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Irati (PR) – O sargento Edson Lopes, designado em janeiro do ano passado a Força de Paz no Haiti,  ministrou palestra em que explanou, a membros da Loja Maçônica e convidados, detalhes sobre a ação da Organização das Nações Unidas (ONU) no país. A palestra aconteceu nas dependências da Loja, como parte integrante das comemorações pelos seus 89 anos de fundação, na última terça (12).
O militar, nascido e criado em Irati, serve o Exército há 19 anos e já atuou junto à segurança presidencial. Atualmente está lotado no 13º Batalhão de Infantaria Blindada (13 BIB), em Ponta Grossa. O batalhão do qual o sargento Lopes fazia parte embarcou para o Haiti em 30 de julho. Foram dez voos até concluir a substituição das tropas que lá estavam por militares do Paraná e de Santa Catarina, que permaneceram no Haiti até janeiro deste ano.
Desordem
Ele havia separado alguns filmes para mostrar, mas preferiu não exibi-los por considerar o conteúdo pesado demais. “É um general brasileiro quem comanda toda a Força de Paz, composta por mais de 30 países. São 16 países mandando efetivo de tropa, e alguns países mandando apenas representação militar, com quatro ou cinco militares de alto comando, coronel e tenente-coronel”, explica. O Brasil aceitou esse cargo da ONU em 2004, diante da desordem política e social instaurada por gangues de ex-militares à margem da lei a partir da decisão do então presidente Jean-Bertrand Aristides de dissolver o exército por temer um golpe militar. O governo perdeu apoio militar e Aristides acabou exilado na África do Sul e só obteve permissão para retornar ao Haiti em março deste ano.
Conforme o sargento, serviços públicos essenciais, como o fornecimento de luz, água e esgoto, que já eram ruins, ficaram ainda piores. O despreparo, a falta de equipamentos e violência excessiva da polícia haitiana criou um cenário de insegurança para a ação de agentes humanitários. Ele resume em estatísticas as configurações atuais do país: 98% das florestas estão devastadas, pois o único combustível disponível é o carvão; 90% da população está sem luz e outros 80% sem água potável; índice de desemprego de 70%; o analfabetismo atinge 50% da população, que tem expectativa de vida de 60 anos.
O sargento explica a composição dos batalhões e diz que cada companhia é formada de um efetivo de aproximadamente 180 homens. “Uma particularidade é que o Brasil tinha um pelotão paraguaio sob nosso comando. Num acordo que o Brasil fez com o Paraguai, tínhamos 30 militares paraguaios trabalhando com a gente”, conta. O Brasil levou ao Haiti 796 militares do Exército, 299 fuzileiros navais, dez marinheiros, um militar da Força Aérea (FAB), responsável pelo transporte aéreo, além de 30 militares paraguaios e outros dois de outras nações.
Ele mostra uma foto da capital, Porto Príncipe, onde o Brasil atuou. “É uma cidade muito condensada, com mais de três milhões de habitantes. Mas são três milhões de pessoas apinhadas”, afirma. Excluindo os dotados de maior poder aquisitivo, os demais possuem casas de no máximo 10m² para umas cinco pessoas, segundo explica. Existem, ainda, 100 mil desalojados.
HOJE CENTROSUL
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