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REFILE - CORRECTING DATE PHOTO WAS TAKEN Israeli army officers salute in front of the flag draped coffin of former Israeli prime minister Ariel Sharon as he lies in state before a memorial ceremony at the Knesset, Israel's parliament, in Jerusalem January 12, 2014. Israel beefed up security for former Sharon's funeral near the Gaza border on Monday and warned the enclave's Palestinian rulers not to allow rocket fire during the ceremony, which U.S. Vice President Joe Biden will attend. Picture January 12, 2014. REUTERS/Darren Whiteside (JERUSALEM - Tags: POLITICS OBITUARY) ORG XMIT: JER1
Mulheres integrantes do exército de Israel (Darren Whiteside-14.fev.2013/Reuters)
DANIELA KRESCH
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM EIN YAHAV (ISRAEL)
O vaivém de cabos, sargentos, tenentes e capitães é intenso. Todos se preparam para um exercício-surpresa noturno na batalhão Bardelás (guepardo, em hebraico), ao sul do mar Morto, na desértica fronteira com a Jordânia.
A missão: evitar um atentado terrorista simulado a um posto de gasolina. Mas um detalhe distingue esse batalhão de outros da infantaria do Exército israelense: é uma das quatro unidades mistas, nos quais combatentes homens e mulheres treinam juntos.
O batalhão Bardelás é exemplo de uma revolução no serviço militar do país, o único do mundo no qual o alistamento feminino é obrigatório, assim como o masculino. Em 2017, um recorde de 2.700 mulheres decidiram abrir mão de funções burocráticas em prol de postos de combate —15% a mais do que no ano passado e 500% a mais do que há apenas cinco anos. Elas já são 7% do total de combatentes.
“Dizer ‘combatentes mulheres’ já não é mais tão esquisito”, diz a cabo Netali Shem Tov, 19, há um ano no Bardelás. “Tem chauvinismo em todo lugar, mas aqui temos a possibilidade de mostrar o nosso valor.” Netali diz que sua motivação é passar por experiências novas e, quem sabe, abrir caminho para uma carreira como policial ou agente penitenciário.
O aumento segue uma tendência mundial. O governo britânico decidiu em setembro pelo fim da proibição do alistamento do “sexo frágil” para postos de combate.
A RAF (Força Aérea Real, na sigla em inglês) já abriu inscrições. Em 2018, será a vez da Marinha. Nos EUA, o processo começou em 2016, com o alistamento feminino para unidades como a famosa Navy Seals. Em 27 de novembro, foi anunciado que 22 mulheres conseguiram passar pelo primeiro treinamento.
O Bardelás, criado em 2015, é o segundo batalhão misto do Exército de Israel. O primeiro foi o Caracal, em 2000, que, por anos, foi considerado apenas um tubo de ensaio para mulheres mais ousadas. Depois do Bardelás, no entanto, outros dois batalhões surgiram: o Leões do Jordão e o novíssimo Leão do Vale.
Eles refletem o interesse das mulheres em uma participação mais igualitária nas Forças Armadas em um país no qual a segurança é prioridade e farda confere prestígio.
Para dar chance às soldados, o general Mordechai Kahana decidiu, em agosto, baixar a altura da parede de escalada pela qual todos os recrutas da infantaria têm que passar no treinamento final. Ele também aceitou diminuir o peso dos coletes das soldados durante os exercícios.
“Apesar de tudo, o treinamento aqui ainda é do mais alto nível. Carregamos menos peso porque somos mulheres, mas fazemos tudo como os homens”, afirma a cabo Danielle Suissa, 19, há oito meses no Bardelás.
Paralelamente, foi anunciado que 13 soldados mulheres das Forças Blindadas começarão a patrulhar a fronteira de Israel com o Egito, em três tanques, em dezembro.
Tudo isso atraiu a atenção dos que consideram as medidas um perigo para a segurança nacional.
A ONG Irmãos em Armas lançou campanha dizendo que mulheres desviam a atenção dos homens em batalhas, além de serem mais fracas e mais suscetíveis a lesões.
Outro grupo de 70 oficiais da reserva divulgou carta pedindo a suspensão do alistamento. “Esse processo coloca sobre o Exército uma nuvem negra e perturbadora”.
Em resposta, 350 oficiais da reserva, homens e mulheres, divulgaram carta em prol da integração feminina em posições de combate.
ASSÉDIO SEXUAL
Outras preocupações dão as caras quando se fala na convivência entre moças e rapazes de 18 a 21 anos em bases mistas. Apesar de os dormitórios e banheiros serem totalmente separados, jovens dos dois sexos convivem a maior parte do tempo.
Durante o serviço militar em Israel, 1 em cada 6 mulheres reclama de assédio. Não há números específicos quanto a batalhões mistos, mas a preocupação é clara.
Há sentinelas que evitam que os rapazes entrem nos dormitórios das moças e vice-versa. Quando o batalhão pernoita em campo, a tenda das mulheres é separada da dos homens por um pano.
A sargento Belle Karminski, 20, uma das primeiras mulheres do Bardelás, entende o problema, mas garante que nada sério aconteceu nos quase três anos de existência do batalhão. “Os soldados sabem que não podem fazer besteira porque serão punidos”.
Belle lutou para conseguir a posição. Como é filha única, o Exército exigiu que sua mãe aprovasse a opção.
Na prática, só 58% das moças de 18 anos, em Israel, vestem o uniforme militar. As casadas, grávidas e religiosas são dispensadas. Até 2000, serviam num Exército “paralelo”: a Corporação das Mulheres (“Chen”, na sigla em hebraico). Só em 2001 as mulheres passaram a fazer parte das Forças Armadas “reais”.
Hoje, 85% das posições militares estão abertas a elas. Já ultrapassam os homens no percentual de oficiais: 57% contra 43%. Mesmo assim, o estigma ainda é grande.
“Meus amigos riram, no começo. Mas depois viram que não somos de ‘segunda classe'”, conta o primeiro-sargento Sasha Vaknin, 21.
O oficial, que é religioso, teve que superar as suspeitas da noiva. “No treinamento básico, eu ficava muito sem celular. Ela queria saber tudo. No final, nosso relacionamento saiu fortalecido.”
FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com
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