Geninho, o craque que virou pracinha da FEB

Filho de Geninho relembra ‘pausa’ do pai para servir Exército na 2ª Guerra
Ex-jogador do Botafogo, ao lado de três companheiros, serviu à Força Expedicionária Brasileira e testemunhou morte de colegas durante conflito
Efigênio de Freitas Bahiense (Foto: Reprodução SporTV)
Fotografia registra retorno de Geninho e outros pracinhas ao Brasil após a guerra (Foto: Reprodução SporTV)
Geninho chegou ao Rio de Janeiro, para vestir a camisa do Botafogo, em 1940. Ao desembarcar, imaginava que defender o clube seria sua grande missão nos anos seguintes. Até aparecer outra tarefa, fora dos gramados: servir a Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial. A invasão da Sicília, no sul da Itália, em 10 de julho de 1943, foi o estopim para participação brasileira, que declarou guerra à Alemanha e à Itália (assista ao vídeo ao lado). Setenta anos depois, o filho do ex-jogador relembra essa história e a tentativa do pai de não se juntar aos pracinhas, em vão.
– Ele tentou de todas as maneiras… foi pra uma junta médica, aí disseram: “Pô, Geninho, você está todo dia no jornal, joga pelo Botafogo, como vou dizer que você está sem condição física… não posso te liberar” – contou Zeca Bahiense.
Efigênio de Freitas Bahiense, o Geninho, embarcou para a Itália em setembro de 1944. Ele e outro três jogadores do Glorioso estavam entre os 25 mil pracinhas que lutaram na Segunda Guerra. O jogador retornou e pôde dar continuidade à carreira, mas nem todos tiveram a mesma sorte. O filho lembra uma das histórias, recheada de tristeza.
– A questão de ele estar sentado com um grupo, levantar e se dirigir para um outro grupo. Ele deu dez passos, veio uma bomba e matou todo mundo que tava sentado… ele falou, por que Deus me tirou daqui?! Os caras falaram, você está vivo, você está vivo… não sobrou ninguém de onde ele estava – disse.
Cerca de 470 pracinhas brasileiros morreram na guerra, que terminou em setembro de 1945 com a vitória dos aliados, a quem o Brasil ajudou a reforçar. A volta para casa foi emocionante. Em casa, Geninho pôde voltar a vestir as cores do Botafogo e, no futebol, também venceu: fez parte do ataque campeão carioca de 1948, que quebrou um jejum alvinegro de 13 anos sem títulos.
Mineiro de Belo Horizonte, onde iniciou a carreira no Palestra Itália, atual Cruzeiro, acabou eternizado no Rio de Janeiro como “Arquiteto”, apelido que recebeu no Botafogo pela facilidade com que projetava as jogadas no meio-campo. Talento que mostrou diante dos italianos durante a guerra, em jogo que relatou por carta ao presidente do Botafogo na época, Adhemar Bebiano.
– Modéstia a parte, nesse jogo dizem que ele comeu a bola – contou o filho, orgulhoso.
Botafogo, campeão carioca 1948, Geninho (Foto: Reprodução SporTV)
Geninho (agachado, segundo da esq. para dir.) foi
campeão carioca em 1948 (Reprodução SporTV)
Fascinado pelo maior conflito entre países do século XX, o músico e escritor João Barone, autor de dois livros sobre o assunto, explica que era comum os exércitos organizarem eventos como jogos de futebol. Ele também destaca o papel do país e de seus combatentes na guerra.
– Os brasileiros cumpriram com muito brio, coragem e muita honra esse esforço contra o nazifascismo na Itália – considerou.
Além de ter sido um pracinha e brilhado como jogador, Geninho ainda escreveu história como treinador e foi o primeiro técnico campeão brasileiro, com o Bahia, em 1959. Também comandou clubes como Botafogo, Cruzeiro e Palmeiras.
SPORTV/montedo.com

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