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ADESTRAMENTO NOCIVO NO “CIGS” E SITUAÇÃO DOS MEIOS
Estamos priorizando uma infantaria mecanizada, de emprego eminentemente fortuito, contra inimigo mais do que improvável a partir do cone sul, em prejuízo de outra de emprego certo, mais do que fatal se lhe faltarem os meios na Amazônia

Paulo Ricardo da Rocha Paiva*
Desde 1966, no curso de guerra na selva ministrado pelo “CIGS”, já se formaram em torno de quatrocentos e oitenta e dois militares alienígenas de cerca de vinte e nove países, entre estes, notórios contestadores da nossa soberania na grande região norte, tais como a França (108 alunos) e os Estados Unidos (26)). Já o Reino Unido aproveitou a Guiana (40 ), sua ex colônia, todavia integrante da Comunidade Britânica de Nações/Commonwealth para marcar sua presença naquele centro localizado justamente em Manaus/AM, sede do Comando Militar da Amazônia/CMA.
É de se perguntar, entre os franceses, quantos destes não repassaram o que aprenderam aos contingentes do Regimento da Legião Estrangeira aquartelado na sua guiana. Que não se duvide, estes “grandes predadores militares” visualizam nestes territórios ultramarinos suas pontas de lança no caso de se evoluir para o estabelecimento do famigerado corredor ecológico chamado de “Triplo A” pela comunidade internacional (leia-se grandes potências militares), este que atravessa os estados do Amapá e de Roraima. A propósito, depois da ameaça de Emmanoel Macron, seus soldados ainda estão sendo adestrados naquele centro? Com a palavra o presidente, comandante em chefe das nossas forças armadas …
As evidências estão aí, o pior cego é aquele que não quer ver. Não se pode olvidar, o Príncipe Charles estava lá quando do reconhecimento, por Lula, do “Kosovo Raposa Serra do Sol”. Ah! Não esquecer do Suriname (32 alunos), ex colônia da Holanda, pais da Comunidade Europeia e integrante da OTAN. Alerta! Atenção! Perigo! Os americanos possuem mais centros de adestramento de guerra na selva do que o próprio Brasil. A presença e a permanência destes “guerreiros universais” perambulando na Amazônia, acantonados no CIGS, não se justifica. Não, não vamos aprender nada, absolutamente nada, com eles, pois já sabem tudo que não devíamos ter ensinado. Com certeza, este nosso amadorismo franciscano, que se diga, na contra mão dos ensinamentos de Sun Tzu, vai nos custar bem caro, mais menos dia! Em contra partida, e a infantaria de selva do EB a quantas anda? Está bem armada? Estaria bem sortida com lança rojões apropriados como os ” RPG” para abater helicópteros e embarcações artilhadas de última geração do oponente? Existem embarcações táticas apropriadas suficientes para apoiar um único BIS completo em termos de meios orgânicos (efetivos e material) em sua operações fluviais? Não estariam os meios fluviais existentes (é bom cair na realidade), em sua esmagadora maioria baseados em Manaus/AM, despadronizados, vagarosos e defasados, particularmente quanto ao seu poder de fogo? Estes meios seriam capazes de, em tempo útil, suprir as necessidades plenas de um BIS isolado na imensidão da floresta? Não podemos nos enganar, estas informações estão sendo repassadas pelos militares alienígenas que vivem perambulando na capital amazonense.
E os meios em helicópteros? Os batalhões de infantaria de selva/BIS são em torno de quinze, disseminados por toda a grande região norte. Existem aeronaves suficientes para deslocar um único destes batalhões, de uma só vez, pelo batalhão de aviação do Exército baseado em Manaus/AM? Por que, ao invés de se gastar com viaturas GUARANYS, não se investe aumentando o número de aeronaves desta unidade? Se o 7 BIS de Boa Vista/RR precisar deslocar seus meios para o enclave separatista Yanomany (aquele apadrinhado pelo entreguista Fernando Collor) vai ser um rebu. Imaginem então se a unidade precisar de reforço. Será que se vai aguardar o batalhão de infantaria de selva aquartelado em Manaus/AM? Ah! Mas esse batalhão é aeromovel! Será que é? Olha que existiam apenas 12 (doze) helicópteros do EB na capital do estado amazonense até poucos dias. Se esta realidade ainda se configura, seriam necessárias mais de quatro vagas para deslocamento de toda a unidade. Ah! Mas e a FAB com o KC-390? Minha gente! Pé no chão! Quando um esquadrão completo destes aviões estiver decolando, as reservas indígenas descomunais, admitidas criminosamente na faixa de fronteiras, já terão de há muito virado colônias de férias para a dupla príncipe Charles/presidente Macron. Não adianta “tampar o sol coma peneira”. Estamos priorizando uma infantaria mecanizada, de emprego eminentemente fortuito, contra inimigo mais do que improvável a partir do cone sul, em prejuízo de outra de emprego certo, mais do que fatal se lhe faltarem os meios na Amazônia. Precisamos enxergar! Não se podem fazer milagres! É morrer na posição desarmado, com mobilidade carente, quer fluvial quer aérea. Mesmo assim, o brado sempre será válido para manutenção do espírito de corpo. Por isso mesmo que se exclame, de forma patriótica e com a vibração que sempre nos acalenta…SELVA! BRASIL ACIMA DE TUDO! Mas, aqui entre nós, tudo ficaria bem mais fácil se dispuséssemos de mísseis de cruzeiro. Muito melhor ainda ficaria se decidido, de pronto e para sempre, o desenvolvimento de um “artefato” doméstico!
*Coronel de Infantaria e Estado-Maior

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