Êxodo na caserna

Carlos Alexandre
O êxodo de oficiais das fileiras militares, revelado domingo no Correio, expõe problema gravíssimo do funcionalismo público e denota a fragilidade das ambições do governo brasileiro em exercer um papel relevante na comunidade internacional. A defasagem salarial em relação à iniciativa privada, motivo que contribui sensivelmente para a fuga de talentos na elite militar nacional, se soma às dificuldades de ascensão na carreira, problema recorrente mesmo no funcionalismo civil.
É desalentador saber que cinco anos de dedicação exclusiva à carreira, com seguidos deslocamentos com a família para diferentes cidades, resultam em acréscimo de R$ 594,74 no contracheque de um oficial formado nas melhores escolas do país. Preocupa igualmente o protesto de integrantes da reserva contra a influência política na escolha das mais altas patentes das Forças Armadas. “Ninguém assume isso lá dentro, mas o fato real é que, além do mérito, a questão política é um fator fortíssimo para um coronel ascender a general”, queixou-se um oficial ao Correio, sob condição do anonimato. Quem conhece um pouco do cotidiano de Brasília sabe que a indicação, muitas vezes, se impõe sobre os méritos na Esplanada.

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Historicamente, os militares têm sido uma das categorias mais penalizadas pelas distorções na administração pública federal. As dificuldades vão além dos soldos diminutos e se estendem para o maquinário obsoleto. É de conhecimento público que o Brasil está longe de representar uma força militar expressiva no contexto internacional. Operações como a ação humanitária no Haiti e o combalido projeto na Antártida são credenciais insuficientes para o postulante a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. A ascensão do Brasil para um patamar de grandeza na comunidade internacional passa necessariamente por maciços investimentos na formação e na retenção de talentos da caserna, bem como na modernização das nossas forças militares.
Convém ressaltar que há uma série de problemas transnacionais a desafiar a eficiência dos nossos militares. Para citar apenas dois, registre-se o tráfico de drogas nas fronteiras brasileiras e as missões conjuntas em regiões de conflito. A qualificação das Forças Armadas constitui uma prioridade, especialmente no momento em que as atenções mundiais estarão voltadas para cá ao longo dos próximos anos.
Correio Braziliense, via clipping MP/montedo.com

10 respostas

  1. A fuga só vai aumentar!!! Ainda mais agora que sexta-feira terá expediente integral em toda força. Adeus ao bicos da sexta-feira de tarde para complementar o salário.

  2. Todos os coronéis sabem a regra do jogo. A promoção ao generalato é feita por escolha. é claro que há um logo processo que se inicia na Comissão de Promoções de Oficiais, no Estado-Maior, até chegar a reunião do Alto Comando, quando é elaborada a lista que vai ao presidente da república para a escolha. Os coronéis que não quiserem se submeter ao processo que peças as contas.

  3. Faço alguns trabalhos nas sextas-feiras à tarde. Meus ganhos são o dobro do ganho na Força. Só lamento para mim se realmente acabar… Se não faltasse apenas 3 anos para reserva, pensaria em dar baixa. Mas….

  4. Concordo com o camarada das 15:54. Não sei em que planeta nossos chefes vivem, que resumem a insatisfação dos militares à uma questão puramente salarial. Tenho 15 anos de serviço, e não tenho saco para estudar para concursos; Porém, não me acomodei, e hoje tenho um negocio que esta superando os vencimentos pagos pelo EB. No meu caso, e acredito que seja igualmente compartilhado por muitos outros companheiros, o que mais incomoda, é o AMADORISMO do Exército Brasileiro.

  5. É…ninguém comenta dos praças de carreira em geral..as FFAA foram feitas pra eles (oficiais)…mas se nem eles estão querendo mais…

    Pesquisem, a debanda geral de praças está ocorrendo sem ser noticiada, quando abrirem os olhos não terão nem efetivo pra tirar o serviço mais……

  6. no quartel onde estou foram 17 aprovados na primeira fase do concurso da PM, entre eles 3 sgt de carreira e dois temporários. Tomara que todos sejam aprovados em tudo e partam do EB para uma melhor.

  7. SÓ RECLAMAÇÕES E NENHUMA AÇÃO.

    Só entenderei os desabafos e reclamações se o MILITAR disser o que Ele tem feito para mudar esse quadro caótico, se nada fez, nada vai mudar!!!
    Nossa profissão é lutar, vamos à luta companheiro … se mexa !

    Votou em qual candidato militar ? Indicou algum candidato militar para a sua família, parentes e conhecidos ?

    Os seus e-mail tratam do que junto aos seus contatos ?

    Veja, acompanhe e divulgue os trabalhos dessa Associação, em prol da votação da MP do Mal (LRM).
    http://www.amarpfa.com/

    Faça contato com os Senadores para coloca-la em votação. Enfim, faça alguma coisa. Tenho dito.

  8. A notícia é sobre a elite militar, além dos coroneis que, quando são promovidos a gen, o QI transforma-se imediatamente em mérito. E o praça louco achando que faz diferença ele ficar ou não…

  9. Eu já tou procurando um concurso pra fazer e meter o pé. Dois meses na tropa e já não acredito mais no EB. Mta missão rolha, ordem unida, faxina e nenhum emprego operacional. Não estudei e dediquei 5 anos na formação pra ser ficar apenas tirando serviço, cumprindo missão burocrática e fazendo coisa prsa "inglês" ver. Esse aumento foi uma baixaria, tenho capacidade de passar num concurso e ganhar mto mais. É o que recomendo pra todos que tb não estão satisfeitos, metam o pé porque a tendência é só piorar.

    Asp OF Cav 2012.

  10. Esse TITANIC chamado FFAA, porque é grande, obsoleto e está afundando, está desmoralisado por Dona Dilma Terrorista, Luiz Lalau da Silva e seus capangas, MAS O PIOR Ë QUE OS GENERAIS, QUE PODEM FAZER ALGO, SÓ SABE PENSAR EM SUAS CARREIRAS E GALGAR UMA "BOQUINHA" NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL OU EM ALGUMA ESTATAL.
    ESTÃO FALANDO EM COTA COMPULSÓRIA NO EB. SOU ST COM 25 ANOS DE SV. SE TIVER A COMPULSÓRIA, NO BOM CARIOQUÊS: "METO O PÉ!" OU SEJA, VOU EMBORA. CHEGA DE PERDER TEMPO E DINHEIRO.
    LOBINHOS E PICA-FUMOS: ESTUDEM, PORQUE ME ARREPENDO DE NÃO TER ESTUDADO MAIS UM POUCO (FIZ 3 CONCURSOS NA ÁREA FEDERAL, JÁ NO EB).

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