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Vicente Nunes
Decano do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes almoçou, na terça-feira (03/08), com o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Almeida Baptista Jr., o mais bolsonarista dos três chefes das Forças Armadas. O militar garantiu que, apesar de todo o tumulto criado pelo presidente Jair Bolsonaro, “nunca se cogitou um golpe militar”.
Segundo interlocutores de Gilmar, o almoço foi muito tranquilo. Tanto ele quanto o brigadeiro procuraram esclarecer ruídos políticos que estão tensionando as relações entre os Poderes. Bolsonaro tem feito ataques consistentes ao Judiciário e, no momento, elegeu o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, como alvo. Bolsonaro defende a volta do voto impresso, visto como um atraso por Barroso.
A tensão chegou a um nível tão elevado, ante as perturbações provocadas por Bolsonaro, que o TSE, com o apoio da maior parte do ministro do Supremo, abriu um inquérito para investigar o presidente da República por ataque às eleições. Dependendo dos resultados do processo, a chapa de Bolsonaro para 2022 pode ser rejeitada.
O almoço entre Gilmar e o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Jr. foi marcado por intermédio de um amigo em comum. O ministro do Supremo frequenta o Clube da Aeronáutica, onde joga tênis. A perspectiva é de que os dois voltem a se encontrar brevemente. A meta é distensionar o ambiente e criar um canal de diálogo.
O clima conturbado, que engolfou os militares, tem a ver, também, com as descobertas da CPI da Covid, de que um grupo de fardados se envolveu em falcatruas para a compra de vacinas contra a covid-19 pelo Ministério da Saúde a preços superfaturados.
O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, senador Omar Aziz, classificou esse grupo como “banda podre das Forças Armadas”. A declaração bateu fundo no alto-comando da Forças. Tanto que o ministro da Defesa soltou uma nota atacando o parlamentar.
Apesar das garantias do brigadeiro de que não há clima para golpe militar, todos os alertas estão ligados em Brasília, pois Bolsonaro continua firme com o discurso de que, sem voto impresso, “não haverá eleições em 2022”.
Blog do Vicente/montedo.com

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