Escolha uma Página

Artigo do ex-porta-voz Otávio Rêgo Barros, com críticas veladas ao presidente, foi respondido com ataque por deputado governista

ROSANE DE OLIVEIRA
No tempo em que serviu ao presidente Jair Bolsonaro como porta-voz, o general Otávio Rêgo Barros comportou-se como um diplomata. Não levantava a voz, respondia aos jornalistas em tom monocórdio, sempre usando a expressão “o senhor presidente”. Destituído do cargo, Rêgo Barros manteve o silêncio obsequioso, até que reapareceu na cena pública na terça-feira (27) com um artigo no Correio Braziliense que, mesmo sem citar nomes, tem destinatário inequívoco: Jair Bolsonaro.
Se havia alguma dúvida de que era Bolsonaro o alvo de uma frase afiada feito lança, o deputado Bibo Nunes (PSL-RS) se encarregou de vestir o chapéu no presidente.
Rêgo Barros escreveu: “Os líderes atuais, após alcançarem suas vitórias nos coliseus eleitorais, são tragados pelos comentários babosos dos que o cercam ou pelas demonstrações alucinadas de seguidores de ocasião”.
Mordido, Bibo distribuiu em grupo de WhatsApp: “O general Rêgo e mais um desleal, que imaginava ser mais do que é. Se deparou com a realidade é quis descontar no presidente Bolsonaro, que lhe deu ampla visibilidade e ele mostrou que não tinha preparo para tanto. Mais um que se achava mais realista que o Rei. Vai pra fila!”
Bibo fala com desprezo do general, como outros bolsonaristas falaram de outros “anjos caídos “ depois de servir ao governo com dedicação e, em alguns casos, com alguma subserviência. O general Santos Cruz é um exemplo emblemático.
Mil vezes mais preparado que o chefe, Santos Cruz saiu do governo espinafrado pelos filhos do presidente e tratado de forma desrespeitosa pelo guru do bolsonarismo, o astrólogo Olavo de Carvalho. Em respeito ao general, não vale a pena citar as expressões escatológicas usadas pelo astrólogo da Virgínia.
Uma análise linha a linha do artigo de Rêgo Barros sugere que ele não escreveu o texto num arroubo. Cada palavra parece medida com régua e pesada em balança de precisão. Tampouco passa a ideia de um texto solitário. O espírito da caserna é perceptível nas linhas e nas entrelinhas.
Por conta própria ou por omissão diante dos ataques dos áulicos que o cercam, Bolsonaro está queimando as pontes com os militares. Em outras palavras, está brincando com fogo. Corre o risco de restar sozinho — ou apenas com o general Augusto Heleno, que tudo aceita, ou com o ministro Eduardo Pazuello, adepto da tese de que “um manda, outro obedece”.´
GAÚCHAZH/montedo.com

Skip to content