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Força Militar: Repressão afeta preço de drogas

MARCO AURÉLIO REIS
Ação militar das Forças Armadas na Fronteira elevou o custo das drogas no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo relatório apresentado pelo Ministério da Defesa à Vice-Presidência, o custo da pasta base de cocaína subiu 60% em Cáceres (MT) e 65% em Dourados (MS). No meio urbano, a ação repressiva fez a maconha ficar 100% mais cara em Cuiabá (MT) e em Campo Grande (MS).
Os dados obtidos por meio da inteligência conjunta das Forças Armadas e das polícias dos estados dão o tom do ataque ao tráfico de drogas que está sendo empreendido, com risco de vida para os 6.500 militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica empregados na ação. Chamada de Operação Ágata 3, a ação sufocou o tráfico e fez apreensões de entorpecentes, forçando a alta de preços provocada pela escassez de produtos que, segundo um militar ouvido pela coluna, já será sentida pelo tráfico de drogas no Rio e São Paulo no início do ano que vem.
O relatório aponta para resultado prático do aumento da presença militar em massa nas fronteiras e, de forma diplomática, se torna ingrediente no momento que os quartéis brigam por reajuste dos soldos. A definição tem que sair semana que vem.
R$ 62 BI LIBERADOS
O relatório do resultado prático da maior presença militar nas fronteiras chegou à Presidência no mesmo dia em que governo comemorava a vitória no Senado, por 59 votos a 12, da proposta da prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU) até 2015. Na prática, a proposta libera o governo federal a gastar como bem desejar 20% de suas receitas, cerca de R$62,4 bilhões.
SILÊNCIO E CRÍTICAS
“O dinheiro que falta no orçamento para o reajuste dos soldos pode resultar dessa folga de caixa que vem da aprovação do Senado”, afirma um observador. Ele avalia que o desgaste que o governo vem sofrendo nas redes sociais visitadas por militares poderia ser minimizado com uma sinalização que o reajuste sairá no ano que vem, mesmo sem um índice definido. “O silêncio vem alimentando críticas e mais críticas”, diz.
REAJUSTE INDIRETO
Na discussão de bastidores em torno do reajuste dos soldos, mais um dado está surpreendendo. A contratação de militares da reserva para Tarefas por Tempo Certo, que resultam em ganho de 30% sobre o contracheque, está sendo usada como política salarial em unidades que vêm sofrendo com pedidos de baixa antecipada. Para manter o funcionamento, o TTC está servindo para atrair quem saiu.
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