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Oficial explica por que o Brasil não usa o fuzil AK-47; ouça

AK-47FABIO ANDRIGHETTO

da Livraria da Folha
Os motivos históricos são claros. O Brasil, aliado dos Estados Unidos e da Otan (Organização Tratado do Atlântico Norte), não poderia adotar o AK-47 –um equipamento soviético– como fuzil das forças armadas durante a Guerra Fria. Porém, o Muro de Berlim, símbolo do período, caiu há mais de 20 anos.
Atualmente, a arma padrão usada pelo Exército Brasileiro é o Fuzil Automático Leve (FAL 7,62), seu custo é de aproximadamente R$ 4.700 por unidade. Os AKs são baratos, em alguns lugares do mundo custam menos de cem dólares (cerca de R$ 166), e, raramente, ultrapassam a um terço do valor do FAL.
O território brasileiro é conhecido pela diversidade ambiental e climática –floresta úmida (também chamada de rainforest) ao norte, o pantanal e cerrado à oeste, o clima semiárido à nordeste e os pampas gaúchos ao sul. O modelo AK provou sua eficiência no deserto afegão, no clima chuvoso do leste asiático e em temperaturas abaixo de zero na Rússia.

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De acordo com o livro “AK-47” (Record, 2011), a “biografia” desse instrumento bélico, durante a Guerra do Vietnã, militares norte-americanos encontraram um soldado vietcongue morto e enterrado com o seu AK. O coronel David H. Hackworth aproximou-se do corpo, retirou a arma da lama, puxou o ferrolho e disse: “eu vou mostrar para vocês como uma verdadeira arma de infantaria funciona”. E disparou 30 tiros como se o fuzil estivesse novo em vez de enterrado por meses. O evento contribuiu ainda mais para o desgaste da imagem do M-16, usada pelos Estados Unidos, e para a lenda crescente de seu rival comunista.
Em caso de guerra, exigindo a convocação de reservistas, os novos recrutas teriam pouco tempo de treinamento, outra vantagem do armamento russo. Famoso por sua robustez e fácil manejo, pode ser usado com pouco treinamento e não requer manutenção e limpeza frequente.
Alessandro Visacro, autor de "Guerra Irregular"
Alessandro Visacro, autor de
“Guerra Irregular”, é oficial das Forças
Especiais do Exército (Divulgação)
Neste momento, qualquer administrador recém-formado não teria dúvidas ao escolher a melhor opção de equipamento. Então, com todas essas vantagens, por qual motivo o Brasil não usa o modelo como fuzil padrão?
Para explicar a questão, a Livraria da Folha entrou em contato com Alessandro Visacro, oficial das forças especiais do Exército brasileiro e autor de “Guerra Irregular” e “Lawrence da Arábia”. Em entrevista, Visacro esclareceu os motivos da escolha e afirmou que o fuzil de assalto do século 21 ainda está para ser criado. Ouça.
Diferente da imagem do cossaco sanguinário, Mikhail Kalashnikov é notório por sua educação e nunca lucrou um centavo com as vendas da arma. Por diversas vezes, Kalashnikov lembrou que seu fuzil foi projetado com a intenção de defender a União Soviética dos nazistas. “Estou orgulhoso de minha invenção, mas estou triste por ela ser usada por terroristas. Preferia ter inventado uma máquina que as pessoas pudessem usar e que ajudasse os fazendeiros no seu trabalho –por exemplo, um cortador de grama”, se lamenta.
FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com
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