Escolha uma Página
Caça Mirage 2000 faz último voo e é aposentado pela FAB
Último modelo em uso partiu da base aérea de Anápolis (GO), às 10h42.
Aeronave será aposentada e substituída pelos caças suecos.

Tahiane Stochero
Do G1, em Anápolis (GO)
A aeronave mais potente do Brasil, o caça Mirage 2000, acaba de se aposentar. Após completar mais de 10,6 mil horas de voo no país, sucateado, sem munição e com alto custo de manutenção, o avião, que já deveria ter deixado de operar em 2011, fez o voo derradeiro na manhã desta terça-feira (31) (veja ao lado vídeo da decolagem).
O último modelo em uso, o avião 4948, partiu da base aérea de Anápolis, em Goiás, às 10h42, com destino ao museu da Força Aérea no Rio de Janeiro, onde pousou às 11h53 e ficará como peça de museu.
O G1 vai publicar nesta quarta-feira (1º) um vídeo com a íntegra do último voo do Mirage.
Só a partir de 2018 chegará o substituto: o sueco Gripen, que foi escolhido no início de dezembro pela presidente Dilma Rousseff como a nova aeronave de combate brasileira. Serão compradas 36 aeronaves ao custo de US$ 4,5 bilhões.
Até lá, o Mirage 2000 será substituído temporariamente pelo F-5, uma aeronave de menor potencial bélico e mais lento – atinge até 1,9 vezes a velocidade do som.
O capitão Augusto Ramalho, de 33 anos, fez a última hora de voo do Mirage, do avião que desde 2006 protegia o espaço aéreo do país, em especial, as fronteiras da Amazônia, do Centro Oeste e do o Planalto. “É um momento de dor, de despedida. O avião é como parte do nosso corpo, faz parte do piloto. O conhecemos por dentro para não correr riscos”, diz o oficial.
Foi o Mirage que destruiu as vidraças do Supremo Tribunal Federal em julho de 2012, quando a Aeronáutica ainda temia uma indefinição quanto ao futuro da aviação de caça. Isso porque a aeronave pode chegar até 2,2 vezes a velocidade do som.
Caça Mirage brasileiro antes de decolar para o último voo oficial (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Caça Mirage brasileiro antes de decolar para o
último voo oficial (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Na ocasião, o piloto exagerou na velocidade a baixa altitude (cerca de 300 metros) e acabou sendo transferido para outra unidade.

Leia também:
Mirage, adeus!

Comprados em uma estratégia tampão da França já usados em 2004, os 12 Mirage 2000 completaram 10,6 mil horas de voo no país desde então. Desde o início do ano, apenas 6 estavam voando – o restante começou a ser decepado (ter peças tiradas) para que o restante pudesse continuar operando, devido ao nível de sucateamento. A última hora de voo custou mais de US$ 7 mil. Já o Gripen, cujo contrato ainda será assinado e será produzido 70% no Brasil, deverá ter o custo de hora de voo calculado em US$ 4,5 mil.
O clima em Anápolis nesta manhã foi de um misto de alegria e tristeza. O Mirage 4948 assumiu a prontidão às 8h. “Quando estamos de prontidão, pode soar o alarme a qualquer momento. Temos que sair correndo e entrar no avião. Só saberemos a caminho o que está acontecendo”, explica o capitão Ramalho, que tem mais de 2 mil horas de voo na aviação de caça. “Somos chamados para interceptar qualquer avião que sobrevoe aqui sem autorização, seja criminoso ou que esteja sem plano de voo”, diz o oficial.
O caça pode atingir até 15 km de altitude e carrega bombas. Para ser levado para o Rio, os mecânicos tiveram que tirar sua munição: 125 cartuchos de bombas incendiárias que ficam armazenados em um canhão.
O capitão  Augusto Ramalho, de 33 anos, fez a última hora de voo do avião que desde 2004 protegia o espaço aéreo do país,  (Foto: Tahiane Stochero/G1)
O capitão Augusto Ramalho, de 33 anos, fez a última hora de voo do avião que desde 2004 protegia o espaço aéreo do país, (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Foi o Mirage que, em março de 2009, abordou um monomotor roubado do aeroclube de Luziânia, em Goiás, por um homem que viajou com sua filha de 5 anos e tentava chegar a Brasília. O avião acabou sofrendo um acidente e caiu no estacionamento de um shopping em Goiânia (GO). Ambos morreram. Naquela situação, os pilotos tentaram convencer o homem a pousar e poderiam realizar um tiro de abate caso ele não obedecesse. A decisão do tiro de abate de oficiais do alto comando da Aeronáutica, em Brasília, e só pode ocorrer em último caso – como em ataques terroristas – ou se o piloto se sentir ameaçado.
“Somos treinados para qualquer situação. O avião parte armado para todas as missões. Se você comandou o avião para colocar munição, você tem certeza do que pode fazer. Quando se dá um disparo, não tem volta. É como o tiro de uma pistola”, afirma o capitão.
O comandante da base aérea de Anápolis, Sérgio Bastos, também piloto de caça, lembra que o Mirage completou sua tarefa na Aeronáutica ao permitir que pilotos e mecânicos aprendessem a lidar com novas tecnologias. A versão anterior do Mirage, o Mirage III, foi utilizada entre 1973 e 2004, e foi determinante na Guerra das Malvinas (1982), quando um avião cubano e outro inglês foram interceptados ao sobrevoarem sem autorização o país e obrigados a pousar.
A previsão é que até as Olimpíadas de 2016 modelos do Gripen sejam transferdios pela empresa Saab ao Brasil até que a nova versão, o Gripen NG, seja produzido. O avião sueco foi escolhido como o novo caça do Brasil, em detrimento do F-18, da norte-americana Boeing, e do Rafale, da francesa Dassault, devido à transferência de tecnologia: 70% da aeronave terá fabricação nacional.
G1/montedo.com
Skip to content