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Há uma enorme distância hoje entre o Planalto e o núcleo da campanha do presidente. Para Flávio e Valdemar, militares estão tirando votos de Bolsonaro

Claudio Dantas
O comando da campanha de Jair Bolsonaro está irritado com a tutela militar sobre o presidente. Ontem, por exemplo, ele esteve em São Paulo em duas agendas com o mercado, mas a repercussão teria ficado aquém do esperado — Bolsonaro ficou isolado em sala privativa, sem contato com empresários ou jornalistas.
Há uma distância perceptível entre o círculo de assessores militares do Palácio do Planalto e o núcleo da campanha. Braga Netto, por exemplo, elabora o plano de governo sem conversar com outros dirigentes do PL e do PP, partidos que estão na base da campanha de reeleição.
Eles querem que o general saia do gabinete e circule entre agentes privados e públicos para costurar apoios, como faz Geraldo Alckmin. Por isso, aumentou a pressão nos últimos dias para que Tereza Cristina seja a vice na chapa.
Contrariando os militares, o núcleo da campanha quer que Bolsonaro apareça mais na “mídia offline”, como TVs, rádios e jornais, para furar a bolha do bolsonarismo e atingir o eleitorado mais amplo, expondo os “avanços obtidos pelo governo”.
Pesquisas internas demonstram também que os reiterados ataques do presidente ao sistema eleitoral e ao TSE “não têm apelo eleitoral, não rendem votos”. Os temas que mais impactam os entrevistados são: inflação, auxílio brasil, água no Nordeste e vacina, além de questões relacionadas a ameaças à liberdade de expressão, à legalização do aborto, repressão às drogas, porte de armas e combate à corrupção.
Na avaliação do comando da campanha, dividido entre Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, Bolsonaro está perdendo “importantes oportunidades de se comunicar com o eleitor”, enquanto ataca ministros do TSE. Por isso, não estaria conseguindo avançar nas pesquisas.
O Antagonista/montedo.com

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