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Segurança aérea ficou nas mãos de inapto, diz instrutor a juiz
Pressão para suprir a falta de pessoal levou à homologação de candidato sem “condições” de ser controlador de voo, afirmou o instrutor Wellington Rodrigues ao juiz Murilo Mendes no processo sobre a colisão entre o Legacy e o avião da Gol que deixou 154 mortos em 2006.
A Justiça inocentou o sargento Jomarcelo dos Santos em razão da “inaptidão” para o cargo. A Aeronáutica não comentou.
Segurança aérea ficou na mão de inapto, diz instrutor
Militar que treinou sargento diz que objetivo era suprir carência de pessoal

Juiz inocentou controlador do caso Legacy por considerá-lo inapto para função; FAB não comenta

RODRIGO VARGAS
Pressões dentro da Aeronáutica para suprir a carência de pessoal forçaram a homologação de uma pessoa sem “condições” e com “deficiente controle emocional” para a função de controlador de voo -primordial para a segurança do controle aéreo.
A afirmação é do sargento Wellington Rodrigues, do Cindacta 1, em Brasília, ao juiz Murilo Mendes, no processo sobre a colisão entre o jato Legacy e o Boeing da Gol, em 2006. No acidente, 154 pessoas morreram.
O sargento Jomarcelo Fernandes dos Santos era um dos responsáveis por acompanhar o setor em que trafegava o Legacy.
Anteontem, a Justiça inocentou Jomarcelo da acusação de atentado culposo (sem intenção) contra a segurança de voo no acidente, em razão de “notórias deficiências” e “inaptidão” ao cargo. A FAB não comenta o caso.
Na decisão, o juiz mencionou trechos do depoimento do instrutor Wellington, responsável pelo curso concluído por Jomarcelo em 2005.
“Ele [Jomarcelo] demorou muito mais do que a turma dele para ser homologado. Ficou fazendo várias tentativas, e havia sempre aquela insistência de homologá-lo”, disse Wellington.
No depoimento, o instrutor foi questionado sobre a origem da “imposição para que se fizesse a homologação de Jomarcelo”. O relato é que “a testemunha explicou que não era uma imposição específica”. “A gente sabia da dificuldade do número de operadores e havia, sim, essa pressão”, afirmou Wellington.
As dificuldades do controlador também foram descritas em laudo psicológico juntado ao processo, que cita problemas para “estabelecer prioridades”, “deficiente controle emocional” e “pouca agilidade nas instruções”.
Em 2007, na CPI do Apagão Aéreo no Senado, um procurador do Ministério Público do Trabalho afirmou que Jomarcelo só ingressou no quadro de controladores “praticamente à força”, após ser reprovado quatro vezes no exame de ingresso.
Militar de carreira, então com 38 anos, Jomarcelo estava havia menos de nove meses no cargo quando aconteceu o acidente.
Segundo o Ministério Público Federal, ele ignorou indicações em sua tela de controle de que o Legacy voava na “contramão” e com o transponder (sistema anticolisão da aeronave) desligado.
Na sentença, o juiz sugere que se atribua conduta dolosa (intencional) no caso a quem “conferiu a Jomarcelo a habilitação para que ele exercesse a função.”
FOLHA DE SÃO PAULO

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