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Aeronave sobrevoa Ponta Grossa durante visita e avaliação de Comitiva. Foto: José Aldinan

ESA: vantagens e desvantagens de cada cidade na disputa

Felipe Liedmann
A Prefeitura de Ponta Grossa recebeu nesta terça-feira (13) uma comitiva do Exército Brasileiro designada para avaliar a estrutura da cidade e discutir a possibilidade de implantação da Escola de Sargentos das Armas (ESA) no Município.
Entre os integrantes da Comitiva estavam o General de Brigada Paulo Alípio Branco Valença – Diretor de Patrimônio Imobiliário e Meio Ambiente (DPIMA) do Exército Brasileiro -, o General-de-divisão, Carlos Assumpção Penteado – comandante da 5ª Divisão do Exército -, o General-de-brigada Sérgio Martins – comandante da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada -, além de um corpo de engenheiros.
O grupo foi recepcionado pela prefeita Elizabeth Schmidt (PSD), além do secretário de Estado da Segurança Pública, Coronel Rômulo Marinho Soares, do secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, e representantes do Instituto de Água e Terra (IAT), Copel, Sanepar e Compagás.
Questões técnicas para a instalação foram avaliadas durante a visita. Isso significa que a presença da Comitiva é um dos passos decisivos para definição de qual cidade vai receber a ESA. A corrida pela Escola de Sargento das Armas começou com 18 municípios. Restaram na disputa Ponta Grossa (PR), Santa Maria (RS) e Recife (PE). Cada uma guarda cartas na manga para conquistar o Exército Brasileiro.

Só em PG
Visita semelhante não precisou ser realizada nas duas concorrentes de Ponta Grossa, visto que as áreas destinadas por Santa Maria (RS) e Recife (PE) já são de domínio do Exército Brasileiro. Ambas são Campos de Instrução dos Militares.
Antes da avaliação aérea por Ponta Grossa, que ocorreu no final da manhã, os representantes do Exército se reuniram presencialmente com autoridades do Município e do Estado no Gabinete da prefeita.
Logo em seguida, a Comitiva partiu para os voos em dois helicópteros cedidos pelo Governo do Paraná. O percurso durou cerca de 35 minutos e não ficou restrito aos Campos Gerais.
Houve passagens por regiões de São Luiz do Purunã e Campo Largo, onde o Governo negocia e pretende disponibilizar ao menos uma área de operações e treinamentos militares, ampliando o pacote de contrapartidas para a ESA.
Na sequência os helicópteros percorreram toda a área pertencente à Embrapa e que será colocada à disposição do Exército. O espaço vai dos ‘fundos’ do Distrito Industrial, perto da BR-376, até a Estrada que leva para o Distrito de Itaiacoca, ‘abraçando’ por completo um dos lados de Ponta Grossa.
Exército vistoria local de possível instalações da Escola de Sargentos de Armas. Foto: José Fernando Ogura/AEN
O tamanho é expressivo (4,5 mil hectares ), visto que a ESA representaria uma ‘cidade militar’ dentro do município. A estimativa inicial é de 8 mil habitantes a mais a partir da instalação.

“A área é imbatível. É realmente espetacular. É o grande diferencial de Ponta Grossa em comparação com as demais concorrentes do Brasil. Claro que é uma disputa gigante, mas Ponta Grossa tem um diferencial que é essa área espetacular. Parece que ela ficou todo esse tempo justamente aguardando a ESA”, comenta o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex. O espaço fica no Distrito de Itaiacoca, onde está atualmente a Fazenda Modelo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Em contrapartida, a Embrapa receberia uma área do Exército localizada no município vizinho de Palmeira.

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Vídeo gravado e publicado pelo vice-prefeito, Capitão Saulo, mostra no mapa a área destinada à

Os helicópteros também sobrevoaram estradas da região. É nesta localidade, inclusive, que existe o projeto de criação de um Contorno ligando a PR-151 à BR-376, o que também pode se tornar atrativo. Por fim, o voo passou sobre o Aeroporto Sant’Ana, onde há um hangar reservado para a Escola do Exército caso ela venha a se instalar na cidade. Horas depois, na parte da tarde, a mesma Comitiva realizou o reconhecimento terrestre dos espaços.

Escolha Técnica
Durante a visita, o diretor de Patrimônio Imobiliário e Meio Ambiente (DPIMA) do Exército Brasileiro, General Paulo Alípio Branco Valença, apontou que a avaliação é totalmente técnica. Segundo Valença, a Diretoria conta com uma equipe interdisciplinar, entre militares e civis, que entende que não se faz administração do patrimônio imobiliário sem a correspondente gestão do meio ambiente.
“Precisamos de certidões cartoriais, de documentos dominiais. É preciso verificar cessões de área para a agricultura familiar, saber da existência de redes aéreas ou redes subterrâneas e as situações que estes fatores se encontram atualmente. Precisamos ter acesso a questões de perímetro, evoluindo para uma poligonal georreferenciada para o memorial descritivo do imóvel”, explica.
Esse memorial será encaminhado para o alto comando do Exército Brasileiro, que vai definir a cidade que sediará a ESA.
De acordo com o General Carlos Assumpção Penteado, comandante da 5ª Divisão do Exército, a região de Ponta Grossa possui todas as organizações militares necessárias para a boa formação de um sargento: todas as armas da infantaria, todas da cavalaria, todas de artilharia e todas da engenharia. “Um sargento nosso estará em uma área completa para formação nesses aspectos”, destaca.

Impacto Econômico
A instalação da Escola de Sargentos das Armas (ESA) representa um aporte de R$ 1,2 bilhão do Exército Brasileiro, além de outros investimentos que podem ser atraídos para o município que conquistar a estrutura.
A folha de pagamento da Escola gira perto dos R$ 250 milhões, o que significa cerca de 25% do PIB de Ponta Grossa. Assim, a cidade passaria a ter maior potencial econômico, significando aquecimento de diferentes setores e ampliando o potencial de compra de parte da população.
A estimativa inicial é de que a instalação da ESA traga 8 mil pessoas a mais. Por isso questões estruturais de qualidade de vida são levadas em conta na escolha.
“Para o Paraná, o ponto forte é o investimento de R$ 1,2 bilhão. Para o Exército, Ponta Grossa representa a modernidade. Ponta Grossa é uma cidade que nos próximos 30 anos estará preparada como Campinas foi para São Paulo, isto é, muitos investimentos que vêm para o Paraná, vêm para Ponta Grossa pela proximidade com a capital. Além disso, o diferencial maior é que vai incorporar no patrimônio do Exército um espaço de 50 km² que vale mais de R$ 1 bilhão”, enfatiza o secretário de Segurança Pública do Paraná, Coronel Marinho.

Alta Cúpula
O anúncio do Exército Brasileiro sobre a localização da ESA está previsto para os próximos meses. Antes, o Comando Nacional visitará Ponta Grossa. A previsão é que o General Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, nomeado recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro, chegue em 26 de abril. No dia seguinte estão previstas as visitas em diferentes pontos do município.
A Escola de Sargentos de Armas forma oficiais especializados em operações bélicas e está sediada há mais de 70 anos em Três Corações, Minas Gerais. No entanto, ela pretende ampliar a abrangência e até duplicar o número de militares formados.

Vantagens e Desvantagens
Ponta Grossa
Posicionamento geográfico: Ponta Grossa está em um ponto que facilita o deslocamento não só pelo Paraná, mas para as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país. Ambas fazem divisa com o estado e não estão tão distantes dos Campos Gerais. Além do posicionamento no mapa, Ponta Grossa possui rodovias e ferrovias que fazem ligação com diferentes pontos do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. O popular “entrocamento rodoferroviário” por qual a cidade é conhecida se torna um facilitador. Ponta Grossa está separada da capital Curitiba em pouco mais de 100 quilômetros. A distância para o Porto de Paranaguá está em 215 km.
Saneamento: A administração pública de Ponta Grossa aposta na boa nota de saneamento, especialmente na comparação com Santa Maria (RS). Em entrevista ao portal dcmais há duas semanas, a prefeita Elizabeth Schmidt (PSD) ressaltou a vantagem, o que – para ela – representa ponto a mais na qualidade de vida. O Município tem garantido que vai ampliar a estrutura conforme necessidade da ESA. Por isso houve participação da Sanepar no encontro desta terça (13).
Ensino: Ponta Grossa tem instituição de Ensino Superior Estadual (UEPG) e Federal (UTFPR). A primeira com diferentes áreas de destaque no ensino e a segunda especialmente com as engenharias fortalecidas. Há também uma gama de instituições particulares que fortalecem o ensino. Quatro colégios estaduais vão passar a funcionar no modelo ‘cívico-militar’, o que é enaltecido pela administração pública local diante da possibilidade de instalação da ESA.
Industrialização: O município e a região dos Campos Gerais como um todo estão em processo de expansão industrial. Curiosamente, uma das indústrias que vai investir em Ponta Grossa é a Tatra Caminhões, que produz veículos pesados para as áreas militares e de defesa. A Tatra, da República Tcheca, deve injetar mais de R$ 100 milhões na cidade até 2026.
Aeroporto: Com investimento nos próximos meses de R$ 35 milhões, o Aeroporto Sant’Ana, que tem administração do Município, passa por processo de modernização. O espaço comporta voos comerciais para São Paulo, Campinas e Foz do Iguaçu. Uma das contrapartidas da administração pública é oferecer um hangar próprio para o Exército.
Energia: Ponta Grossa é o centro do Projeto Gralha Azul, que contempla a melhoria da oferta e qualidade de energia para a região Centro-Sul do Paraná. Avaliado em aproximadamente R$ 2 bilhões, o pacote inclui a construção de cinco novas subestações, cinco ampliações de subestações já existentes e 15 linhas de transmissão, que totalizam mil quilômetros em 27 municípios do estado.
Representatividade: Apesar do apoio estadual não ter surgido tão rápido, Ponta Grossa atualmente é vista como o ‘Estado do Paraná’ na disputa. Assim, há intenso apoio político do Governo. Nos bastidores há mobilização para que a Federação das Indústrias do Estado (FIEP) e também as principais entidades do setor produtivo estejam ao lado na disputa. A união de forças pretende mostrar que é possível suprir demandas, em especial da construção civil e da infraestrutura, exigidas pelo novo empreendimento.
Infraestrutura: Ponta Grossa, com aproximadamente 355 mil habitantes, ainda almeja melhorias nas regiões mais afastadas do Centro, ampliando a questão da pavimentação, por exemplo. Uma das promessas é ter 100% de ruas pavimentadas nos próximos anos. A pretensão é contar com apoio do Governo do Estado para atingir o objetivo. O terreno de algumas vilas não contribui da forma mais adequada para o desenvolvimento pleno.
Contrapartidas: Entre as vantagens propostas para a instalação da ESA em Ponta Grossa, o Município oferece a isenção de ISSQN nas obras de construção da escola; a criação de Zona Especial Militar no perímetro da ESA, conferindo flexibilidade para os projetos da escola e Vila Militar; acesso adicional à ESA; disponibilidade de serviços de saneamento, energia e comunicação de alta qualidade na área de operação; cooperação com universidades e institutos de inovação em projetos e pesquisas de interesse do Exército Brasileiro.

Santa Maria
Pilares básicos: O município gaúcho atende pilares na busca pela ESA. Dois deles são a estrutura da cidade e do contingente militar já instalado. Há também as contrapartidas asseguradas pelo público e privado, além da receptividade da comunidade local. A cidade é menor do que Ponta Grossa na quantidade de habitantes. A população está estimada em 283 mil.
Ensino: A cidade se resguarda na estrutura da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que foi a primeira Universidade pública do interior do país. Há cursos de referência, especialmente no setor de tecnologia. Santa Maria (RS) também conta com duas escolas militares.
Militarização: Santa Maria é uma cidade que já possui instalações do Exército Brasileiro e tem um alto número de militares que a escolhem como moradia. O fato é uma virtude, mas, caso o Exército opte por ter outras áreas do país com maior presença militar, se torna uma dificuldade a alta concentração do setor dentro de apenas um território. De acordo com registros mais atuais, a cidade tem aproximadamente 15 mil militares e conta com 47 organizações militares.
Infraestrutura: Assim como Ponta Grossa, especialistas em Santa Maria (RS) indicam que a cidade enfrenta desafios na pavimentação urbana. Algumas regiões não são vistas como aconchegantes para a população. Por isso, a administração pública no Paraná bate na tecla do saneamento como um dos diferenciais.
Aeroporto: A cidade também possui um Aeroporto Municipal que depende de investimentos para expansão. Mas, diferentemente de Ponta Grossa, não há ligações diretas com a regiões mais centrais do país. Os voos regulares são somente para Porto Alegre. Existe previsão de que em 2022 passe a ter linhas para São Paulo.
Custo de vida: A administração pública tem destacado que, em comparação com as concorrentes, Santa Maria possui o custo de vida mais em conta para a população.

Recife
Aeroporto: A capital pernambucana possui malha aérea com ligação para diferentes pontos do país e inclui voos internacionais. Por estar na capital, o espaço tem boa estrutura física e opera com oito companhias aéreas.
Capital: Enquanto as concorrentes são mais discretas e menores em termos de população, Recife tem 1,5 milhão de habitantes. Há o atrativo de ser cidade maior, o status de capital e possuir um litoral bastante conhecido no país. Os mesmos fatores podem pesar negativamente caso a preferência do Exército Brasileiro seja por uma localidade mais ‘tranquila’.
Militarização: A capital nordestina acumula 25 organizações militares. É um número inferior ao de Santa Maria (RS) e superior ao presente em Ponta Grossa (PR). Ao todo, Recife conta com a atuação de 6,3 mil militares.
Infraestrutura: Por ser capital, Recife se distancia das concorrentes em alguns números. Há pelo menos 60 hospitais, quase 400 escolas, seis universidades, mais de 30 mil hotéis e a quantidade de instituições de ensino superior chega próximo de 100.
dcmais/montedo.com

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