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VENCEDOR
Disraeli Gomes e Ronald Cadar
“Quase tudo o que usamos, farda, coturno, arma, é da Polícia Militar. Mas a honra e a dignidade são bens familiares.”

Gustavo Goulart – [email protected]
O traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, deu azar ao tentar fugir da favela no dia do plantão do primeiro tenente Disraeli Gomes, costuma dizer uma capitã do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cefap) da Polícia Militar. Ela é mulher do oficial e tem por ele um apreço especial por considerá-lo um servidor honesto, incorruptível. Disraeli, do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), rejeitou uma propina de R$ 1 milhão para não revistar o carro onde Nem estava, resistindo às pressões de um suposto cônsul honorário da República do Congo, que insistia em proibir a inspeção, argumentando imunidade diplomática. Resistiu também à pressão do delegado Roberto Gomes, da delegacia de Maricá, que, alegando ser a autoridade máxima no local, deu ordem para que Disraeli e seus subordinados seguissem com sua ronda. Nada disso deu certo. Disraeli e o tenente Ronald Cadar, também do BPChoque, impediram a partida do Toyota Corolla que transportava o bandido. A prisão aconteceu no fim da noite de 9 de novembro, na Lagoa, pouco antes de as forças de segurança ocuparem a Rocinha, no dia 13, para a implantação de uma UPP. Disraeli, de 32 anos, trabalhou até os 21 como técnico em informática e vem de uma família humilde de Tomás Coelho. Tornou-se soldado da PM aos 22 anos, no início da década passada. Serviu como praça durante cinco anos, até ser aprovado no curso de oficiais. Tem três filhos e uma grande família que, a cada anúncio de aparição dele na mídia, costuma avisar, com orgulho, todos os vizinhos.

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O segundo-tenente Cadar, de 26 anos, antes de ingressar nos quadros da Polícia Militar vivia de biscates no município de Saquarema. Entrou nas Forças Armadas como fuzileiro naval. Ficou lá por dois anos, até ser aprovado para o posto de segundo-tenente da PM. Foi ele quem anunciou a Nem sua condição de preso, após, para surpresa de todos, o traficante mais procurado do momento no Rio ser encontrado escondido dentro do porta-malas do veículo. Ambos os tenentes admitem já ter recebido algumas ofertas de propina. Eles contam que sempre rejeitaram o suborno e só não prenderam os corruptores porque esse tipo de crime é de difícil comprovação na delegacia. A atitude do grupo comandado pelos dois oficiais – ao todo, foram 11 PMs que participaram da prisão de Nem – tem rendido frutos. Todos os policiais militares envolvidos na operação estão em processo de promoção. Disraeli vai se tornar capitão da PM, enquanto Cadar passará para o posto de primeiro-tenente. Os dois reconhecem, com humildade, que não fizeram nada além do que manda o código de conduta da Polícia Militar, mas sabem que, diante de tantas denúncias de corrupção, deram exemplo. 
– Quase tudo o que usamos, farda, coturno, arma, é da Polícia Militar. Mas a honra e a dignidade são bens familiares – resume Disraeli.
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