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Imbel e Sig Sauer negociam produzir no Brasil pistolas a serem vendidas a polícias militares, após problemas com armas nacionais. Em 2019, filho do presidente disse em redes sociais que empresa pretendia instalar fábrica no país. Agora, é negociada apenas parceria.

Tahiane Stochero, G1
O Exército está negociando uma parceria entre a estatal brasileira Imbel e a fabricante Sig Sauer para começar a produzir armas alemãs na cidade mineira de Itajubá. A previsão de quando a produção começa e quais armas foram escolhidas para serem fabricadas no Brasil não foram divulgadas até o momento.
A expectativa, porém, é que sejam fabricadas em Minas Gerais pistolas para serem vendidas às polícias militares de todos os estados, após as similares nacionais da Taurus, que eram adquiridas pelas forças de segurança até então, apresentarem problemas. Segundo o Exército, a “prioridade” da Sig Sauer é atender o mercado policial.
Em 2019, o governo federal autorizou PMs e polícias civis a adquirem armas importadas. A partir disso, a fabricante austríaca Glock conseguiu espaço no mercado brasileiro, como a realização da venda de 40 mil unidades para a PM de SP.
Porém, o custo de importação ainda é um entrave em discussão em algumas regiões. (veja vídeo da PM paulista testando a nova arma).
Agora, as tratativas com a alemã Sig Sauer estão avançadas e ocorrem após o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), um dos filhos do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), postar nas redes sociais ter recebido representantes da empresa no Brasil e ter testado armas da companhia.
Na ocasião, Eduardo disse nas redes sociais, porém, que a Sig Sauer pretendia instalar uma fábrica no Brasil. Ele defendeu ainda publicamente atuação política na questão, para que “burocracias” não “emperrassem a instalação”.
Agora, porém, a decisão é outra. A Sig Sauer não instalará uma planta aqui, mas fará uma parceria com a Imbel para que a estatal produza em algumas de suas três fábricas no país as armas alemãs. A Imbel é a indústria de armas do governo federal que vende produtos para as Forças Armadas, com o fuzil utilizado pela tropa no dia a dia.
Após Bolsonaro assumir a presidência em 2019, vários decretos federais foram expedidos para flexibilizar o comércio e a aquisição de armas estrangeiras por forças de segurança e por civis no país – o monopólio, até então, era da fabricante nacional Taurus. O comércio local de munições ainda continua sendo monopólio nacional.
Após a divulgação de reportagens sobre a questão, Eduardo Bolsonaro disse nas redes sociais que sempre foi “a favor de qualquer empresa de armas vir produzir e gerar empregos no Brasil” e que “várias pistolas portadas por policiais no Brasil são de qualidade duvidosa, havendo relatos de disparos com meras chacoalhadas”.
As pistolas da Taurus foram alvo de investigação pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público de Distrito Federal, Paraíba e São Paulo devido a reclamações sobre problemas com as pistolas usadas no dia a dia pelas corporações policiais.
O G1 questionou o gabinete do deputado, a Taurus e a Sig Sauer sobre se gostariam de se manifestar sobre as negociações entre a Imbel e a empresa alemã de armas, e aguarda retorno.

Parceria para produzir armas
O Exército diz que a aproximação com a Sig Sauer começou um ano antes do post de Eduardo Bolsonaro nas redes sociais, na Feira Internacional de Segurança Pública, Corporativa e de Defesa (LAAD), em 2018, no Rio de Janeiro, e que “busca por parcerias tecnológicas, comerciais e industriais, sem vínculos acionários”.
A corporação não se manifestou sobre o apoio de Eduardo Bolsonaro na negociação mas diz que a parceria, agora, “poderá resultar na nacionalização de produtos do portfólio” da Sig Sauer.
O processo de nacionalização de produtos controlados pelo Exército, como armas, munições e explosivos, por fabricante nacional, “segue um rito de anuências, onde vários entes governamentais participam”.
Segundo o Exército, as negociações estão em fases avançadas:
“No momento, as duas empresas aguardam as anuências dos seus governos, Brasil e Estados Unidos [onde a Sig Sauer possui fábrica], para a nacionalização de produtos do portfólio da empresa. No Brasil, a Imbel enviou a documentação sobre o tema para o Conselho de Nacionalização de Produtos Controlados pelo Exército, enquanto a Sig Sauer, nos Estados Unidos, está tomando as providências necessárias para a consecução do objeto de parceria com a Imbel, de acordo com a legislação daquele país”, disse o Exército em nota.
A Imbel possui cinco fábricas: duas em Minas Gerais, em Itajubá e Juiz de Fora, uma em Piquete (SP), e duas no Rio de Janeiro, em Magé e na capital.
Quanto à destinação das armas a serem produzidas pela Imbel a partir de desenhos da Sig Sauer, o Exército informou que “a destinação dependerá dos armamentos que serão nacionalizados”, mas que o mercado preferencial da empresa é o policial.
“Caso seja concretizada toda negociação, visualiza-se que a produção seja realizada na fábrica de Itajubá, em Minas Gerais”, disse a corporação.
G1/montedo.com

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