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Atualização (21h)
O comandante-geral da PM-DF (Polícia Militar do Distrito Federal), Julian Rocha Pontes, foi demitido nesta 6ª feira(2). A decisão foi publicada no Diário Oficial. Ele será substituído pelo coronel Márcio de Vasconcelos.

Julian Pontes e outros oficiais aproveitaram mudança nas regras de utilização das xepas para ter preferência na campanha de imunização

Carlos Carone
Celimar de Meneses
Caio Barbieri

Integrantes de alta patente da Polícia Militar do Distrito Federal, incluindo o comandante-geral da PMDF, receberam a vacina contra a Covid-19 antes que, pelo menos, 8 mil praças da corporação pudessem ser imunizados.
Esses oficiais aproveitaram uma mudança recente nas regras de utilização das doses remanascentes de vacinas, chamadas de “xepa”, para ter prioridade na campanha de imunização.
Na tarde dessa quarta-feira (31/3), o comandante-geral da PMDF, coronel Julian Rocha Pontes (foto em destaque), de 47 anos, tomou uma dose da vacina na UBS 1 da Asa Sul. Ao ser questionado pelo Metrópoles, o Centro de Comunicação Social da PM confirmou a informação e acrescentou que “outros policiais militares” foram imunizados, de acordo com a circular vigente da Saúde do DF, que passou a valer na segunda-feira (29/3).
A comunicação da PM, no entanto, não especificou quem foram os outros policiais vacinados. Mas a reportagem do Metrópoles apurou que, além de Pontes, os seguintes integrantes do alto comando receberam o imunizante:

– o subcomandante-geral, coronel Cláudio Fernando Condi, 47 anos;
– o chefe do Departamento Operacional (DOP), coronel Hemerson Rodrigues Silva, 48 anos;
– o chefe do Estado Maior, coronel Marcelo Helberth de Souza; 48 anos
– o subcomandante operacional do 2º Comando de Policiamento Regional, tenente-coronel Eduardo Condi, 48 anos.

Eduardo Condi é padrasto do estudante Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, que foi picado por uma cobra da espécie Naja. Condi foi alvo de operação da PCDF, em julho de 2020, por ter supostamente tentado encobrir o afilhado, que é acusado de traficar animais exóticos.

Circular
A norma em vigor desde o dia 29/3 alterou as regras até então adotadas para a distribuição de xepas da vacina. Antes dessa data, valia o que estava previsto na Circular nº 9, também editada pela Secretaria de Saúde do DF. O documento estabelecia que as sobras dos imunizantes deveriam ser aplicadas de acordo com as seguintes prioridades: trabalhadores de saúde, idosos, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua, funcionários do sistema de privação de liberdade, trabalhadores da Educação e, finalmente, integrantes das forças de Segurança. Ou seja, sete grupos tinham preferência na vacinação.
Com a mudança nas regras vigente desde o dia 29, essa dinâmica foi totalmente alterada. As sobras das vacinas foram integralmente destinadas às forças de Segurança. A Circular 67 apresenta como uma das justificativas para a decisão a transparência no uso das doses.
“Dar maior transparência no uso dessas doses, mitigar a pressões sofridas pelas equipes vacinadoras, reduzir as aglomerações que se formam na espera dessas doses, no momento do final das atividades vacinais, atender a recomendação do Ministério da Saúde de contemplar grupo prioritário e não desperdiçar doses”, diz o documento.
E a circular segue apontando quais são as novas determinações: “O uso das doses remanescentes de vacina contra Covid-19 nos profissionais das forças de Segurança Pública do Distrito Federal, que exercem atividades de rua, que prestam serviços essenciais de excelência neste momento de enfrentamento à Covid-19 com apoio nas fiscalizações diuturnamente no combate às aglomerações, nas distribuições e escoltas das vacinas, na segurança e manutenção da ordem nos postos de vacinas, na organização dos trânsitos dos drives, nos atendimentos pré-hospitalares, dentre outras ações, para aqueles que estejam em serviço, prestando apoio na segurança local nos minutos finais que antecedam o término das atividades de todos os postos de vacinas contra Covid-19, seguindo sempre a ordem de prioridade por idade desses profissionais”, reforça o comunicado.
Usando termos como: “que exercem as atividades de rua”, ” com apoio nas fiscalizações diuturnamente no combate às aglomerações”, “distribuições e escoltas das vacinas”, “segurança e manutenção da ordem nos postos de vacinas”, “organização dos trânsitos dos drives”, “para aqueles que estejam em serviço”, “prestando apoio na segurança local”, a própria circular da Saúde estabelece que a prioridade é para os policiais da linha de frente.
Não há, no texto, nenhum termo que deixe claro que oficiais exercendo cargos administrativos teriam a preferência no recebimento dessas doses.
METRÓPOLES/montedo.com

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