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Sérgio Xavier Ferolla critica decisão do comando do Exército Brasileiro, que livrou Eduardo Pazuello de punição após ato com Bolsonaro

Tácio Lorran
Ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), o tenente-brigadeiro da Aeronáutica Sérgio Xavier Ferolla (imagem em destaque) criticou, nesta sexta-feira (4/6), a decisão do Exército Brasileiro (EB) de não punir o general Eduardo Pazuello por ter participado de ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Em conversa com o Metrópoles, o oficial de quatro estrelas assinalou que o arquivamento do processo administrativo contra Pazuello mancha, “sem dúvida”, a imagem das Forças Armadas.
“Questão ainda pendente no seio da corporação. Devemos estar atentos às consequências. Sem dúvida [pode manchar a imagem das Forças Armadas], merecendo atenciosa consideração para com os alertas já lançados. Por isso, como será tratado o sargento?”, questionou Ferolla, via mensagem de aplicativo.
No último dia 15, o terceiro-sargento do Exército Luan Ferreira de Freitas Rocha participou de uma transmissão ao vivo com o deputado federal Major Vitor Hugo (PSL-GO), um dos principais defensores de Bolsonaro na Câmara. Na live, o militar criticou o aumento no tempo de intervalo para promoções e pediu apoio do parlamentar. O caso se tornou delicado após a participação de Pazuello, uma semana depois, em ato bolsonarista.
Em seguida, após o Metrópoles ligar e avançar com a conversa, o tenente-brigadeiro afirmou que já dissera o que tinha para falar. “O problema está nas mãos dos generais do Exército. Eles que têm que resolver”, pontuou.
Ministro aposentado do STM, Ferolla é detentor do cargo mais alto da Aeronáutica, uma vez que marechal-do-ar é uma função limitada a tempos de guerra e não há outros vivos que algum dia a tenha alcançado. Ser tenente-brigadeiro-do-ar equivale ao posto de general de Exército, o mesmo do vice-presidente, Hamilton Mourão, e do ministro-chefe do GSI, Augusto Heleno, por exemplo. Já Pazuello é general de divisão (três estrelas).
Na teoria das Forças Armadas, Ferolla – hoje com 87 anos – está hierarquicamente acima de todos eles, por ser o mais antigo da patente e, por isso, poderia julgá-los quando ministro do STM.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada no dia 26 de maio, o ex-presidente do Superior Tribunal Militar já havia criticado a presença de Eduardo Pazuello ao lado de Jair Bolsonaro, em um carro de som, durante a “motociata” no Rio de Janeiro. O tenente-brigadeiro avaliara se tratar de algo “vergonhoso”.
“Militar não deve entrar na política e a política não pode entrar no quartel, se não vira bando, acabam a hierarquia e a disciplina. O fundamento da instituição militar é a hierarquia e a disciplina. Portanto é grave”, disse.
METRÓPOLES/montedo.com

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