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Especialista garante que soropositivos podem desenvolver qualquer atividade física
Lucas Bonanno
As explicações do Ministério da Defesa para exigir o teste de HIV para admissão nas Forças Armadas foram contestadas nessa segunda-feira pelo membro do Comitê de Retroviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Esper Kallás.
Segundo informou o Ministério em nota enviada ao serviço de notícias do governo Agência Brasil, “os militares estão sujeitos a situações em que possam sofrer sangramento, o que aumentariam as chances de infecção da doença em outras pessoas”.
Para Esper, “se essa defesa fosse verdadeira, o que não é, qualquer profissão em que haja contatos com pessoas feridas não aceitaria portadores do HIV, como médicos, policiais, bombeiros e peritos.”
Quanto à falta da higidez dos soropositivos nas tropas armadas, também argumentada pelo Ministério da Defesa, o infectologista disse que o órgão federal precisa rever sua posição baseada na antiga lei de 1988, quando os portadores da aids tiveram garantido o direito de se aposentar automaticamente com o diagnostico da doença.
“Ter HIV hoje é muito diferente do que a 22 anos atrás. Os antirretrovirais deram aos infectados uma boa qualidade de vida e aqueles que não estão com aids, mas apenas com o vírus, têm a total capacidade de desenvolverem qualquer função dentro das Forças Armadas”, explicou o médico.
Esper cita como exemplo o ex-jogador de basquete Magic Johnson, que mesmo com HIV, disputou vários jogos nos Estados Unidos e ao redor do mundo com um condicionamento físico igual ao superior aos outros atletas.
A polêmica sobre a exigência do teste de HIV para os interessados em ingressar nas Forças Armadas ganhou repercussão depois de uma denúncia publicada na semana passada pela Agência de Notícias da Aids.
Além da Sociedade Brasileira de Infectologia, o Ministério da Saúde e a Organização Internacional do Trabalho já se pronunciaram contra a obrigatoriedade do teste de HIV como critério para admissão nas Forças Armadas ou para seleção de qualquer emprego.

Agência de Notícias da AIDS

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