O TC Rodrigo L Evangelista capta duas matérias da revista VEJA exatamente com o mesmo ataque às Forças Armadas
TC EB Rodrigo Luiz Evangelista*
Na década de noventa, ainda quando não tínhamos o advento das redes sociais, a digitalização dos órgãos de imprensa e a multiplicação da velocidade da informação era comum encontrar em repartições públicas e privadas, jornais e revistas impressas e de grande circulação no território brasileiro. Nesse contexto, durante a citada época e a presença de poucos meios de comunicação, era patente que as teorias “frankfurtianas” dos filósofos e sociólogos Adorno e Horkheimer da industria cultural norteavam a opinião pública.
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A história brasileira mostra que o país sempre passou por transformações no campo político, econômico e que trouxeram consequências no campo social. Inúmeros fatos ocorridos no Brasil, desde o seu descobrimento, foram estopim para as mudanças político-econômicas e sociais desde aquela época, tais como: a República Velha, Segunda República, Estado Novo, República Populista, o Governo Militar e, atualmente, um regime democrático que desde a promulgação da última constituição no ano de 1988, vem se reinventando com o surgimento de novas tendências, ideologias e tecnologias. Destaca-se que em todos fatos citados, as Forças Armadas sempre estiveram presentes como uma instituição de Estado em defesa da sociedade.
O parágrafo acima afiança os resultados das pesquisas realizadas no contexto nacional acerca das instituições de maior confiança no seio da sociedade. Para fins de concretizar a presente afirmativa, abaixo destaca-se pesquisa realizada pelo Instituto Paraná em maio de 2021, corroborado e publicado no mesmo veículo de imprensa que publicou a matéria divudosa acerca das compras realizadas pela Marinha, conforme segue.
A matéria sobre as instituições mais confiáveis emanam da sociedade em forma de pesquisa e daí surge mais uma dicotomia: se a sociedade confia nas Forças Armadas em amplo sentido, porque não confiam na Marinha para à administração de recursos públicos?
A matéria sobre as instituições mais confiáveis emanam da sociedade em forma de pesquisa e daí surge mais uma dicotomia: se a sociedade confia nas Forças Armadas em amplo sentido, porque não confiam na Marinha para à administração de recursos públicos?
A matéria divulgada pela Revista Veja e que conotou, ao ver deste autor, como inabilidade da Marinha do Brasil especificamente à Escola Naval, no gasto de recursos públicos deixou em “maus lençóis” aquela instituição. A fim de situar o leitor sobre os dados divulgados, cabe um arrazoado sobre a Escola Naval e sobre dados estatísticos da matéria.
A Escola Naval é a instituição de ensino superior da Marinha do Brasil, sendo a mais antiga do país, com o objetivo de formar Oficiais para os postos iniciais das carreiras dos Corpos da Armada (CA), Fuzileiros Navais (CFN) e Intendentes da Marinha (CIM).
Foi criada em 1782, em Lisboa, Portugal, por Carta Régia da Rainha D. Maria I sob a denominação de Academia Real de Guardas-Marinhas. Com a vinda da Família Real para o Brasil, a Academia desembarcou no Rio de Janeiro em 1808, trazida a bordo da nau “Conde D. Henrique”. Instalada primeiramente no Mosteiro de São Bento, lá permaneceu até 1832, e a partir daí sofreu inúmeras mudanças de instalações, tendo funcionado inclusive a bordo de navios. Finalmente, em 1938, a Escola Naval instalou-se na Ilha de Villegagnon.
Atualmente a Escola Naval (EN) possui cerca de 900 aspirantes (estudantes), distribuídos nos quatro anos do ciclo escolar de graduação e por esses dados a matéria começa a criar dúvidas em seu contexto. Veja bem, se o autor da matéria afirma que a Escola Naval gasta 1,4 milhões de reais em aquisição de equipamento desportivo para atender a 900 (novecentos) Aspirantes, conclui-se que o gasto seria de R$ 1.555,55 (mil quinhentos e cinquenta e cinto reais e cinquenta e cinco centavos) per capita , por ano.
Como preciosismo de cálculos e em comparação a outros gastos do funcionalismo público brasileiro, no mesmo período, é apresentado abaixo uma tabela de custos.
| Público alvo | Custo mês | Custo ano |
| Aspirantes da Escola Naval | R$ 1.555,55 /12 = R$ 201,64 | R$ 1.555,55 |
| Bolsa Atleta Estudantil[1] | R$ 4.400,00 / 12= R$ 370,00 | R$ 4.440,00 |
| Detentos do Sistema Carcerário Federal[2] | R$ 35.000,00 / 12 = R$ 2.916,66 | R$ 35.000,00 |
Pelos dados acima expostos, percebe-se que os dados os dados acima são relativos a custos com a coletividade e dentro do respectivo ciclo. Nesse contexto e levando em consideração a formação do futuro Oficial da Marinha do Brasil, percebe-se que ao contrário da matéria divulgada, o custo é condizente e econômico para os fins que se destina.
Para dar mais lastro ao pensamento crítico do leitor, percebeu-se na matéria em questão que o material a ser adquirido tem a finalidade de atender os Aspirantes da Escola Naval quanto ao desporto militar. Nesse quesito, as Forças Armadas vêm destacando-se no contexto nacional e internacional, por meio do Programa de Atletas de Alto Rendimento (PAAR). O referido programa fomenta o desporto no âmbito das Forças Armadas com o objetivo de projetar o nome do Brasil no cenário mundial.
Afiançando a afirmativa acima, o Brasil foi representado nas últimas olimpíadas em Tóquio com 63 (sessenta e três) militares atletas compondo a delegação brasileira.
A título de transparência e a fim de dar uma maior gama de informação ao leitor, o veículo de imprensa que publicou a matéria em tela, no ano de 2021 e no mesmo mês de fevereiro, publicou matéria com conteúdo semelhante, porém fazendo menção a outra escola de formação militar, a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).
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Após todos contexto exposto, paira novamente a pergunta realizada no início do presente texto: qual a intenção de desacreditar as Forças Armadas? Infelizmente a resposta ao presente problema é de dificil resolução e talvez tenha necessidade de esclarecimento da outra parte.
Por fim, conclui-se que as Forças Armadas de qualquer País tem papel preponderante na historia de qualquer nação, seja de forma negative ou positiva. No Brasil, assim como em outras nações desenvolvidas, as Forças Armadas sempre estiveram ao lado da sociedade e matérias publicadas com esse viés não soma em nada para o desenvolvimento nacional e só arranham a reputação e o crédito do próprio órgão de imprensa.
[1] Indústria cultural é um conceito de interpretação sociológica desenvolvido por Theodor Adorno e Max Horkheimer no livro “Dialética do Esclarecimento” de 1944. Este conceito se refere a produção e utilização da cultura como um bem de consumo industrial, destituindo a arte e a cultura de suas principais características de interpretação e crítica da realidade. Os dois autores e o próprio conceito estão inseridos na Escola de Frankfurt, escola de inspiração marxista que perdurou de 1922 a 1969. A escola tinha como principal método de análise a Teoria Crítica. Disponível em https://www.infoescola.com/sociologia/industria-cultural/
[2] Disponivel em https://veja.abril.com.br/coluna/maquiavel/forcas-armadas-sao-a-instituicao-mais-confiavel-para-326-dos-brasileiros/
[3] De acordo com o conhecimento popular, a expressão é uma referência à um episódio da guerra entre França e Inglaterra, que ocorreu entre 1754 a 1767, em um território que hoje pertence ao Canadá. Nela, o comandante das forças britânicas nos EUA ordenou que fossem entregues cobertores com varíola aos indíos, para dizimar suas tribos sem que eles percebessem
[4] https://www.marinha.mil.br/sspm/?q=escola-naval/en_princ
[5] per capita é uma expressão do latim, que significa exatamente por cabeça. Disponível em https://www.politize.com.br/renda-per-capita-o-que-e/
[6] Fonte: https://www.caixa.gov.br/esportes/bolsa-atleta/Paginas/default.aspx
[7] Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/11/30/gasto-com-cada-preso-em-penitenciarias-federais-ultrapassa-os-r-35–
*Mestre em Segurança Pública, Mestre em Direitos Humanos e Cidadania, Mestre em Comunicação Social, Pós-Graduado em Direito em Administração Pública, Pós-Graduado em Segurança Pública e Cidadania, Pós-Graduado em Ciências Militares, Graduado em Ciências Militares, Graduado em Administração, Parecerista ad hoc da Revista de Estudos de Segurança Pública (REBESP), Estudioso em Ciência Política
DefesaNet/montedo.com


Respostas de 8
Desacreditar? Mais ainda…será por causa da inércia a Venezuelização iminente.
Caro TC, o Sr. está atrasado apenas 32 anos.
Mas, não fique triste, pois não é só vc. 99% dos militares que não leem nada e só se preocupam com a política do dia, estão sempre atrás.
Vou contar um segredo ao Sr. (escute esse Sgt novinho aqui):
1- Eles (COMUNISTAS) entraram em todos os meios de comunicação, ocupando espaço como manda GRAMSCI, sendo assim, eles estão na imprensa, nas escolas e principalmente nas Forças Armadas.
Vide o o repórter que fez prova para a PM e ficou 1 ano lá, quando saiu escreveu um livro difamando;
2- O General Sérgio Coutinho e o Professor Olavo de Carvalho escreveram isso em 1990 em um artigo para o Clube Militar;
3. O Progessor Olavo dr Carvalho falava do Foro de SP e vcs achavam que era teoria da Conspiração. Veja o Chile acabando com a militarização.
Enquanto vcs reclamavam nos anos 2000 da MP 2215, o Chile já estava preparando a Michele Bachellet que entrou em 2006 e hoje trabalha na ONU;
4- Esqueça a política do dia. Essa guerra já perdemos, vamos ler mais e ficar inteligentes para não perdermos as próximas guerras.
OBS: Pergunte a um militar de qualquer posto e Graduação;
a. Quem é Camilo de Oliveira Torres;
b. Quem é Gustavo Corção;
c. O que é (e não foi) a Escola de Frankfurt;
d. Quem foi o General Sérgio Coutinho;
f. Por que deixaram macular a imagem de Ulstra e idolatrar Marighela;
SE O SENHOR UM TENENTE CORONEL QUE SABE ESCREVER NÃO SABE NADA, IMAGINE OS APEDEUTAS QUE GERENCIAM O EB.
#FUTURODETREVASNASFFAA
Opa, temos um especialista por aqui. Vamos lá sabichão, o que vc novinho (como se intitulou) e tão experiente já produziu pra mudar isso? E se vc vê as trevas nas FFAA, como diz sua hastag, e se é tão inteligente como se intitula, pq já não saiu das FFAA? Opa! Entendi, só reclama e nada faz né.
Está na hora de assumirem os erros.
Qual foi a classe que mais apoiou e participou do atual governo?
Pois é, e se o governo está mal é lógico que o povo associa o óbvio.
Refaço a pergunta, qual a intenção de desacreditar as FFAA? Ser justo, afinal quem ajudou e participou é também culpado e não deve ser acreditado, no mínimo. Esta é a resposta que ninguém quer ouvir.
Sério? E o governo está mal? Qual área? Ao indicar uma área, Sr especialista, favor dizer como deveria ser feito, mas não negligencie os dois anos de pandemia, por favor!
https://static.poder360.com.br/2022/01/pd-bolsonaro-drive-18-jan-2022-01-1.png
https://static.poder360.com.br/2022/01/pd-bolsonaro-drive-18-jan-2022-04-1.png
https://pbs.twimg.com/media/FKER_UaXIAYRLoM?format=jpg&name=large
Desacreditar? Talvez influenciar o pensamento de uma pequena parcela da população. Poucos levam a sério honrem dia a imprensa tradicional. Há 30 anos tinham esse poder.
Há erros? Sim, em tudo que é feito por humanos. O cidadão normal não vai mudar-se-ia opinião assim tão rápido.
TC Rodrigo Luiz Evangelista, excelente matéria!
Colocações oportunas e fundamentadas, as quais nos fazem refletir e pensar, mais cautelosamente, sobre a atual conjuntura da politização dos meios de comunicação e outros temas correlacionados.
Acho que o autodenominado “Novinho” precisa de um “pouquinho” de humildade e bagagem cognitiva para discorrer sobre o tema.
Os anos e o peso da mochila resolvem o problema.
É muito salutar o debate, mas a educação é fundamental.
“O homem é senhor daquilo que pensa e escravo daquilo que diz!”