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DFPC
O Exército está mudando o comando da DFPC (Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados), órgão que está sob investigação do MPM por cobrança de propina de empresas que trabalham com blindagens de veículos. Pelos menos onze militares estão sob suspeita.
O Informex 021, de 2 de julho,  designou para o cargo de chefe da DFPC o Coronel de Material Bélico Ivan Ferreira Neiva Filho, que alcançará o generalato em 25 de agosto. 
A princípio, pode parecer simples substituição de rotina, mas duas circunstâncias apontam o contrário: 

– O atual diretor, General de Brigada Engenheiro Militar Luis Henrique de Andrade passará a situação de adido ao DCT (Departamento de Ciência e Tecnologia). Ou seja, não vai assumir nova função após a exoneração. A medida sinaliza uma possível passagem para a reserva remunerada após a transmissão do cargo, para que não se caracterize o afastamento puro e simples.

– A 300ª Reunião do Alto Comando do Exército encerrou apenas na sexta-feira (3). A liberação antecipada da lista de promoções e movimentações de oficiais generais permitiu a divulgação da notícia ainda na quinta (2), pelo Jornal Nacional, e sinalizou para o público civil que providências foram adotadas pelo Comando.


A leitura óbvia para qualquer militar experimentado é que, mais uma vez, o Exército ‘acomoda as melancias conforme o andar da carroça’, agindo com discrição, para preservar a imagem da instituição. A fórmula é conhecida: quão mais alto o escalão, maior a preservação.

Pergunto: até que ponto essa prática é salutar? 
Se, por um lado, ajuda a manter os índices de credibilidade das Forças Armadas, por outro, mascara a realidade. Afinal, toda instituição tem suas mazelas, pelo simples fato de que seus integrantes são seres humanos, portanto imperfeitos e falíveis. Se a prática impulsiona os já elevados índices de popularidade, por outro lado, empurra ladeira abaixo o respeito da tropa por seus comandantes.
Na terra de Tio Sam, a postura é outra: os deslizes são divulgados normalmente, ‘duela a quien duela’, como diria Collor de Melo. Um exemplo: ano passado, nada menos que o FILHO DO VICE-PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS foi dispensado da marinha americana por uso de cocaína. Confessou estar envergonhado. O pai, Joe Biden, não levantou uma palha para defendê-lo. Em boa parte, isso explica porque ‘eles’ – os ianques – são ‘Eles’. 
Já as manobras do Alto Comando ajudam a entender porque ‘Nós’ somos cada vez mais ‘nós’. E porque José Genoíno ainda continua ostentando a Medalha do Pacificador.

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