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“Inacreditável”! “Pegadinha”! “Absurdo”!
As expressões resumem a reação da grande maioria dos militares do Exército, ao saberem que a Região Metropolitana do Recife sediaria a nova Escola de Formação e Graduação de Sargentos da força.
A escolha – divulgada em primeira mão pelo presidente Bolsonaro na tarde de 21 de outubro, antes mesmo do anúncio oficial da decisão do Alto Comando – gerou espanto e incredulidade. Afinal, num ranking informal, a guarnição de Recife aparece anos-luz depois de Santa Maria e Ponta Grossa na preferência de oficiais e sargentos.
A região metropolitana da capital pernambucana acumula diversos problemas: altos índices de criminalidade, graves problemas de saneamento, transporte público precário, trânsito caótico, sistema de saúde congestionado, ensino público deficiente, entre outros.

Critérios técnicos?
Através de nota, o Exército argumentou que o processo de escolha foi pautado por aspectos “eminentemente técnicos”, entretanto, justifica a opção pela Grande Recife com “os inúmeros benefícios para a futura sede da nova Escola:  aumento da oferta de empregos diretos e indiretos e o incremento na atividade econômica local, decorrentes da presença dos alunos, instrutores e familiares.”

Ora, ora!
Obviamente, os tais “critérios técnicos” deveriam levar em conta necessidades- … técnicas!!! – assim entendidas as condições e requisitos ideais para o funcionamento da escola; o eventual potencial de desenvolvimento a ser gerado em seu entorno deveria ser, no máximo, um fator subsidiário, nunca decisivo.
Chega a ser constrangedor alegar critério técnico para justificar uma decisão que preteriu o terceiro maior centro militar do País e certamente o mais qualificado para melhor formar os futuros sargentos profissionais. Santa Maria possui quartéis de todas as armas e serviços, além de estar a 120 quilômetros do campo de instrução de Saicã, o maior do Brasil. Recife não chega sequer perto dessa estrutura.

Às favas!!!
É evidente que a motivação da escolha foi bem outra, como tem ficado claro pelo discurso dos estrelados a partir da decisão do Alto Comando.
“Os generais optaram por priorizar uma região mais carente de empreendimentos das Forças Armadas”, explicou o general Richard Nunes. Comandante Militar do Nordeste. Nunes citou ainda “uma razão simbólica: Pernambuco é berço do Exército brasileiro, criado após a Batalha dos Guararapes, na qual os holandeses foram expulsos por portugueses, índios e negros, unidos”.
Ou seja: às favas com os tais critérios técnicos!

Família militar???

Dez mil pessoas, contados aí alunos, instrutores e familiares, serão enviados para um local que oferece uma qualidade de vida muito precária. Nesse quesito, a distância é abissal em relação à Ponta Grossa, inserida no desenvolvido e pacato interior paranaense, como atestam todos os indicadores sociais.
A área da escola ocupará aproximadamente 75 km quadrados entre os municípios do Recife, Camaragibe, São Lourenço da Mata, Abreu e Lima; Araçoiaba, que será o município-sede das instalações da escola, possui hoje uma (UMA!!!) escola de ensino médio. As opções estão em Recife, distante 60 quilômetros.
Em Recife, também, está localizado o HMAR, que tem problemas crônicos, tanto na parte administrativa como no atendimento hospitalar (consulte no arquivo do blog: Hospital Militar de Área do Recife). Pois é esse o hospital que atenderá os militares da nova escola e seus dependentes.
Dado ao bom nível de qualificação da maioria das esposas dos militares atualmente, pode-se prever pouquíssimas oportunidades de emprego num mercado de trabalho limitado pela tibieza econômica.
Aliando esses três fatores às outras deficiências já citadas, fica muito claro que a decisão dos estrelados não levou em conta a dita “Família Militar”, cantada em prosa e verso pela instituição que comandam.

Essa é Araçoiaba

Voluntários, um passo à frente!

Com todas essas dificuldades, a tendência natural é que o nível dos candidatos a instrutores caia, pois os mais preparados terão opções melhores. O reflexo dessa situação na formação dos sargentos será inevitável.

Uma “Escola para sempre!”

Os doutos generais do Alto Comando estarão todos de pijama quando o Exército começar a colher os frutos de sua oportunista e questionável decisão. É de lamentar que a “Escola para sempre” – nas palavras do general Joarez – nasça sobre o estigma da dúvida e da incerteza.

A nova escola e o Grêmio

Fico na torcida para que dê tudo certo. Mas também torço para que o meu Grêmio não caia para a segundona. O que não significa que acredite.

Oremos.

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