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Morre General Alecastro, patrono da Telebrás
O setor de telecomunicações está de luto nesta quarta-feira pela morte do General José Antônio de Alencastro e Silva na noite de ontem, aos 93 anos. Alencastro presidiu a Telebrás entre 1974 e 1985. Nos 11 anos à frente da estatal, a oferta da telefonia expandiu como nunca. Mais que um personagem histórico das telecomunicações no Brasil, o General Alencastro provou que era possível ampliar o serviço telefônico por meio do Estado.
Sei que a grande maioria das pessoas quando pensa no Sistema Telebrás lembra-se apenas do período de escassez de linhas telefônicas que marcou a época pré-privatização. Mas nestes tempos de revitalização da estatal, plano de banda larga e novos problemas de qualidade na oferta do serviço pelas companhias privatizadas, é importante lembrar o legado deixado por personalidades como o General Alencastro para o país.
Em uma bela nota de despedida, o comando da Telebrás cita algumas conquistas do general à frente da estatal. Sob o comando de Alencastro, a Telebrás ampliou sua clientela de dois milhões para sete milhões de brasileiros e quadruplicou o faturamento da empresa. É claro que o número parece módico em comparação com os índices atuais, onde mais de 300 milhões de celulares estão em funcionamento. Mas não podemos esquecer que foi graças aos investimentos feitos na década de 70 que o setor pode avançar hoje.
Foi nos anos 70 que a expansão das redes passou a ser vista como um instrumento estratégico para o avanço dos serviços telefônicos. Nos tempos do General Alencastro não se discutia privatizar o setor. Por isso, o governo investia na Telebrás. Muito da rede de cobre usada hoje para a oferta de telefones fixos foi construída nesta época. A estatal era vista como uma empresa sadia e eficiente, perfil que mudaria a partir da década de 80, quando começaria a contenção de investimentos públicos no setor que se alongou até os anos 90. Sucateada, a Telebrás virou presa fácil para a privatização.
Depois de tantos anos é difícil visualizar a importância do período áureo da Telebrás para as discussões que esquentam o setor de telecomunicações atualmente. Mas um dos maiores esqueletos da privatização tem relação direta com a expansão conquistada na década de 70. Boa parte do patrimônio repassado às empresas privadas é fruto dos investimentos feitos há quarenta anos no setor de telecomunicações.
Não é difícil imaginar que pouco foi adicionado entre o período de comando do General Alencastro e as privatizações. Um estudo elaborado pelo pesquisador Márcio Wohlers, do Ipea, mostra que durante pelos menos 10 anos o governo deixou a Telebrás à míngua. Os investimentos só seriam retomados poucos anos antes da privatização, como forma de tornar atraente o processo de venda da estatal.
A briga travada hoje sobre os bens reversíveis – patrimônio utilizado pelas companhias telefônicas e que deve ser devolvido à União no fim da concessão – tem relação direta com esses investimentos feitos durante as décadas de 70 e 90. São imóveis e redes comprados com dinheiro público pelo Sistema Telebrás. Tratar esse patrimônio com zelo não é apenas obrigação das autoridades públicas. É também uma demonstração de respeito a personagens como o General Alencastro, que trabalharam tanto para que todos os brasileiros pudessem ter hoje acesso a um telefone em suas casas.
BAND/montedo.com
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