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Ricardo Montedo
Vocês lembram:  quando o então Comandante do Exército deixou de punir Pazuello – um general da ativa –  por participar de um evento político- eleitoral ao lado do Presidente da República, registrei aqui no blog minha indignação com a tibieza explícita do general Paulo Sérgio, o qual – vergonhosamente! – rasgou o Regulamento Disciplinar do Exército para submeter-se aos caprichos do ‘mito’.
Seguindo uma distorção de pensamento típica do meio militar, a de hierarquizar o intelecto, como se inteligência e capacidade de análise pudessem ser medidas unicamente pela quantidade de divisas ou estrelas que os ombros carregam, alguns comentaristas invocaram a necessidade de uma maior ‘largueza de visão’ para interpretar o fato, algo inatingível para o horizonte limitado de um oficial do QAO. Poderia discorrer aqui sobre a diferença entre autonomia de pensamento e disciplina intelectual, mas esse não é o foco deste artigo. Sigamos.
Largueza de visão – diga-se – não faltou a Bolsonaro ao varrer numa só canetada os generais Fernando e Leal Pujol de seu caminho. Sabia ele que seus substitutos seriam muito mais dóceis a seus arroubos autoritários. Hoje, assistimos Braga Netto e Paulo Sérgio seguindo de forma submissa o roteiro traçado pelo chefe, de colocar as Forças Armadas no centro do panorama político, empurrando-as para um cenário de confronto e ameaça de ruptura institucional que não interessa ao País.
E lá se vão por água abaixo quarenta anos de esforço e ação de comando para colocar o Exército, a Marinha e a Aeronáutica no patamar de credibilidade que desfrutam hoje junto à sociedade brasileira.
Seja qual for o resultado da eleição, os militares serão os derrotados de outubro. Quem viver, verá.

 

 

 

 

 

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