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Dois homens armados entraram na residência do militar, onde morava com a esposa e atiraram na vítima; polícia investiga o caso

Elaine Neves
RIO – O capitão reformado do Exército José Wilson da Silva, conhecido como “Tenente Vermelho”, foi assassinado a tiros, na madrugada desta sexta-feira, em Porto Alegre. As vésperas de completar 90 anos, nesta segunda-feira, José Wilson atuou na luta contra o regime militar e na resistência ao Golpe de 64. Dois homens entraram na residência do militar, no bairro Partenon, onde morava com a companheira e atiraram na vítima. A Polícia Civil investiga o caso.
De acordo com o delegado Eibert Moreira, a esposa do militar contou que acordou com um barulho na residência e que o marido teria ido averiguar, levando um facão. Em seguida, ela ouviu o som de disparos de arma de fogo.
– Ela relatou ter ouvido barulho de pessoas entrando na casa e acordou a vítima que pegou um facão e foi verificar o que estava acontecendo. Daí, ela ouviu os dois disparos que alvejaram ele – disse o diretor da Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Ainda de acordo com Moreira, na residência não havia sinais de arrombamento. Os criminosos fugiram sem levar nenhum pertence do casal. – A princípio os indivíduos tinham acesso de forma facilitada – relatou o delegado.
Em depoimento, a mulher contou ainda que não viu quem teria cometido o crime. A Polícia civil apura o caso e não descarta nenhuma hipótese. A linha principal da investigação é de homícidio, segundo o delegado.
– Existem linhas de investigação em aberto. Não podemos descartar nenhuma possibilidade ainda. Não dá pra dizer que eles não entraram ali para fazer um assalto, não dá para descartar essa hipótese ainda, apesar deles não terem levado nada. A gente trabalha com a principal linha, nesse momento, com homicídio, mas no cenário ainda temos essa outra hipótese, que está sendo trabalhada – acrescentou.
José Wilson da Silva foi uma das pessoas mais próximas ao ex-governador Leonel Brizola. Ele foi vereador, em Porto Alegre, em 1963. Teve os direitos políticos cassados pela ditadura civil-militar e se exilou no Uruguai. De volta ao Brasil, ajudou na fundação da Associação de Defesa e Pró-Anistia dos Atingidos pelos Atos Institucionais. Ele é autor do livro “O Tenente Vermelho”.
O Globo/montedo.com

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