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À Sputnik Brasil, Exército detalha projeto bilionário da escola ‘sustentável’ de sargentos em Recife

Em documento enviado com exclusividade à Sputnik Brasil, o Exército Brasileiro (EB) detalhou o projeto de R$ 1 bilhão que envolve a construção da nova escola de sargentos, em Recife.
Após a divulgação de que o Exército pretende investir cerca de R$ 1 bilhão na construção da futura Escola de Formação e Graduação de Sargentos, sugiram algumas dúvidas sobre o novo empreendimento, sobretudo com relação ao projeto de centralização do ensino militar.
Em e-mail enviado à Sputnik Brasil, o EB explicou quais são os ganhos que podem ser obtidos a partir da centralização do ensino, além do aperfeiçoamento da formação do sargento de carreira, o principal objetivo da iniciativa.
A entidade esclarece que a medida visa criar um “centro de referência no Sistema de Educação e Cultura do Exército, abrigando [em um só local] o chamado período básico e o de qualificação”. A proposta dos militares brasileiros inclui “um total de até 2.200 alunos em regime de internato por ano, além do corpo docente e administrativo”.
O EB ainda explicou que a centralização do ensino militar para sargentos visa alinhar a formação dos oficiais com a nova “Era do conhecimento”, enfatizando que “as demandas atinentes à formação dos combatentes devem ser constantemente atualizadas”.
Além disso, a ideia é “readequar a infraestrutura e o currículo da formação e graduação de sargentos de carreira do Exército à inserção do sexo feminino”, sobretudo no âmbito militar bélico, onde existe uma espécie “tabu” envolvendo mulheres.

Velhas escolas, novos empreendimentos
Com a centralização do ensino, surgiram questionamentos a respeito do que será feito das outras escolas de sargentos pelo país, em especial as do RJ, Taubaté e MG. Atualmente, a formação dos sargentos de carreira está descentralizada entre 13 unidades (UETE), responsáveis pela formação básica.
Há também duas escolas de qualificação, sendo uma responsável pela qualificação dos sargentos combatentes (ESA em Três Corações/MG), e outra responsável pela qualificação dos sargentos logísticos (EsSLog no Rio de janeiro/RJ); e um centro de formação do sargento mecânico de helicópteros (CIAvEx em Taubaté/SP).
“Com a centralização da formação em Recife, as 13 UETE deixarão de ter os encargos escolares e voltarão a se dedicar aos encargos operacionais, permanecendo nos aquartelamentos que ocupam”, diz o documento.
Já com relação ao aquartelamento da ESA, “há um planejamento para ser ocupado pela Nova Escola de Pós-Graduação de Sargentos do Exército, a ser criada futuramente, aproveitando a estrutura escolar existente da Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos”.
Com corpo docente de ao menos 1,8 mil militares, a nova escola do Exército formará militares para três segmentos principais: Combatentes, Logística e Aviação.
Esses grupos se dividem em 14 cursos de graduação. A saber: Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia, e Comunicações (Combatentes); Intendência, Manutenção de Viatura Automóvel, Manutenção de Armamento, Mecânico Operador, Manutenção de Comunicações, Saúde, Topografia e Música (Logística); e Mecânico de Helicópteros (Aviação).
A demanda pelos cursos cresce sem parar nos últimos anos. Em 2021, foram 126 mil candidatos inscritos para concorrer a 1.100 vagas, um recorde. A alta procura tem uma explicação: o aluno recebe um auxílio de R$ 1,2 mil, além de alimentação, alojamento, uniforme e assistência médica.

O ‘quartel sustentável’
Em um primeiro momento, com a notícia de que a escola será construída onde se localiza o Centro de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC), algumas dúvidas foram levantadas acerca das contrapartidas ambientais envolvendo o empreendimento.
O processo de licitação será aberto nos próximos meses, e deve prever contrapartidas ambientais, garante o Exército Brasileiro.
“Há previsão de que a nova escola, desde a sua concepção, seja ambientalmente sustentável, com energias renováveis (solar), destinação correta de resíduos e tratamento de afluentes, áreas verdes e aproveitamento de água da chuva”, destaca a nota enviada à Sputnik Brasil.
A entidade enfatizou ainda que a área em que será instalada a Nova Escola de Sargentos fica no Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC), “que era composta basicamente de canaviais e áreas de pasto. Quando o Exército assumiu a mesma, em 1945, ocorreu visível recuperação do bioma Mata Atlântica naquela região”.

Recife: a escolha perfeita
O Exército Brasileiro ainda explicou com exclusividade à Sputnik Brasil como transformará a nova escola de sargentos em um polo de desenvolvimento econômico, uma das promessas do empreendimento de R$ 1 bilhão, inscrito no Plano Estratégico do Exército 2020-2023.
Ao ser questionado sobre o alto valor para o empreendimento, os miliares responderam “que montante previsto inclui não somente as instalações escolares, mas também de apoio à família militar (instrutores e seus familiares) de cerca de 4 mil pessoas”.
De acordo com a entidade, a região metropolitana do Recife, onde se instalará o empreendimento, “permitirá a possibilidade de estabelecer maior presença nacional das escolas militares no nordeste, hoje concentradas nas regiões sul e sudeste”.
Além disso, já existe em Recife “estruturas de apoio à família militar, como hospitais, hotéis de trânsito e colégio militar. Existem unidades militares próximas capazes de prestar o apoio logístico e de suporte à instrução”, diz o EB.
A estimativa dos militares é de melhora na qualidade de vida no entorno da região, pois conviverão, além dos 2.200 alunos em regime de internato, os militares que integrarão as novas estruturas escolares, as novas estruturas administrativas e as novas estruturas de apoio, com suas respectivas famílias, atraindo um grande fluxo de novos moradores.
Isso gerará “novas demandas por consumo de bens e serviços e novos estabelecimentos fornecedores de bens e prestadores de serviço, transformando aquela região num polo de desenvolvimento sustentável e seguro”, asseguram os militares.
Pelo cronograma, os próximos quatro anos serão dedicados à elaboração do projetos básico e executivo da futura escola. Os recursos sairão da dotação orçamentária do Exército e de emendas parlamentares.
A escolha do local, no CIMNC, tem também uma motivação histórica: o prédio funcionou como centro de treinamento para soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB), enviados para lutar na Segunda Guerra Mundial.
SPUTNIK/montedo.com

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