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Sérgio Barreto Motta
Todos sabem que é importante um país se defender, mas na hora em que se mostra que uma nação tem carências em saúde, habitação e educação, é difícil manter verbas prometidas para compra de armamento. Por isso, de diversos projetos anunciados pelo governo, o único que se transformou em realidade concreta foi o da produção de cinco submarinos. A compra de 36 caças Rafale da França, por R$ 12 bilhões, está sendo um fiasco. O Exército tem projetos bilionários, mas, ao que se sabe, autorizados a conta-gotas. Há dois anos, um empolgado Lula, numa festa de Sete de Setembro, na frente do presidente Sarkozy, praticamente deu por concluída a compra dos Rafale, embora ainda estivesse em plena vigência concorrência com os aviões suecos e americanos. Na melhor das hipóteses, a compra será feita em 2012.
Quanto aos submarinos, havia fortes críticas, com informações de preços menores vindos da Alemanha, mas o governo agiu com rapidez. Autorizou a compra das unidades, a construção de um estaleiro em Itaguaí (RJ) e a participação, sem licitação, da gigante Odebrecht. A explicação foi a de que a escolha da empreiteira foi decisão dos franceses, mas sabe-se que a operação ficaria emperrada sem sinal verde de Brasília. Trata-se de um pacote estimado em R$ 20 bilhões. O Brasil parecia estar satisfeito com a vinculação à tradição alemã, mas optou pelos Scorpène franceses.
Neste sábado, a presidente Dilma vai a Itaguaí e assistirá ao primeiro corte de chapa de aço para as embarcações, como parte do Acordo Estratégico Brasil-França que originou o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha do Brasil. Os primeiros quatro submarinos serão convencionais e o quinto terá casco para receber motor nuclear. Por impedimentos internacionais, a França não poderá ajudar na produção do motor nuclear, que terá planejamento e montagem da Marinha do Brasil.
Informa comunicado da Força Armada: “O submarino movido a energia nuclear é desenvolvido com tecnologia altamente sensível, dominada por um seleto grupo de países. Atualmente, apenas China, Estados Unidos da América, França, Inglaterra e Rússia detêm esse domínio tecnológico. O Brasil passará a integrar essa lista, já que o quinto submarino da série terá reator nuclear e propulsão desenvolvidos pelo próprio país”. O estaleiro deve ficar pronto em 2014 e o primeiro submarino será entregue à Marinha em 2017. Já o nuclear, o quinto da série, deverá ser concluído em 2023.

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