eu vi ele chegá, e ela tirá o robe e ficar só di carcinha i sutiã i cinta-liga, i eu qui nem sabia qui ela tinha esses troço. E fiquei pensano qui safadeza que aqueles fiadasputa iam fazê cumigo. Foi um horror, uma sem-vregonhice!
– Viu, nóis num ti falemo?
– E o piór qui eu nem ti conto, cumpádi, foi horríve di vê, cênumsabe? Ela tiro o sutiã, os peitos caíro no chão. Tirô a carcinha, a bunda dispencô. Tiro a meia-carça, aquela montoêra di variz que parecia um mapa da Amazônia, aquelas perna cabiluda qui deuzolivre, na hora eu botei a mão na cara e pensei, “Ai que vergonha do Várte!”

Atire a primeira pedra quem já não teve a sensação de “isso não pode ser verdade” diante de uma situação que, de tão absurda, soa absolutamente inacreditável. Precisei ler e reler a proposta da Defesa, verbalizada pelo coronel ‘Várte’ – ops! – Marcelo Souza, na audiência de ontem no Senado para concluir: ele disse isso mesmo!

Confira a fala do coronel:
“A gente propõe uma pequena alteração no que está estabelecido, sendo coerente com a resolução do TSE. Ela prevê o teste das urnas em condições normais de uso. Como seria esse teste? Urnas seriam escolhidas, só que em vez de levar para a sede do TRE, essa urna seria colocada em paralelo na seção eleitoral, onde teria eleitores com biometria. O eleitor faria sua votação e seria perguntado se ele gostaria de contribuir para testar a urna. Ao fazer isso, ele geraria um fluxo de registro na urna teste similar à urna original e, após isso, os servidores fariam votação em cédulas de papel e depois dessa votação em cédulas ela seria conferida com o boletim de urna”.
“Essa abordagem, pela escolha aleatória das urnas para teste, modificaria pequenos procedimentos no que está estabelecido, mas traria um grau de segurança e de certeza maior quanto em relação a possível ameaça tanto do código interno quanto de hardware.”

Vamos lá: o que garante que qualquer um dos eleitores escolhidos dará o mesmo voto na urna e depois numa cédula impressa? Basta que um (unzinho só!), seja por galhofa ou má intenção, faça isso e pronto: está feita a lambança! A Defesa propôs isso, em rede nacional.
“Ai. que vergonha do Várte!”

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