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Jogos Militares: política é tema proibido entre atletas nas vilas
DANIEL FAVERO
As três vilas que são usadas como alojamento para os mais de 6 mil atletas de 114 países que participam dos Jogos Mundiais Militares, na cidade do Rio de Janeiro, são verdadeiros caldeirões culturais. Esses espaços abrigam, sob o mesmo teto, integrantes das forças armadas de países que não possuem boas relações diplomáticas.
Desta forma, segundo os atletas, existe uma proibição velada sobre a discussão de temas políticos potencialmente problemáticos em um ambiente como esse, apesar de não haver nenhum tipo de tensão no ar.
Por um motivo compreensível, as vilas possuem um rígido controle de entrada. A imprensa só pôde adentrar a Vila Verde, em Deodoro, após um pedido de autorização. A visita foi feita com a companhia de militares brasileiros que anotaram o nome de cada um dos atletas entrevistados, bem como o que disseram em suas entrevistas.
Os atletas de países asiáticos e orientais são os mais retraídos e resistem a uma conversa após um primeiro contato, o que pode ser explicado pela barreira do idioma, cultura ou timidez. Essa é a impressão da goleira da Seleção Militar Feminina de Futebol, Vanessa Cataneo. “Os chineses e orientais, de uma forma geral, ficam um pouco mais afastados, não chegam muito perto, não sei se é pela cultura ou língua deles.”
Para ela, a experiência na vila tem sido muito mais esportiva do que militar. “Todos os países estão confraternizando, principalmente pela noite quando não tem mais ninguém competindo. O pessoal fica sentado na pracinha, conversando, se falando. Essa questão política, pelo menos pelo que tenho visto, tem ficado para trás.”
A queniana Nancy Langarat, 22 anos, que integra a força aérea e disputou a corrida de 500 m, disse que a maioria dos atletas não pode falar sobre política. “A maioria não pode falar sobre política, mas viemos aqui para conversar sobre outras coisas, sobre esporte, sobre coisas normais. Gostamos de interagir porque são atletas de projeção internacional e deixamos as lutas militares fora daqui. O convívio é legal apesar da barreira linguística, mas todos se misturam com todos”, afirma.
Para a atleta chilena de tiro Eliana Oyace, a dinâmica entre países que não têm boas relações políticas é diferente no esporte. “A gente se preocupa com o esporte e deixa essas coisas de lado, porque aqui isso não tem muito sentido, até porque aqui estão todos os países, então procura-se evitar esse tipo de coisa. Aqui se respeitam todas as culturas, tratando a todos bem, inclusive dos países que não nos entendem. A convivência tem sido muito boa.”
60 amigos no Facebook
O atleta do tiro da Suécia, Ted Granbom, diz que vai voltar para casa com dezenas de novos amigos no Facebook. “Temos criado uma relação muito boa com gente de toda a parte do mundo. Quando você chegou estava checando meu Facebook e tenho uns 60 ou 70 novos amigos que conheci nas competições, é fantástico”, diz.
Ele considera enriquecedora a oportunidade de conhecer colegas de profissão em uma competição de nível internacional. “É muito legal conhecer companheiros soldados e oficiais do resto do mundo.”
Ele diz que seu país mantém boas relações diplomáticas com todos os países, por isso não tem tido muitos problemas. No entanto, sabe que política é um assunto proibido entre os atletas das vilas, mas por motivos que considera compreensíveis.
“Eu diria que política é um assunto proibido de se discutir, as pessoas não falam suas opiniões sobre isso, mas eu não vejo problema nenhum nisso na verdade.”
Voltando à lista de amigos adicionados no Facebook, ele diz que, além dos escandinavos, povos com os quais os suecos já possuem uma proximidade natural, ele tem feito amizade com brasileiros, americanos, canadenses, caribenhos e de países que ele não saberia apontar no mapa.
“Conversamos muito com as integrantes do time de futebol feminino do Brasil, uns outros dois que eu nem sei quase são suas modalidades esportivas, mas são pessoas muitos legais que encontramos no elevador outro dia, os canadenses pelo tópicos sobre hóquei no gelo, é claro, um cara de Trinidad Tobago, um outro de um país caribenho que eu não saberia apontar no mapa que foi muito legal”, diz o comunicativo atirador.
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