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Diego Amorim
O Antagonista revelou que um assessor do vice-presidente Hamilton Mourão trocou mensagens com o chefe de gabinete de um deputado federal a respeito das articulações em curso no Congresso para um eventual impeachment de Jair Bolsonaro.
No diálogo por WhatsApp, ele comentou que tem conversado com “assessores de deputados mais próximos”, pois “é bom estarmos preparados”.
Na conversa, Morato diz ao interlocutor, a quem chama de “irmão”, que eles precisam tomar “um café mais reservadamente”.
Afirma que o vice-presidente dividiu “a ala militar”, antes dominada pelo general Augusto Heleno, do GSI, e comenta que “o capitão [Bolsonaro] está errando muito na pandemia”. “General Mourão é mais preparado e político”, conclui.
O chefe de gabinete do deputado se espanta e diz que não pode ter “esse tipo de conversa”.

Veja os prints:

Por telefone após a divulgação da matéria, Ricardo Roesch Morato Filho negou a O Antagonista o teor da conversa divulgada. Disse que não enviou “mensagem para ninguém”. “Não fui eu.”
Minutos depois, numa segunda chamada, reiterou que “nunca tive esse tipo de conversa, até porque o vice-presidente nunca teve a menor intenção de fazer esse tipo de manobra”. “Para o vice-presidente, é uma coisa inadmissível.”
Diante da afirmação de que havia prints da conversa, Morato alegou que seu celular pode ter sido hackeado. “Meu medo é que meu telefone tenha sido hackeado e alguém tenha feito alguma merda e apagado na sequência. Esse é o meu medo agora.”
Ele também levantou a possibilidade de ter dado “uma opinião pessoal” numa conversa informal com o assessor. “Posso ter exposto uma opinião pessoal, como se fosse do vice-presidente.”

O vice-presidente Hamilton Mourão disse a O Antagonista que decidiu exonerar o chefe de sua Assessoria Parlamentar, Ricardo Roesch Morato Filho. A demissão será publicada amanhã no Diário Oficial.
Mourão, que mais cedo atacou o site, agora agradeceu a divulgação dos prints da conversa. “Me permitiu identificar alguém agindo à margem das minhas orientações e atentando contra o meu único patrimônio, que é a minha honra.”
O vice-presidente não acreditou na versão do assessor, que alegou ter sido hackeado. “Ele está negando com o argumento de que o celular foi hackeado, o que para mim não é verdade. Agiu sem meu consentimento e contra minhas determinações. Será exonerado.”
O Antagonista/Edição: montedo.com

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