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Causo domingueiro

Olmiro foi um dos tantos gringos buona gente que conheci no 144 RC. Inteligente e dedicado, foi promovido a terceiro sargento temporário com pouco mais de um ano de exército.
Por sua ingenuidade e inexperiência, era presa fácil para os trotes dos antigões. Este foi um deles:
Olmiro era laranjeira, ou seja, morava no quartel, num quarto contíguo ao destinado ao sargento de dia do segundo esquadrão.
Estando Peppo de sargento de dia e Roriz, de comandante da guarda, resolveram armar uma peça para cima do pobre Olmiro.
Quando este chegou ao quartel, já tarde da noite, Roriz, que estava de permanência junto ao portão das armas, deu-lhe o seguinte recado, com ar sério:
– Olmiro, vá imediatamente ao quarto do sargento de dia, pois o Peppo precisa falar contigo. É muito importante.
Ingenuamente, o pobre Olmiro cumpriu a ordem, já assutado, e, encontrando Peppo dormindo, sacudiu-o fortemente indagando:
-Sargento Peppo, acorde! O que o senhor deseja? O Roriz me disse que era muito importante!
Ainda sonolento, mas disposto a levar a brincadeira a cabo, Peppo, só de cuecas, sentou-se na cama, dirigiu ao Olmiro um olhar sedutor e, fazendo sinal de “colinho”, disse, com voz macia:
– Sente aqui, meu guri. Não vou te fazer mal …
Acreditando piamente nas intenções libidinosas do outro, Olmiro desandou correndo, escadas abaixo, enquanto Peppo, já às gargalhadas, gritava:
– Vem cá, meu guri! Tu não entendeu nada, volta aqui, volta!!!
Por via das dúvidas, naquela noite, o pobre Olmiro dormiu num hotel.

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