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Carla Araújo
Não é a primeira vez que o presidente Jair Bolsonaro faz declarações polêmicas que envolvem as Forças Armadas ou ainda que demonstrem seu ímpeto para o governo do país como se estivessem em uma guerra.
Ontem (10), em um evento no Palácio do Planalto, no qual o governo lançou um plano denominado “Retomada do Turismo”, o presidente chamou atenção para frases polêmicas, desde o Brasil ” tem que deixar de ser um país de maricas ” até “quando acabar a saliva, tem que ter pólvora”.

O que o presidente quis dizer com utilizar pólvora?
Ele falava sobre as relações diplomáticas. Lembrando que o presidente foi um dos poucos líderes do mundo que não cumprimentou Joe Biden , que teve a vitória sobre Donald Trump reconhecida internacionalmente e deve assumir como novo presidente dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro, ao meio dia.
Ele não citou Biden, mas disse: “Assistimos há pouco um grande candidato à chefia de estado, dizer que se não apagar o fogo da Amazônia, vai levantar barreira comercial contra o Brasil”, começou Bolsonaro. “Apenas diplomacia não dá. Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora. Senão não funciona”.
No quartel-general do Exército, em Brasília, a ordem foi de ignorar as declarações. “Sem comentários” era o mantra.

Vamos cuidar do Amapá?
O presidente almoçou com o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, nesta terça-feira. O ministro, que tinha acabado de retornar de um período de férias, tinha muitos assuntos para se inteirar – um estado com uma crise grave de energia e segurança, no Amapá. “Mostramos para ele o apoio que demos ao Estado do Amapá. Que as forças armadas estão dando”, disse o ministro, após o encontro.
Ele foi questionado sobre possíveis mudanças nas relações com os EUA, mas reforçou que só tinha tratado do Amapá, incluindo garantia que aconteçam a votação e apuração de votos nos estados brasileiros no próximo dia 15. “Nada além disso”, disse o ministro, que é o chefe das Forças Armadas, mas que sozinho não teria o poder de declarar uma guerra caso essa fosse uma ordem de Bolsonaro.

Todo mundo vai morrer
Saindo dali, Bolsonaro usou o  Salão Nobre do Palácio do Planalto para minimizar o combate ao coronavírus . “Tudo agora é pandemia. Tem que acabar com esse negócio, pô. Lamento os mortos, lamento, mas todos nós vamos morrer um dia. Aqui, todo mundo vai morrer”, disse Bolsonaro.

Militares ouvidos pela coluna, que costumam descartar com veemência qualquer possibilidade de apoiarem algum ímpeto mais ditatorial de Bolsonaro, dizem que o presidente às vezes “escolhe mal as palavras que usa”. Isso não é novidade.
A fala de Bolsonaro, com uma provocação velada ao futuro presidente norte-americano, não é endossada pelos militares, não é levada a sério. E nem deve ser.
UOL/montedo.com

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